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Lucas Penteado defende aulas de identidade de gênero nas escolas para frear suicídio entre jovens: 'Eu mesmo perdi uma amiga'

·4 minuto de leitura

Em apenas 13 dias de confinamento, Lucas Penteado, de 24 anos, deixou sua marca na história do “Big Brother Brasil’’. Depois de dar um beijaço no participante Gil do Vigor, o ator e vocalista da banda Triplxs, que mistura rock com poesia e slam, acendeu um debate sobre bifobia. Hoje, passados mais de sete meses do episódio, Lucas, que está noivo de uma mulher, afirma estar cada vez mais bem resolvido com sua orientação sexual e, também, disposto a lutar contra todo tipo de preconceito. Nesta data em que se celebra o Dia da Visibilidade Bissexual, o artista, que vai apresentar um programa sobre o funk paulista ‘O Fluxo’ no Multishow, com estreia prevista para novembro, fala sobre racismo, bifobia e miltância na periferia.

No “BBB’’, você sofreu bifobia por parte dos outros confinados. Mesmo dentro da comunidade LGBTQIAP+, a bissexualidade é vista como indecisão ou falta de coragem para se assumir homossexual. O que acha disso?

A parada que eu quero dizer pra todos é: deixa que cada um seja seu próprio fiscal de coração, de desejo e de emoção. E isso vai principalmente para a comunidade LGBTQIAP+, porque se todos nós que sofremos estivermos unidos, sofreremos menos. O discurso bifóbico deixa a comunidade muito próxima da heteronormatividade que impõe “caixinhas’’. Isso não cabe, não liberta. É preciso que estejamos unidos para sermos mais fortes.

Você “saiu do armário’’ no “BBB’’?

Minha sexualidade não era escondida. Meus pais desconfiavam. Todos os meus amigos sabiam, e eu só fazia questão de contar para as pessoas que me olhavam. Isso que é importante para mim. Eu já era livre para mim mesmo, e isso é libertador. Eu quebro o machismo por dentro, sabe? Eu não tenho o típico estereótipo LGBTQIAP+. Sou maloqueiro! Por isso, não sofria preconceitos. Minha sexualidade era visível de cara? Não era.

Mas após sair do “BBB’’, sofreu muito preconceito no lugar onde vive, na periferia?

Preconceito sempre tem. A periferia parece ser mais preconceituosa, e isso é resultado da carência acadêmica. Por desconhecerem todas as estruturas que formam o pensamento social, o periférico tem a tendência de ser mais agressivo no que defende. Já dentro do “BBB’’, acredito que sofri uma bifobia racista, pois a casa era bem diversa e tinham várias comunidade representadas. O meu sentimento foi questionado com discurso sofisticado, enquanto o selinho do Fiuk com o Gil foi chamado de fofo.

Você é LGBTQIAP+, periférico, e negro. Qual das exclusões que você sofre é a mais cruel?

A junção delas. Meu pai, certa vez, disse que ser negro é pior, porque a gente nasce negro. Mas rebati afirmando que nasci bissexual também. Fui me reconhecendo negro e bi. Descobri essas identidades do modo mais doloroso, quando era tachado de errado e de diferente. Na primeira fase do ensino fundamental, eu era nerdzinho, sempre estudando. Mas não recebia elogios, a professora não ia a minha mesa, e eu não entendia o porquê. Falei com minha mãe e ela se revoltou, até troquei de sala. Nessa ocasião, foi a primeira vez que ouvi o termo racismo. Fui pesquisar sobre o assunto e a primeira coisa que veio foi Apartheid. Caí na real. Ao tomar conhecimento da estrutura, o engajamento na causa foi automático.

Como se descobriu bissexual?

Comecei experimentando, a minha descoberta veio depois. Eu ficava com meninos e meninas, daí reparei que gostava dos dois e não era algo de momento. Os meus amigos todos sabiam. Eu já contei desde sempre para as pessoas de quem eu gostava e que me amavam. Muita gente ainda questiona a minha sexualidade, e aí eu me ofendo quando perguntam. Geralmente, elas desconfiam por causa do meu estereótipo, mas o jeito que sou não descreve quem eu amo.

Você tem um histórico pessoal de luta por pautas educacionais. Como a educação poderia ajudar nas questões relacionadas ao machismo, à homofobia e à transfobia?

Deveria ser obrigatório em todas as escolas uma matéria sobre identidade e igualdade de gênero e orientação sexual. Justifico essa ideia com o conceito de banzo, que era quando negros escravizados, que não aceitavam essa condição, entravam em um profundo estado de melancolia que levava à morte. Hoje, acontece situação parecida com jovens LGBTQIAP+, que se suicidam por sofrerem rejeição. O setembro amarelo alerta para isso. Eu mesmo perdi uma amiga, que se matou por, simplesmente, não poder amar. Se tivesse esses mecanismos de informação próximo dessas pessoas, penso que não haveria tantos ataques aos nossos corpos.

Muita gente procura você para partilhar angústias sobre sexualidade?

Bastante, principalmente ex-hétero. Mais há muitos bi, minas, mona, trans que já vieram conversar comigo. Pessoas que eu nem conheço choraram partilhando suas vidas e sofrimentos. Fico feliz pela confiança. Quero que a união nos transforme. Nada vai deter a gente. Ver todas as pessoas excluídas sendo felizes e conquistando os seus espaços é o meu sonho, e vou fazer o possível para isso. “I have a dream’’ (Eu tenho um sonho), como dizia nosso mestre Martin Luther King.

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