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Lula deve definir nomes para a área econômica buscando acomodar aliados

SÃO PAULO, SP, 30.10.2022 - LULA-APOIADORES: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente eleito após o resultado das eleições 2022, discursa para apoiadores na avenida Paulista, região central de São Paulo, na noite deste domingo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 30.10.2022 - LULA-APOIADORES: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente eleito após o resultado das eleições 2022, discursa para apoiadores na avenida Paulista, região central de São Paulo, na noite deste domingo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Definir a equipe ministerial é sempre uma tarefa complexa, mas o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai exigir um nível adicional de articulações políticas. A escolha do time vai precisar equilibrar visões de uma frente ampla que reuniu dez partidos, além de economistas de diferentes correntes e empresários.

Entre as pastas que devem ficar para o próprio PT estão as da área econômica. É dado como certo que o superministério comandado hoje por Paulo Guedes será desmembrado, mas o formato final e a definição de funções vai ficar a cargo do próprio futuro ministro.

Dentro do PT, os mais cotados para a área econômica são o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), que também é citado para outras funções (como negociador político ou ministro da Saúde); o senador eleito Wellington Dias (PT-PI); e Fernando Haddad, que disputou e perdeu o governo de São Paulo.

Pessoas próximas a Lula dizem que o destino de Haddad é uma incógnita. Seu nome é mencionado para a área econômica, mas o presidente eleito também já teria indicado querer o aliado novamente no Ministério da Educação (pasta que o paulista já ocupou).

Correndo por fora está Henrique Meirelles, que foi presidente do Banco Central de Lula e ministro da Fazenda de Michel Temer (MDB). Ao anunciar nesta segunda que coordenará a expansão da ACCrédito, braço financeiro da Associação Comercial de São Paulo que se prepara para virar um banco digital, Meirelles afirmou à Folha de s.Paulo que "não teria maiores problemas" em deixar essas atividades para integrar o governo de Lula.

Pérsio Arida, por sua vez, é nome próximo do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB). O economista é um dos pais do Plano Real e abriu o voto em Lula no segundo turno. Outro nome popular entre o mercado é o do economista Armínio Fraga, que também apoiou o petista no segundo turno.

Uma indicação dos economistas liberais, porém, sofre resistência política por serem nomes historicamente associados ao PSDB.

Lula gostaria, e não conseguiu em outras tentativas, que Luiz Carlos Trabucco aceitasse assumir a Fazenda. Hoje ele é presidente do conselho de administração do Bradesco.

O economista André Lara Resende, outro pai do Real que apoiou Lula, não deve ter cargo de gestão. Pode ser indicado para representar o Brasil em algum organismo internacional, como o Banco Mundial ou o FMI (Fundo Monetário Internacional), ou atuar como um formulador de políticas públicas.

MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO DEVE SER RECRIADO; VEJA COTADOS

O novo ministro da Fazenda, caso a nomenclatura anterior seja reconstituída, definirá o modelo para a reimplantação das pastas aglutinadas à Economia. Um exemplo é o futuro Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão.

Já se sabe que o Planejamento terá a responsabilidade de participar da reforma administrativa e, tudo indica, também deve acompanhar um amplo plano de obras, uma espécie de reedição do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A ex-ministra do Planejamento Miriam Belchior é uma das apostas de petistas para ter um cargo de comando do programa de obras de infraestrutura.

Se um não petista ocupar o posto de ministro da Fazenda, é dado como certo que haverá representante do partido no Ministério do Planejamento. Os mais cotados são Haddad, Aloizio Mercadante e Gleisi Hoffmann. Nesse caso, também são considerados Wellington Dias e Rui Costa, governador da Bahia em final de mandato, que também é cotado para a Casa Civil.

Lula falou muito durante a campanha que um orçamento participativo irá substituir o chamado orçamento secreto, sistemática que reserva quase R$ 19 bilhões da despesa discricionária federal para emendas parlamentares em 2023. Se algo nessa linha for implementado, o nome de Hoffmann ganha espaço.

Ainda não está certo quem fica com a Secretaria de Orçamento Federal, crucial para o começo do governo —já que é preciso ampliar despesas de forma significativa no ano que vem, de acordo com o plano do PT. Assim, essa atribuição tanto pode ir para o Planejamento como ficar sob a tutela do Ministério da Fazenda (modelo mais próximo ao atual).

FELIPE SALTO E BERNARD APPY SÃO COTADOS PARA SECRETARIAS

Entre os primeiros nomes que podem ocupar secretarias na área estão os economistas Felipe Salto, que poderia ir para a Secretaria do Tesouro Nacional, e Bernard Appy —ainda sem cargo definido, mas com missão certa de destravar a reforma tributária.

Appy foi secretário de Política Econômica e também titular da Secretaria Extraordinária de Reformas Econômico-Fiscais, ambas ligadas ao Ministério da Fazenda, durante os governos Lula. Especialista em tributação, hoje é diretor do CCiF (Centro de Cidadania Fiscal) e coautor de uma das principais propostas de reforma tributária discutidas nos últimos anos, a PEC (proposta de emenda à Constituição) 45.

Também deve ser criado um Ministério do Empreendedorismo e da Economia Criativa, que viria para repor as funções da secretaria de Micro e Pequena Empresa, que tinha status de ministério.

TEBET PODE FICAR COM AGRICULTURA; MÁRCIO FRANÇA. COM MINISTÉRIO DE INDÚSTRIA, COMÉRCIO EXTERIOR E SERVIÇOS (MDIC)

O futuro titular de um eventual Ministério de Indústria, Comércio Exterior e Serviços ainda está indefinido. O PSB de Alckmin pediu para comandar a pasta e, se for atendido, um dos principais cotados é Márcio França, derrotado na disputa por uma vaga no Senado por São Paulo.

Ministérios relacionados à economia de forma indireta também podem ter nomes de peso.

Para o Ministério da Agricultura, um nome agora recorrente é o da senadora Simone Tebet (MDB). Terceira colocada na disputa à Presidência no primeiro turno, ela apoiou a campanha e sua presença no ministério de Lula é encarada como uma certeza.

O ministro da Agricultura no próximo governo Lula terá a função adicional de reforçar ao mundo a imagem de que o agronegócio brasileiro é alinhado com a defesa do ambiente.

Aliados de Tebet dizem que ela preferia ocupar a Educação, mas a tendência é que a pasta fique com o PT.

São ainda citados como opções para comandar a Agricultura o deputado Neri Geller (PP-MT) e o senador Carlos Fávaro (PSD-MT).

O PT também quer reforçar a pasta que cuidará da área social, inclusive com reedição do Bolsa Família. Para isso, o nome mais lembrado entre aliados de Lula é o da ex-ministra de Desenvolvimento Social Tereza Campello.

PRATES PODE ASSUMIR PETROBRAS; GALÍPOLO, BNDES

Um dos nomes citados para o Ministério de Minas e Energia é o do senador Jean Paul Prates (PT-RN), atuante na área de energia. Historicamente, a área era de influência do MDB. A tradição foi quebrada na gestão de Jair Bolsonaro (PL), mas pode ser reconstituída por Lula —nesse caso, Prates, que teve forte atuação no setor de óleo e gás, também é visto como forte opção para assumir a Petrobras.

Mas a indicação deve enfrentar algumas barreiras no estatuto da Petrobras, que veda, entre outros, a indicação de pessoa que atuou, nos últimos 36 meses, como participante de estrutura decisória de partido político.

A bolsa de apostas para ocupar a presidência de bancos públicos mal foi aberta.

O economista Gabriel Galípolo pode ser indicado para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social). Ex-presidente do banco Fator, ele atuou na campanha como um conselheiro econômico de Lula e é bem-visto no partido.

Para o Banco do Brasil e para a Caixa Econômica Federal, são esperados nomes mais técnicos.