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Luas de exoplanetas podem nos ajudar a encontrar "irmãos habitáveis" da Terra

·3 minuto de leitura

Os astrônomos seguem estudando exoplanetas em busca de algum “irmão” da Terra, que tenha condições para a existência de vida. Agora, uma equipe de pesquisadores sugere fazer essa busca com foco nas exoluas, já que os satélites naturais na órbita de exoplanetas podem influenciar a habitabilidade desses mundos — e eles identificaram uma forma de encontrá-las mesmo em sistemas distantes. Assim, a ideia do estudo não era apenas encontrar essas luas, mas determinar a longevidade delas, característica que também influencia a ocorrência de condições para a vida nestes mundos.

O novo estudo contou com Siegfried Eggl, professor assistente na Universidade de Washington, que ressalta haver uma média de 20 luas orbitando os planetas do Sistema Solar. “Assim, suspeitamos que existem luas ao redor dos planetas de outros sistemas, já que não há motivos para que não existam”, disse ele. Recentemente, observações realizadas com o telescópio chileno Atacama Large Millimeter Array (ALMA) mostraram o que parecem ser evidências de luas se formando na órbita do planeta PDS 70c.

O sistema PDS 70, com detalhe que mostra o planeta e o disco circumplanetário que pode formar novas luas (Imagem: Reprodução/ALMA/ESO/NAOJ/NRAO/Benisty)
O sistema PDS 70, com detalhe que mostra o planeta e o disco circumplanetário que pode formar novas luas (Imagem: Reprodução/ALMA/ESO/NAOJ/NRAO/Benisty)

Agora, o próximo passo é encontrar luas em torno de planetas com duas estrelas, mas o problema é que, embora os planetas de outros sistemas estelares possam ser identificados com grandes telescópios, luas são pequenas demais para isso. “Sabemos que elas estão lá, só precisamos procurar melhor”, comentou ele. “Como é muito difícil vê-las, identificamos uma forma de detectá-las através do efeito que têm no planeta”.

Os pesquisadores usaram o método de variação de tempo de trânsito (TTV) para procurar luas no sistema de Alpha Centauri, formado por três estrelas e pelo menos dois planetas. O TTV coleta medidas das pequenas forças que os corpos exercem uns nos outros conforme viajam em suas órbitas; assim, quando o planeta passa à frente da estrela, ele causa uma pequena queda no brilho dela. Se houver outro objeto exercendo força no planeta, o tempo desse escurecimento irá apresentar variações.

Ainda, se o planeta tiver uma lua, ela irá exercer um pouco de força, que fará com que o planeta tenha um pequeno movimento, e essa “tremulação” pode ser suficiente para alterar o tempo de escurecimento da luz da estrela enquanto o planeta passa à frente dela. Assim, se essas pequenas variações forem detectadas, é possível obter novas informações sobe as características do sistema. “Essa é uma prova indireta de haver uma lua, porque não há mais nada que possa atrair o planeta dessa forma”, disse o autor.

Para utilizar o método, os pesquisadores determinaram as ressonâncias orbitais do sistema que estudaram, e notaram que quando as luas e planetas têm órbitas levemente elípticas, eles não se movem sempre à mesma velocidade. Contudo, eles concluíram haver estabilidade o suficiente para motivar a busca por exoluas na órbita de planetas em sistemas binários. Por fim, Eggl considera que os resultados mostram que, talvez, o Sistema Solar não seja tão especial quanto gostamos de pensar que é. “Se pudermos usar esse método para mostrar que existem outras luas lá fora, provavelmente existem outros sistemas como o nosso”, explicou.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astronomical Journal.

Fonte: Canaltech

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