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Lucros na Bolsa disparam mais de 80% no 1º trimestre

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*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráficos na Bolsa de Valores. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráficos na Bolsa de Valores. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Impulsionado pela forte alta nos preços das commodities no início do ano, o lucro das empresas com ações listadas em Bolsa saltou quase 85% no primeiro trimestre de 2022, na comparação com igual período do ano passado.

As companhias brasileiras de capital aberto reportaram um lucro consolidado de R$ 170 bilhões de janeiro a março deste ano, contra R$ 92,5 bilhões no mesmo intervalo de 2021 (em valores nominais, sem considerar a inflação), uma alta de cerca de 83,5%, segundo levantamento da plataforma Economatica.

Entre os maiores lucros do período, três grandes exportadoras de commodities --Petrobras (que viu o lucro saltar mais de 3.700% em bases anuais, para R$ 44,5 bilhões), Vale e Suzano-- se destacam à frente das demais, em um cenário de inflação pressionada em escala global na esteira da alta nos preços das matérias-primas.

Os lucros dos grandes bancos, que se beneficiam de um cenário de alta dos juros, com aumento da rentabilidade nas carteiras, também estiveram entre os destaques positivos no primeiro trimestre.

Já as empresas de consumo e varejo reportaram, na média, resultados considerados fracos pelos analistas, frente a uma atividade econômica que demonstra dificuldades para engatar uma recuperação mais consistente.

O setor da construção civil, que vê a demanda arrefecer com a alta da Selic e, por consequência, dos financiamentos imobiliários, também aparece entre os destaques negativos da temporada de balanços.

Tanto no caso das empresas de varejo, como no das construtoras, a alta dos insumos, e a dificuldade de fazer o repasse integral ao cliente final em um ambiente de economia ainda fragilizada, também contribuíram para os resultados fracos.

Cerca de 60% das empresas apresentaram lucros que superaram as estimativas dos analistas de mercado

Segundo análise da XP, em linhas gerais, os números apresentados vieram, em sua maioria, acima do esperado, com cerca de 60% das empresas com lucro operacional que superaram as expectativas indicadas pelo consenso dos analistas de mercado.

Estrategista de ações da XP, Jennie Li diz que, além do grande destaque positivo para as commodities, os bancos, e em especial Itaú e BB (Banco do Brasil), foram os que mais se sobressaíram em relação ao esperado, com expansão robusta das carteiras de crédito em linhas mais rentáveis, como cartão de crédito.

Já o Santander foi o que entregou os resultados considerados mais fracos na comparação com os pares, com crescimento apenas modesto do lucro no período, acrescenta Victor Penna, analista do BB Investimentos.

Os especialistas avaliam que o ponto de atenção que fica para os próximos balanços no caso das instituições financeiras é em relação a como se dará o avanço da inadimplência, em um cenário de inflação ainda elevada e alta dos juros.

A analista da XP afirma ainda que o setor de shoppings, com nomes como Iguatemi e BR Malls, que se beneficiou da redução das restrições de circulação de pessoas nos últimos meses, também aparece entre os destaques positivos.

Principalmente no caso daqueles mais focados na alta renda, com lojas como Arezzo, Grupo Soma e Vivara, em que o poder de consumo dos clientes acaba demonstrando uma resiliência maior do que a média, acrescenta a especialista.

Empresas de comércio eletrônico de atuação mais abrangente, por sua vez, sentiram mais os impactos do ritmo lento de recuperação da atividade econômica, como Magazine Luiza e Via.

"Com a provável continuidade do ciclo de alta dos juros, frente a uma inflação persistente, as varejistas tendem a seguir com os números mais pressionados nos próximos trimestres", diz Jennie.

Ainda dentro da temática de volta da mobilidade, Penna, do BB Investimentos, destaca os números considerados positivos das locadoras de veículos, como Movida e Localiza.

Também no setor de transportes, prossegue o analista, as companhias aéreas, embora tenham experimentado um aumento da demanda dos passageiros, têm sofrido de um modo geral com a alta no preço dos combustíveis, com resultados classificados como neutros.

Penna diz ainda que, entre as produtoras de commodities, além do destaque principal para o forte aumento no lucro da Petrobras, no embalo da alta no preço do petróleo no mercado internacional, a Gerdau também conseguiu apresentar números considerados positivos, embalados pela operação nos Estados Unidos.

O analista acrescenta ainda ter sido surpreendido positivamente pelo desempenho apresentado pela Suzano, que soube se valer da alta da celulose e de estratégias com derivativos para se proteger da volatilidade cambial.

Pressão de custos e dificuldade de repasse ao consumidor penalizaram construtoras e varejistas

"De modo geral, os números vieram em linha com o que estávamos esperando, o que, por si só, vemos como uma boa notícia, tendo em vista tantas incertezas no cenário, com a alta de juros no exterior e a guerra na Ucrânia", diz Pedro Serra, chefe de pesquisa da Ativa Investimentos.

As construtoras de uma forma geral, com destaque negativo para os números da Tenda, e as empresas do setor de consumo, como a BRF, são apontadas pelo especialista dentre aquelas que mais sofreram com o aumento dos custos vinculados às matérias-primas, como aço e grãos para ração animal, respectivamente, e a dificuldade de fazer o repasse integral para os consumidores.

Empresas do ramo de saúde, como Hapvida e Rede D´Or, também mostraram números considerados negativos pelos analistas, com o aumento de casos de Covid-19 no primeiro trimestre e da sinistralidade ainda gerando uma pressão sobre os custos das operações e corrosão das margens.

Entre os pontos positivos da temporada, Serra aponta o setor de educação, com destaque para a Yduqs, que, assim como os shoppings, também tem conseguido tirar um bom proveito da diminuição nas restrições de mobilidade e do retorno às salas de aula.

O especialista da Ativa avalia que, considerados somente os resultados reportados no primeiro trimestre, a Bolsa de Valores local deveria estar em patamar até acima do que se encontra atualmente, ao redor dos 110 mil pontos.

"Fatores externos, contudo, como o aperto das condições monetárias em escala global, os novos lockdowns na China, e os conflitos no Leste Europeu, com a saída de capital estrangeiro do mercado local nas últimas semanas, acabam pressionando negativamente as ações", diz Serra.

Na mesma linha, Penna, do BB Investimentos, diz que não vê no momento gatilhos que possam levar a Bolsa a níveis muito acima dos atuais. "Em termos de múltiplos, têm algumas empresas com as ações bastante amassadas, mas não vejo o mercado precificando uma melhora por conta dos balanços, com um receio crescente entre os investidores sobre o risco de recessão global."

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