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Lula e Dilma se unem a ex-presidentes e pedem confirmação da vitória de Castillo no Peru

·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 18.12.2019: Ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT) durante evento no Rio de Janeiro. (Foto: Zô Guimarães/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 18.12.2019: Ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT) durante evento no Rio de Janeiro. (Foto: Zô Guimarães/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff se uniram a outros cinco ex-mandatários de países latino-americanos e da Espanha em carta que expressa preocupação com a democracia no Peru e pede o reconhecimento, pelo Júri Nacional de Eleições, da vitória do esquerdista Pedro Castillo.

Entre os signatários estão os ex-presidentes Ernesto Samper Pizano, da Colômbia, Fernando Lugo, do Paraguai, José Luis Rodríguez Zapatero, da Espanha, Martín Torrijos, do Panamá, e Rafael Correa, do Equador.

"O legítimo direito de que dispõem os adversários políticos de Pedro Castillo para solicitar esclarecimentos e revisões dos documentos e processos eleitorais não pode tornar-se uma estratégia dilatória para impedir a validação de resultados", afirmam.

"Qualquer atraso injustificado na oficialização da decisão tomada pelo povo peruano, que resultou na eleição de Pedro Castillo, gera incertezas e cria espaços indesejáveis de desorganização para o curso da economia, a estabilidade da democracia, podendo atrasar ilegitimamente o mandato do presidente eleito Castillo", segue o documento, que é assinado em nome do Grupo de Puebla, que reúne líderes de partidos de esquerda.

O Peru vive um impasse enquanto aguarda a confirmação do resultado de seu processo eleitoral, celebrado no início deste mês.

A candidata à Presidência Keiko Fujimori busca na Justiça reverter a pequena diferença pela qual foi derrotada na disputa com Pedro Castillo —ainda que o vencedor não tenha sido oficialmente anunciado.

Com 100% das urnas contabilizadas, o resultado aponta 50,12% para o esquerdista e 49,87% para a filha do ex-ditador Alberto Fujimori. O anúncio oficial ainda depende do Júri Nacional Eleitoral, responsável por analisar a impugnação de atas de votação, já que Keiko pediu a revisão de 300 mil votos e a anulação de outros 200 mil.

Em pronunciamento no dia 9 de junho, a candidata conservadora apontou supostas irregularidades cometidas por apoiadores de Castillo, que, para ela, constituiria "fraude sistemática".

Já Castillo se declarou vencedor no dia 8 de junho, embora os órgãos eleitorais não tenham realizado nenhum pronunciamento oficial confirmando o resultado. Se a vitória do esquerdista se concretizar, ele será o primeiro presidente peruano sem vínculos com as elites políticas, econômicas e culturais.

Leia, abaixo, a carta escrita pelos ex-presidentes:

"Nós signatários desta declaração do Grupo de Puebla, preocupados com a situação política no Peru e movidos pela necessidade de defender a institucionalidade democrática, declaramos:

1. Há fortes indícios de que o professor Pedro Castillo obteve a maioria dos votos nas eleições de 6 de junho último, realizadas de acordo com as garantias e normas da transparência e disputa eleitoral.

2. Apurada a totalidade das atas de votação, nos dirigimos respeitosamente ao Jurado Nacional de Elecciones (JNE) do Peru para que proceda em consequência e declare formalmente a vitória de Pedro Castillo.

3. O legítimo direito de que dispõem os adversários políticos de Pedro Castillo para solicitar esclarecimentos e revisões dos documentos e processos eleitorais, não pode tornar-se uma estratégia dilatória para impedir a validação de resultados que, segundo as contagens, são inquestionáveis.

4. Como é do conhecimento do Presidente da República, das Forças Armadas e demais atores institucionais, qualquer atraso injustificado na oficialização da decisão tomada pelo povo peruano que resultou na eleição de Pedro Castillo, gera incertezas e cria espaços indesejáveis de desorganização para o curso da economia, a estabilidade da democracia, podendo atrasar ilegitimamente o mandato do presidente eleito Castillo, afetando a concretização dos projetos sociais anunciados durante sua campanha.

Dilma Rousseff, ex-presidenta do Brasil

Ernesto Samper Pizano, ex-presidente da Colômbia

Fernando Lugo, ex-presidente do Paraguai

José Luis Rodríguez Zapatero, ex-presidente da Espanha

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil

Martín Torrijos, ex-presidente do Panamá

Rafael Correa, ex-presidente do Equador"

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