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Lucro do IRB foi afetado positivamente por venda de participação em shopping

Ana Paula Ragazzi

O lucro de R$ 13,874 milhões foi afetado por um ganho de capital em venda do ParkShopping, que aconteceu em 2020 O lucro de R$ 13,874 milhões no primeiro trimestre de 2020 divulgado pelo IRB foi afetado positivamente por um ganho de capital em venda do ParkShopping, que aconteceu em 2020. Werner Suffert, vice-presidente financeiro do ressegurador, afirmou em teleconferência com jornalistas nesta terça-feira que essa operação faz parte dos ajustes feitos pela empresa em seus resultados.

Silvia Costanti/Valor

Segundo ele, essa operação estava contabilizada anteriormente em 2019, mas houve uma reversão para o ano de 2020 porque a venda efetivamente aconteceu em 2020. Com isso, houve efeito positivo da ordem de R$ 100 milhões. O IRB já havia informado à reguladora Susep que acumulava prejuízo de R$ 110,6 milhões em janeiro e fevereiro deste ano. O resultado da venda da participação zerou a perda, portanto.

Com relação aos efeitos da revisão dos resultados, os executivos informaram que o principal item não recorrente de 2019 foi também ganho de capital da venda de outros shoppings, que somou R$ 388 milhões, já líquido de imposto. Os executivos destacaram que impacto maior na revisão dos resultados foi em sinistros.

Antonio Cassio dos Santos, que acumula a presidência da empresa e de seu conselho, explicou que existiam sinistros que não estavam em lugar nenhum dentro dos registros da companhia e explicou o que aconteceu do ponto de vista mecânico da contabilidade.

“O primeiro fato que você tem que olhar é a cara do sinistro e dizer quando ele ocorreu e quando ele foi avisado pela companhia. Depois, a pergunta que se faz é se há embasamento técnico para julgar algum valor para esse sinistro. Quando você tem essa três perguntas respondidas, você aloca o sinistro onde de fato ele ocorreu”, afirma o executivo.

O movimento feito no balanço do IRB foi esse, de pegar os sinistros que estavam no lugar errado, ou não estavam, e alocá-los no lugar certo. “Ao fazer esse movimento, o que detectamos é que ele aumenta, porque colocamos sob à luz tudo aquilo que não estava”, afirmou destacando que a empresa está sendo o mais transparente possível, “ao mesmo tempo que estamos colocando tudo dentro da contabilidade que impacta o ano anterior, ele aumenta na mesma proporção a necessidade de ativos garantidores. É simétrico”, reforçou.

Desenquadramento técnico

O IRB informou que uma parte grande do desenquadramento técnico da empresa, que gerou uma fiscalização especial da Susep, tem a ver com os ajustes que precisaram ser feitos nos balanços de 2019 e 2018.

Os dados apresentados pela empresa mostraram que o problema já existia em dezembro de 2019, quando a insuficiência das provisões era de R$ 1,4 bilhão. Em março de 2020, ela cresceu para R$ 2,1 bilhões, impactada também pela desvalorização do real.

Questionado, Werner Suffert não informou qual seria esse valor hoje. Ele ressaltou que a maior puxada do câmbio foi em março, o efeito câmbio foi maior no primeiro trimestre e já está representando. “O número atualizado do desenquadramento não podemos passar”, afirmou.

A solução para resolver o problema, destacou Cassio, passa pela contratação do Bradesco BBI e do Itaú BBA para uma capitalização da empresa. O executivo destacou que chegou a olhar uma operação de dívida em abril, mas na crise atual, as taxas de juros estavam exorbitantes e a empresa preferiu não acessar o mercado por não ter problemas de solvência.

“Concluímos que o custo da operação era absurdo e pensamos em estruturar algo mais definitivo”, ele disse. A empresa espera concluir uma capitalização até setembro. “Com o processo de capitalização e a conversão de ativos livres em ativos garantidores criaremos um colchão na companhia suficiente não só para arrumar o enquadramento regulatório como para estabelecer bases para o desenvolvimento futuro da empresa”, afirmou o executivo.

“Sem termos essa verdade, a gente não conseguiria salvar a empresa. Optamos pela verdade para fazer com que a companhia possa seguir sua trajetória de 81 anos e chegar a 100 anos provavelmente nas mãos de outras pessoas, pois já estamos um pouco velhos”, afirmou Cassio dos Santos.

Segundo ele, a missão da nova gestão é conduzir essa companhia, por um lado, a um porto seguro, “mas, como diz o filósofo, um barco não existe para ficar num porto seguro”. “E no nosso negócio, nós vivemos de volatilidade. O nosso negócio é estar com as velas postas e em alto mar”, disse.