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Lucro da P&G sobe 16% e atinge US$ 3,71 bilhões no 2º tri fiscal

Alexandre Melo

De setembro a dezembro de 2019, a receita da companhia somou US$ 18,24 bilhões A Procter & Gamble (P&G), dona das fraldas Pampers e das lâminas Gillette, teve lucro atribuído aos controladores de US$ 3,71 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2020, encerrado em dezembro do ano passado. O crescimento foi de 16%.

Ramin Talaie/Bloomberg

O lucro por ação da fabricante de bens de consumo americana ficou em US$ 1,41, acima do consenso dos analistas, que aguardavam um crescimento menor, de US$ 1,37.

De setembro a dezembro de 2019, a receita da companhia somou US$ 18,24 bilhões, aumento de 5% na comparação com igual período do ano fiscal anterior. Analistas estimavam receita maior para a P&G no período, de US$ 18,37 bilhões. O custo dos produtos vendidos caiu 1%, a US$ 8,86 bilhões.

O fluxo de caixa operacional no segundo trimestre atingiu US$ 4,48 bilhões, crescimento de 15%. No período, foram pagos US$ 1,9 bilhão em dividendos.

“Nossos fortes resultados no primeiro semestre nos permitem aumentar ainda mais nossas perspectivas para o ano fiscal completo em cada uma dessas métricas e elevar nosso compromisso de retorno aos acionistas”, disse David Taylor, presidente da P&G, em comunicado.

Para o ano fiscal de 2020, a companhia, que também detém as marcas de sabão líquido Ariel e de saúde bucal Oral-B, elevou a projeção de alta na receita para o intervalo entre 4% e 5% — anteriormente, a faixa era estava entre 3% e 5%.

Também foi revisada para cima a meta de lucro para o período, que passou do intervalo entre 5% e 10% para atuais 8% a 11%, quando comparado com o ano fiscal de 2019.

A P&G espera pagar mais de US$ 7,5 bilhões em dividendos e recomprar de US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões em ações ordinárias neste exercício fiscal.

Desafios

As vendas da P&G ficaram abaixo da expectativa dos analistas no segundo trimestre fiscal de 2020. No período, o desempenho da fabricante foi 5% maior em base anual, mas, na categoria de fraldas, absorventes e cuidados com a família, subiu 1%.

Cálculos dos analistas indicavam que a receita seria de US$ 18,37 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado, mas o reportado foi de US$ 18,24 bilhões, aumento de 5% ante igual período de 2018.

As vendas das fraldas Pampers caíram entre 1% e 3% no trimestre devido à concorrência acirrada e à contração em alguns mercados. Os produtos integram a segunda maior categoria da empresa, com vendas de US$ 4,58 bilhões, alta de 1%.

Jon Moeller, diretor financeiro da P&G, afirmou em teleconferência que houve queda do nível de estoque no Japão, após um aumento dos impostos sobre as vendas que aconteceu em outubro do ano passado.

No geral, o volume de unidades vendidas de fraldas, absorventes e produtos de cuidados com a família ficou estável ante o segundo trimestre fiscal de 2019, mas houve procura maior pelo modelo de fralda “roupinha”, que no Brasil é vendido principalmente no Nordeste.

A P&G lidera o mercado brasileiro de fraldas, que representam cerca de 40% das vendas da subsidiária. A categoria cresce lentamente no país, segundo a Euromonitor International. Em 2018, as vendas foram 1,41% maiores e a perspectiva de avanço é de 16,47% até 2023.

Globalmente, as vendas dos absorventes Always e Tampax subiram cerca de 5%, ajudadas por lançamentos de itens com mais inovação e campanhas de marketing. Já as marcas de papel toalha Bouny, do papel higiênico Charmin e do lenço facial Puffs avançaram entre 1% e 3%.

Na principal categoria para vendas, de cuidados com o lar e lava-roupas — que abrange as marcas Ariel, Downy, Mr. Clean e Joy, as vendas totalizaram US$ 5,78 bilhões no trimestre, alta de 4%. O volume vendido foi 3% maior.

As vendas de produtos do segmento de beleza como Aussie, Pantene, Old Spice e Head & Shoulders, foram 7% maiores, a US$ 3,59 bilhões e o volume cresceu 5%.

Moeller também disse aos analistas que a P&G enfrentou um cenário mais “desafiador” em mercados emergentes como a Índia, Nigéria, Argentina e Chile.