Mercado fechado

Lucro dos bancos tem alta de 20% e chega a R$ 138 bi no acumulado de 12 meses até junho, diz BC

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os bancos registraram lucro líquido de R$ 138 bilhões no acumulado de 12 meses até junho deste ano, alta de 20% em relação ao mesmo intervalo até junho de 2021, segundo dados do relatório de estabilidade financeira divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira (3).

O documento também mostra que o montante é 5% superior ao registrado em 2021, quando os bancos alcançaram lucro de R$ 132 bilhões.

De acordo com a autoridade monetária, a rentabilidade do sistema bancário se manteve estável no primeiro semestre deste ano e, após recuperação em 2021, se consolidou próxima dos níveis pré-pandemia. No relatório, o BC indicou que o crescimento da receita líquida de juros e ganhos de eficiência explicam a sustentação dos resultados.

Para o BC, os resultados do sistema devem continuar resilientes, embora existam incertezas relativas ao cenário econômico no médio prazo.

"A rentabilidade do sistema deve se manter resiliente, mas o cenário econômico, marcado por condições financeiras restritivas e inflação elevada, exige atenção por parte das instituições. Eventual piora da atividade econômica e deterioração da qualidade do crédito pode afetar os resultados dos bancos à frente", disse o BC no documento.

A autarquia também informou que se reduziu o ritmo de crescimento das receitas de serviços, enquanto as despesas administrativas seguem sob controle, apesar das pressões inflacionárias.

"A receita de serviços vem aumentando nominalmente, mas hoje o ritmo de crescimento das receitas está abaixo do índice de inflação, isso traz algum impacto. Mas os bancos têm conseguido manter o ritmo de crescimento das despesas administrativas e das despesas com pessoal também inferior ao crescimento nominal dessas despesas", afirmou o diretor de Fiscalização do BC, Paulo Souza.

No relatório, o BC destacou que o Pix continua aumentando sua relevância no sistema financeiro e no sistema de pagamentos brasileiro e que 99% das transações foram liquidadas em menos de um segundo.

De acordo com a autoridade monetária, o crescimento mensal do volume de operações via Pix foi, em média, de cerca de 5%. "A maior parte das transações continua sendo entre pessoas, havendo potencial para expansão nos demais casos de uso", afirmou.

O BC disse ainda que o crédito bancário para pessoas físicas manteve o ritmo elevado de crescimento ao longo do semestre, sobretudo no crédito não consignado e no cartão de crédito, e que a renda das famílias está cada vez mais comprometida com dívidas mais onerosas, ou seja, aquelas que possuem taxas de juros mais elevadas.

"Em relação ao comprometimento da renda, a gente percebeu que teve uma discreta piora, logicamente no serviço da dívida de cartão e do crédito não consignado é maior, mas ainda em níveis abaixo do que a gente tinha antes da pandemia. Não é uma preocupação, mas é um alerta ao sistema financeiro de preservar na qualidade das concessões", disse Souza.

De acordo com o diretor do BC, a autoridade monetária vem alertando o sistema nas atas do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) para continuar atento à qualidade das concessões de crédito. "A gente percebe um aumento do crédito problemático no crédito consignado, no cartão de crédito e também na parte de veículos", ressaltou.

O diretor destacou também que a materialização de risco aumentou, mas o nível de provisões continua acima das perdas esperadas.

As análises e testes de estresse realizados pelo BC continuam demonstrando a resiliência da base de capital e da liquidez do sistema bancário. De acordo com a autoridade monetária, a evolução do sistema está em linha com o avanço do PIB (Produto Interno Bruto).