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Lula articula acordo para que PT defina candidato em SP sem prévias

Cristiane Agostine

Seis nomes do partido são cotados para a disputa à prefeitura da capital paulista O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula um acordo no PT de São Paulo para que o partido não realize prévias e defina até o próximo mês o candidato à prefeitura paulistana. Sem um nome forte para disputar na capital, o partido marcou uma eleição interna para o dia 15 de março.

O ex-presidente, no entanto, deve se reunir nos próximos dias com os petistas que já se inscreveram para a disputa interna para negociar uma candidatura de consenso. O ex-presidente tem defendido publicamente um nome novo para concorrer em outubro.

Briga por cargos no PT atrasa definição de candidaturas

Lula tem dito a petistas que o partido tem de evitar a prévia para entrar unido na disputa municipal e que é preciso escolher o candidato nas próximas semanas, e não deixar a definição para março.

No dia 6, Lula se reuniu com o ex-deputado e pré-candidato Jilmar Tatto e o ex-prefeito Fernando Haddad para conversar sobre a eleição paulistana. Haddad reforçou que não concorrerá neste ano.

O ex-presidente Lula costura apoio dentro do PT para selar candidatura à prefeito de SP sem prévias

Leo Correa/AP

O ex-presidente reiterou a posição do ex-prefeito e disse que a missão de Haddad é viajar pelo país, e não concorrer à prefeitura paulistana. Ex-candidato do PT na disputa presidencial de 2018, Haddad é cotado para concorrer novamente à Presidência em 2022.

Ao mesmo tempo em que tem atuado para desmarcar a prévia municipal, Lula acompanha de perto as negociações do PT com a ex-prefeita Marta Suplicy, para que a ex-petista participe da chapa do partido na capital.

Ontem, Haddad e Tatto reuniram-se com o empresário Marcio Toledo, marido de Marta Suplicy, para discutir a participação da ex-prefeita nestas eleições. Marta tem indicado que não voltará ao PT e a tendência é que se filie ao PDT para participar como vice da chapa petista.

"Marta sabe que o PT terá candidato próprio em São Paulo, mas está disposta a ajudar da forma que for preciso", disse Tatto, antes de participar de reunião do grupo majoritário do PT, em São Paulo. Haddad reforçou: "Marta quer ajudar e não reivindicou nenhum espaço".

Até agora, o PT tem seis pré-candidatos: Jilmar Tatto, o vereador Eduardo Suplicy, os deputados federais Carlos Zarattini e Paulo Teixeira, o ex-ministro Alexandre Padilha e o ex-vereador Nabil Bonduki.

Dos nomes já colocados, Tatto e Padilha são vistos como mais viáveis dentro do PT. Tatto foi deputado estadual, federal, secretário de Tansportes na gestão Fernando Haddad e tem apoio na base petista. O ex-parlamentar tem quatro irmãos com mandato: dois vereadores na capital, um deputado estadual e um deputado federal.

Padilha foi ministro das Relações Institucionais no governo Lula e da Saúde na gestão Dilma Rousseff e secretário de Saúde no governo Haddad. Em 2014, concorreu ao governo de São Paulo e ficou em terceiro lugar, com 18,2% dos votos válidos, atrás de Geraldo Alckmin (PSDB) e Paulo Skaf (MDB). Em 2018, foi eleito deputado federal e recebeu 87,5 mil votos.

O ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é um dos cotados para a prefeitura de São Paulo

Elza Fiúza/ABr

Novidade

Lula disse, em entrevista à rede TVT, que "quem sabe a gente tem novidade" na disputa pela prefeitura paulistana, ao falar sobre quem disputará a eleição pelo partido. O ex-presidente citou os atuais pré-candidatos, mas lembrou das dificuldades que deverão enfrentar nas urnas.

"Essa gente tem currículo para ser candidato. Mas é preciso saber se vai conseguir transformar esse currículo em apelo popular", disse.

No partido, não é descartada a possibilidade de lançar um nome diferente dos seis pré-candidatos.

Na entrevista, Lula voltou a falar que "é sabido que Haddad não quer ser candidato". "Quando a pessoa não quer, é bom não forçar porque ganhar querendo é difícil, sem querer… O PT vai ter que escolher outros companheiros".

A corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB), está reunida nesta quinta-feira em São Paulo, na sede do partido, para discutir a distribuição de cargos e funções no comando do PT. No início da tarde chegaram ao local o ex-tesoureiro João Vaccari Neto e o ex-deputado André Vargas. Ambos foram presos durante as investigações da Operação Lava-Jato.