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Luta contra inflação do BCE faz trabalho do Fed parecer simples

(Bloomberg) -- As duas alternativas de aumento de juros que se configuram para o Banco Central Europeu nesta semana diferem em apenas 0,25 ponto percentual, mas poucos invejariam a tarefa de Christine Lagarde.

Por trás de sua escolha entre um aperto monetário de 0,50 ou 0,75 ponto percentual, há uma série cada vez maior de desafios para a presidente do BCE e seus colegas em Frankfurt, ao administrarem uma moeda enfraquecida, com uma guerra na vizinhança.

A economia da região é assolada por uma crise de fornecimento de energia, que levou a um choque inflacionário histórico e perigo iminente de recessão. Esses desafios se tornaram mais agudos na sexta-feira, quando a russa Gazprom disse que seu principal gasoduto permanecerá desligado indefinidamente.

As autoridades também enfrentam a fraqueza do euro, impulsionada pelas repercussões do aperto agressivo nos EUA — e sabem que qualquer movimento do BCE para compensar isso, elevando juros, corrói a estabilidade fiscal de países membros mais vulneráveis, como a Itália.

O trabalho do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, de domar a inflação desenfreada na maior economia do mundo não é simples, mas as dificuldades que sua colega europeia enfrenta são piores ainda.

“O BCE está lidando com um equilíbrio muito, muito tênue” disse Emmanuel Cau, chefe de estratégia de renda variável no Barclays, à Bloomberg Television. “O Fed precisa desacelerar a economia para reduzir a inflação. Acho que o trabalho do BCE é muito mais complexo porque, obviamente, não há muito que eles possam fazer contra uma crise energética.”

A decisão de quinta-feira é menos complicada que a de julho, mas não é menos importante. Em sua primeira alta, o BCE encerrou oito anos de taxas abaixo de zero com um movimento surpreendente de meio ponto percentual e um novo mecanismo para proteger a Itália. Desta vez, uma alta de 0,75 ponto percentual sinalizaria para os investidores a urgência crescente da batalha contra a alta de preços.

A inflação da zona do euro atingiu um nível recorde de 9,1%. E depois de um verão em que a Europa sofreu a pior onda de calor desde o Renascimento, o inverno se aproxima com a ameaça de interrupção do fornecimento de energia da Rússia, que pode derrubar a economia e deixar lares congelando.

“Indústrias alemães já estão fechando por causa dos altos custos”, disse Sarah Hewin, chefe de pesquisa para Europa e Américas do Standard Chartered. “Para o BCE, esse conflito enorme de combater uma inflação cada vez mais alta diante de uma recessão inevitável é muito difícil.”

Enquanto o economista-chefe do BCE, Philip Lane, pediu cautela, alguns colegas são claramente a favor de acabar com a inflação de forma decisiva. Vários sugeriram recentemente um aumento mais agressivo de 0,75 ponto percentual em vez de simplesmente repetir a alta de meio ponto de julho.

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