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Podemos ter uma "megaepidemia" em 60 dias, alerta Mandetta sobre nova variante brasileira do coronavírus

·2 minuto de leitura
Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images
Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images

Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, demonstrou grande preocupação com a variante do novo coronavírus detectada inicialmente em Manaus. Para ele, a mutação pode provocar uma “megaepidemia” no Brasil em 60 dias.

O cenário de colapso da saúde no Amazonas, que tem levado a transferência de pacientes com Covid-19 da capital Manaus para diversos estados do país, podem espalhar a nova mutação do vírus mais rapidamente por todo o território brasileiro.

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Para piorar, de acordo com especialistas, há indício de que a nova cepa possua um poder maior de transmissibilidade do vírus, que já infectou mais de nove milhões e tirou a vida de mais de 220 mil pessoas no Brasil.

"[É uma crise] essa história dessa cepa, dessa variante em Manaus, que o mundo inteiro está fechando os voos para o Brasil e o Brasil está, não só aberto normalmente, como está retirando paciente de Manaus e mandando para Goiás, mandando para a Bahia, mandando para outros lugares sem fazer os bloqueios de biossegurança", alertou o ex-ministro em entrevista à TV Cultura.

Mandetta, que foi demitido após atritos com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na condução da pandemia, ainda ressalta que os efeitos desastrosos da mutação poderão ser sentidos em breve no país.

"Provavelmente, a gente vai plantar essa cepa em todos os territórios da federação e daqui a 60 dias a gente pode ter uma mega-epidemia", projetou.

Na avaliação do ex-ministro, a nova variante do coronavírus se apresenta como a “quinta crise” vivida pelo Brasil durante a pandemia, sendo as outras quatro: sabotagem de Bolsonaro às medidas preventivas, defesa do uso da cloroquina que “contaminou a política do tratamento, baixa testagem e discurso presidencial objetivando desestimular a vacinação contra a Covid-19.

Países restrigem viajantes brasileiros

Inicialmente detectada em Manaus, a cepa brasileira foi identificada pela primeira vez no dia 9 de janeiro, em viajantes que chegaram ao Japão depois de estarem na capital amazonense.

Além desses dois pontos, a mutação foi confirmada também em São Paulo e em muitos países como Estados Unidos, Itália e Alemanha. Até por isso, Portugal, EUA e Reino Unido já vetaram a entrada de brasileiros no país.

Além da variante brasileira, circulam, de acordo com especialistas, duas mutações com indícios de maior transmissibilidade: uma britânica (encontrada em 70 países) e outra sul-africana (detectada em ao menos 31 países).