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Lua Titã está se afastando de Saturno cem vezes mais depressa que o esperado

Daniele Cavalcante
·3 minutos de leitura

A órbita de Titã, a maior lua de Saturno e a segunda maior de todo o Sistema Solar, está se expandindo a uma velocidade muito mais rápida do que o esperado. Não é uma velocidade muito extraordinária - apenas 11 centímetros por ano -, mas isso é 100 vezes mais veloz do que os cientistas calculavam. Essa descoberta foi realizada por um grupo de astrônomos de diversos países e publicada na segunda-feira (8) na revista Nature Astronomy. Nesse ritmo, Titã deixará Saturno em cerca de 5 bilhões de anos.

O afastamento em si não é nenhuma novidade. Isso acontece também com a nossa própria Lua, por exemplo, que se afasta da Terra a uma velocidade de apenas 4 centímetros por ano. Mas os pesquisadores não esperavam que a velocidade de expansão da órbita de Titã fosse quase o triplo disso. Na verdade, considerando as proporções planetárias desta lua (Titã é quase do tamanho de Marte), ela deveria retroceder apenas 0,1 centímetro por ano.

No entanto, um artigo foi publicado há alguns anos, sugerindo que as coisas poderiam acontecer muito mais rapidamente, e que as luas de Saturno poderiam estar se afastando a uma velocidade maior. Agora, após décadas de medições e cálculos, os cientistas não apenas descobriram a velocidade real, como também sugerem que Titã nasceu muito mais perto de Saturno e migrou para sua distância atual de 1,2 milhão de quilômetros ao longo de 4,5 bilhões de anos.

"A maioria dos trabalhos anteriores previu que luas como Titã ou Calisto, de Júpiter, foram formadas a uma distância orbital semelhante à que as vemos agora", explicou Jim Fuller, professor assistente do Instituto de Tecnologia da Califórnia e coautor do artigo. "[A nova pesquisa] implica que o sistema lunar de Saturno, e potencialmente seus anéis, se formaram e evoluíram mais dinamicamente do que se acreditava anteriormente", concluiu.

Imagem em infravermelho mostra o Sol brilhando nos lagos polares de Titã (Foto: NASA)
Imagem em infravermelho mostra o Sol brilhando nos lagos polares de Titã (Foto: NASA)

Para descobrir isso, eles usaram dados da missão Cassini, que orbitou Saturno por 13 anos e passou muito perto de Titã por mais de cem vezes. Usando dados de rádio da espaçonave, eles puderam medir a posição da lua com uma precisão muito alta e, assim, determinar exatamente onde estava Titã todas as vezes que a sonda passou por perto.

Eles também usaram observações telescópicas de satélites terrestres, combinando com os dados de rádio de Titã. Com isso, foram capazes de medir com que intensidade Saturno afeta suas luas através das marés - ou seja, os efeitos que as interações gravitacionais entre os corpos causam nos seus movimentos. Eles descobriram que as forças das marés das luas agem de maneira diferente do que se pensava, quando se trata de Saturno.

Na maioria dos casos, as marés criam atrito dentro de um mundo, o que gera calor, e isso é dissipado por todo o planeta, diminuindo o efeito. Mas a pesquisa indica que Titã cria uma ressonância dentro de Saturno, bombeando energia para ele com mais eficiência. Então, o movimento orbital de Titã se sincroniza com os movimentos dentro de Saturno, aumentando a eficiência do processo de maré.

Se for verdade que Titã se formou mais perto de Saturno, os cientistas terão uma nova compreensão de onde as luas se formaram e de como os anéis magníficos de Saturno se formaram e evoluíram. Também fica evidente que, embora os pesquisadores entendam a física geral de como as marés funcionam, ainda é difícil prever quais são os efeitos detalhados delas em cada objeto no Sistema Solar e além.

Fonte: Canaltech