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Lula deve fazer reforma com alta de imposto para financiar gasto público, diz Citi

***ARQUIVO*** São Bernardo do Campo, SP, BRASIL, 04-09-2022: O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
***ARQUIVO*** São Bernardo do Campo, SP, BRASIL, 04-09-2022: O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma das maiores preocupações do mercado financeiro para 2023 diz respeito a como se dará a condução da política fiscal pelo governo que assumir o Planalto em janeiro.

Para o time de análise do Citi, no entanto, o risco fiscal não deve ser um ponto de grande preocupação por parte dos agentes financeiros no próximo ano.

Os analistas do banco americano acreditam que, embora a distância de intenções de votos entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) deva diminuir ao longo das próximas semanas, o cenário mais provável é de uma vitória do candidato petista.

Na última pesquisa Datafolha, realizada entre o final de agosto e início de setembro, o petista aparece com 13 pontos de vantagem sobre Bolsonaro na disputa do primeiro turno (45% ante 32% do atual presidente).

Considerando o cenário de um terceiro mandato do ex-presidente Lula, os analisas do banco americano projetam que o petista terá a habilidade necessária para conduzir uma política fiscal responsável, que não irá acarretar em um crescimento descontrolado da dívida pública.

"Estamos assumindo que Lula conseguirá ancorar as expectativas sobre a sustentabilidade fiscal", dizem os especialistas do Citi em relatório publicado nesta terça-feira (6).

A expectativa dos analistas é a de que o ex-presidente volte a promover um aumento dos gastos públicos para estimular o consumo e a economia local, mas que esse aumento será compensado por uma reforma fiscal que irá levar a um aumento da carga tributária.

"A disposição de Lula em aumentar os gastos é evidente, mas também pode ocorrer um aumento de impostos", apontam os analistas do Citi.

Eles reconhecem ainda que a substituição do teto de gastos por uma outra âncora fiscal é um evento de risco significativo para o governo que assumir em 2023. Mas assinalam também que esperam que o petista adote um tom mais pragmático do que ideológico em um eventual terceiro mandato, consciente da fragilidade fiscal da economia brasileira.

"Esperamos que Lula mate dois coelhos com uma cajadada só, aprovando uma reforma tributária de larga escala, que resultaria tanto em um aumento do PIB (Produto Interno Bruto) potencial, mas também dando a ele a oportunidade de aumentar os impostos para financiar o aumento dos gastos."

Os especialistas do Citi acrescentam que, neste cenário projetado à frente, os preços dos ativos não deverão sofrer um impacto negativo, com a cotação do dólar em R$ 5,28 e R$ 5,21 no final de 2022 e 2023, respectivamente, e com o processo de desaceleração da inflação tendo continuidade ao longo do ano que vem —o banco trabalha com uma estimativa de inflação de 4,5% para o próximo ano.

A descompressão na alta de preços, prosseguem os analistas, deverá permitir ao BC (Banco Central) dar início ao movimento de corte na taxa de juros, com a Selic encerrando dezembro de 2023 em 10,5%, frente aos atuais 13,75% ao ano.

GESTOR DO CREDIT SUISSE SINALIZA MAIOR CAUTELA COM POLÍTICA FISCAL EM 2023

Já Luciano Telo, diretor de investimentos do Credit Suisse para a América Latina, tem uma visão um pouco mais cautelosa.

Ele avalia que os investidores ainda estão em compasso de espera no aguardo do resultado das eleições no Brasil, justamente por causa das incertezas relacionadas à política fiscal a partir de 2023.

"Tem que esperar a definição de quem vai conduzir as políticas do ano que vem para, de fato, conseguir entender qual o risco fiscal que tem à frente", afirmou Telo em entrevista à Reuters.

O mercado quer entender se quem sair vitorioso buscará conter o nível de gastos, segundo o executivo. "Essa é a grande discussão, independente do candidato que for eleito", afirmou.

"A eleição vai definir não só o presidente, mas também o Congresso, e essa eleição se desdobra para o presidente da Câmara dos Deputados no ano que vem; então essa configuração de forças é importante para entender se realmente vai ter pauta de reformas, uma pauta mais abrangente", acrescentou.

Para Telo, decidida a eleição, pode haver algum alívio no mercado. Mas ele chamou a atenção para a necessidade de a nova equipe trabalhar rapidamente a comunicação com agentes financeiros após o resultado.

Em outros países na América Latina, afirmou, o mercado não conseguiu enxergar claramente uma diretriz pós-eleição e pediu um desconto após o pleito. "Serve de aprendizado", observou.

No caso da Bolsa brasileira, mesmo avaliando que os preços estão baixos, Telo prefere não alocar mais recursos no momento, esperando os sinais sobre o crescimento do país em 2023, além das dúvidas sobre o fiscal e a volatilidade eleitoral.

Telo destacou que a discussão atual sobre o próximo ano é de redução da Selic, o que ele considera factível a partir do segundo semestre.

Para a taxa de câmbio, o executivo afirmou ver o dólar na faixa de R$ 5,10 a R$ 5,20 para o fim de 2022, próximo do patamar atual, refletindo termos de troca, com a valorização de commodities, mas algum desconto por componentes de incerteza.

No entanto, ele entende que uma sinalização fiscal mais clara, que significaria menos risco, e as commodities "comportadas" poderiam levar o dólar abaixo de R$ 5.

Ele ponderou, contudo, que qualquer cenário para os ativos financeiros brasileiros passa pelos próximos passos do Federal Reserve (banco central dos EUA). "Isso é o mais importante para [determinar] a aversão a risco do que qualquer elemento regional", afirmou Telo.

BC ENTREGARÁ AO PRÓXIMO PRESIDENTE UMA ‘HERANÇA BENDITA’, DIZ GUSTAVO FRANCO

Ex-presidente do BC, o economista Gustavo Franco destaca ainda que o processo de alta dos juros, que tirou a taxa Selic da mínima histórica de 2% ao ano para os atuais 13,75%, vai resolver o problema da inflação aplicando um remédio amargo que os políticos não adotariam, ainda mais durante uma eleição.

"O próximo presidente terá diante de si uma inflação já controlada e tirará proveito do trabalho de um BCB que não era o seu: será uma herança bendita, cuja chance de ser reconhecida publicamente como tal é exatamente igual a zero", aponta Franco em relatório publicado nesta terça.

O economista e sócio da gestora Rio Bravo afirma também que esta será a primeira eleição presidencial na qual o BC tem independência aprovada e prevista em lei para adotar as medidas que entende como necessárias para controlar a inflação.

Ele reconhece que é difícil saber se a condução da política monetária teria sido a mesma em um cenário no qual a autoridade monetária não contasse com essa mesma independência, com prováveis questionamentos sobre o papel da alta dos juros no combate à inflação, tendo em vista as medidas adotadas pelo governo que também foram nesse sentido, como a redução dos impostos sobre os combustíveis.

"Na maior parte dos casos, os governos fazem apenas medidas cosméticas, ou de efeitos muito curtos, pois sempre ouvirão de seus economistas que o equilíbrio fiscal é a melhor contribuição que os governos podem dar ao combate à inflação", disse o ex-presidente do BC no documento.

De toda forma, ele afirmou também que, considerando a possibilidade da adoção de medidas pouco convencionais, como o congelamento de preços, "as medidas cosméticas são bem-vindas, [pois] ocupam o espaço que poderia ser ocupado pela irresponsabilidade."