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Lulas e caranguejos sentem dor e não devem ser cozidos vivos, diz estudo

·2 min de leitura

O Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido anunciou o que muitas ativistas e membros da comunidade científica defendiam há um tempo: lagostas, polvos e caranguejos são seres sencientes, ou seja, têm a capacidade de passar por sensações e sentimentos de forma consciente — como a dor e prazer, por exemplo.

O comunicado teve como base um relatório da Escola de Economia e Ciência Política de Londres (LSE, em inglês), que avaliou 300 estudos científicos sobre decápodes (caranguejos e lagosta, por exemplo) e cefalópodes (como polvos e lulas), e concluiu que esses animais devem ser tratados como seres capazes de sentir ou perceber através dos sentidos.

As autoridades do Reino Unido estão adicionando uma emenda ao Projeto de Lei de Bem-Estar — que já reconhece todos os animais com espinha dorsal (vertebrados) como seres sencientes. Apesar disso, como o texto aponta, ao contrário de alguns outros invertebrados (animais sem espinha dorsal), os crustáceos e cefalópodes decápodes têm sistemas nervosos centrais complexos, uma das principais marcas da senciência.

Lord Zac Goldsmith, Ministro do Bem-Estar Animal, disse que “a ciência deixa claro que decápodes e cefalópodes podem sentir dor e, portanto, é justo que eles sejam abrangidos por esta peça vital de legislação.”

Relatório conclui que moluscos e crustáceos devem ser tratados como seres conscientes. (Foto: Elxeneize/Envato Elements)
Relatório conclui que moluscos e crustáceos devem ser tratados como seres conscientes. (Foto: Elxeneize/Envato Elements)

Consumo e manuseio de moluscos e crustáceos

Os frutos-do-mar, como são popularmente conhecidos, são os mariscos usados em muitos pratos da culinária do Brasil e do mundo. Normalmente, eles são consumidos pelo sabor e por possuírem grande quantidade de nutrientes.

Segundo o relatório da LSE, lagostas e caranguejos não devem ser cozidos vivos, e se faz necessário melhores práticas para o transporte, atordoamento e abate dos animais — para que sejam expostos ao mínimo de dor e angústia.

A equipe ainda defende que haja a proibição de venda de crustáceos decápodes vivos para pessoas não treinadas. Por exemplo, alguns crustáceos podem ser encomendados em varejistas online. De acordo com os pesquisadores, esta prática cria um risco de manuseio errado e armazenamento inadequado — além de abate doloroso.

O projeto de lei, que ainda não foi aprovado, estabelecerá um Comitê de Senciência Animal, que emitirá relatórios sobre como as decisões do governo levaram em consideração o bem-estar dos animais sencientes.

O comunicado afirma que a decisão de classificar os animais como seres sencientes não afetará nenhuma legislação existente ou práticas da indústria, como a pesca. Também não haverá impacto direto na pesca de moluscos ou na indústria de restaurantes — em vez disso, escreveu o governo britânico, a decisão é projetada apenas para garantir que o bem-estar animal seja considerado na decisão que deverá ser tomada.

Fonte: Canaltech

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