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Lula busca aliados e adversários para derrotar Bolsonaro

·5 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Eram grupos da esquerda e de centro, mas também da centro-direita, chegando à suíte de um hotel em Brasília no começo deste mês. Sorriam e se cumprimentavam de acordo com as regras de distanciamento social. Tuitavam. O homem cuja atenção políticos de todos os espectros buscavam, Luiz Inácio Lula da Silva, os recebeu em uma peregrinação como o papa, rodeado de assessores animados com o retorno do ex-presidente à capital federal.

E, depois de cinco dias, havia pouca dúvida: Lula, depois de ter sido preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e ter as condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, emerge como o principal e mais forte adversário do presidente Jair Bolsonaro nas eleições do próximo ano.

“Se não houver uma terceira via significativa, vou de Lula. Quem não tem cão caça com gato”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevista ao Valor Econômico, logo após a passagem de Lula por Brasília. “Não sei se o Partido dos Trabalhadores representa o futuro do Brasil, mas Bolsonaro representa um futuro que não tem meu entusiasmo”, afirmou. Lula e FHC almoçaram juntos na quinta-feira.

Com o país abalado pelo número de mortos e mergulhado em uma crise sanitária por causa da pandemia do coronavírus, a aprovação de Bolsonaro caiu para 24% segundo recentes pesquisas de opinião. Diante desse contexto e com a volta de Lula ao tabuleiro político, entrevistas com dirigentes dos principais partidos indicam que o petista está rapidamente construindo uma ampla coalizão de forças em torno de sua esperada candidatura.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disse que o foco do partido agora é pressionar pela vacinação e pela ampliação do auxílio emergencial aos vulneráveis que ficaram sem renda diante dos efeitos do coronavírus na economia. No segundo semestre, entretanto, as eleições entram na agenda: “Temos como objetivo e responsabilidade a unificação dos partidos de esquerda para enfrentar o mal maior que é Bolsonaro”, disse. “O nosso papel e de Lula é organizar todas as forças possíveis para fazer esse enfrentamento.”

Poucas coisas são tão voláteis quanto o clima político no Brasil. Faltam 17 meses para as eleições, Lula tem 75 anos e sobreviveu a um câncer na laringe. Bolsonaro, apesar de todos os obstáculos, tem suas habilidades e seguidores fiéis. Além disso, o petista ainda não anunciou que está concorrendo. “Hoje não há da parte do ex-presidente Lula candidatura definida, há que se aguardar 2022 e a decisão do PT, de partidos aliados, a situação da sociedade e dele de saúde”, disse sua assessoria por meio de nota.

Mas ao vê-lo em Brasília, acompanhado de sua noiva, a socióloga Janja, enquanto tuitava sem parar, jantava com líderes políticos e diplomatas e contava que está se exercitando para manter a forma, Lula deixou uma coisa clara: que tem musculatura para fazer pressão e oposição sobre Bolsonaro. E, com suas condenações anuladas, parece destinado a disputar novamente a presidência.

Antes da decisão do STF em março, aliados buscavam um candidato para enfrentar Bolsonaro. Agora, quase todos na esquerda, PSB, PC doB, e até mesmo o PSOL, que desde sua fundação teve candidato próprio a presidente, falam em apoiar Lula.

“Caminhamos para uma polarização entre a extrema direita e Lula, com tudo o que ele representa. Lula é um fenômeno de resiliência, sofreu desgastes, mas deu a volta por cima”, disse Chico Alencar, vereador no Rio e integrante do PSOL. “Lula é a única chance segura de derrotar Bolsonaro.”

Flávio Dino, governador do Maranhão e integrante do PCdoB, concorda: “Lula é uma figura referencial na política brasileira, é um peso indiscutível. As precariedades e ineficiências de Bolsonaro, por antítese, fortalecem o campo político de Lula. Já era uma tendência os partidos de esquerda se aliarem, e Lula reforça isso.” No PSB, o sentimento não é diferente. “Ainda estamos em ano pré-eleitoral, mas há uma estratégia de buscar uma frente ampla para além da esquerda”, reforçou Carlos Siqueira, presidente do partido.

A única legenda de esquerda que busca demarcar distância de Lula é o PDT, de Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar em 2018 quando Bolsonaro derrotou Fernando Haddad no segundo turno.

Lula também está conversando com partidos de centro que apoiam Bolsonaro no Congresso e até mesmo integram o governo com ministérios. Na estada em Brasília, recebeu os presidentes de dois dos três maiores partidos do centrão, Valdemar Costa Neto, do PL; e Gilberto Kassab, do PSD. Embora essas conversas sejam frequentemente voláteis e tenham um preço, mostram que os partidos se preparam para a possibilidade de o ex-presidente ser extremamente competitivo.

Amigo no passado e inimigo em um passado recente, o MDB do ex-presidente Michel Temer, artíficie do impeachemnt de Dilma Rousseff em 2016, também se aproxima de Lula. Independente no governo Bolsonaro, o partido já está com conversas avançadas com PT e Lula em vários estados, especialmente no Nordeste. Até mesmo o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, que foi um dos grandes adversários das gestões petistas, se reuniu com Lula para “conversar sobre a conjuntura política.”

Parte do quadro atual é resultado de uma clara falta de alternativas. Lula, cuja presidência coincidiu com um boom das commodities e tirou milhões de pessoas da pobreza, mostra números sólidos nas pesquisas de intenção de voto, com cerca de 40%. Outros nomes relevantes, como o governador de São Paulo, João Doria, e o ex-juiz Sergio Moro, têm cerca de 10%.

Enquanto isso, Bolsonaro enfrenta queda na sua popularidade. Sua aprovação disparou no ano passado com o pagamento do auxílio emergencial, mas a redução do valor neste ano e as críticas a sua gestão errática da pandemia fez com que a desaprovação aumentasse. Perguntado sobre o desafio de enfrentar Lula, o gabinete de Bolsonaro não quis comentar.

O presidente pode ampliar o auxílio emergencial, mesmo que isso esteja em desacordo com as medidas fiscais do ministro da Economia, Paulo Guedes, buscando voltar a ganhar terreno eleitoral. Ao mesmo tempo, a estratégia de Bolsonaro tem sido fazer com que o Congresso, sobretudo a Câmara dos Deputados, aprove medidas conservadoras para manter sua base ideológica mobilizada. No entanto, isso pode acabar por ajudar seu adversário no que deve ser a eleição mais polarizada do Brasil em décadas.

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