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Lua de Saturno Titã foi moldada pelas mesmas forças que a Terra

Titã, a maior lua de Saturno, em foto da Nasa tirada pela sonda Cassini

A maior das muitas luas de Saturno tem lagos, montanhas e dunas, e sua superfície foi marcada e esculpida por muitas das mesmas forças que moldaram a Terra, disseram cientistas nesta segunda-feira.

Uma equipe liderada por Rosaly Lopes no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) disse que o exterior visível de Titã é "um dos geologicamente mais diversos no Sistema Solar".

"Apesar das diferenças de materiais, temperaturas e campos de gravidade entre a Terra e Titã, muitas de suas características da superfície são semelhantes e podem ser interpretadas como produtos dos mesmos processos geológicos", disseram os cientistas em um artigo publicado na Nature Astronomy.

Usando dados de radar e infravermelho gerados pela sonda Cassini, que completou uma missão de 20 anos colidindo com Saturno em 2017, os cientistas disseram que poderiam preencher muitas das lacunas no mapeamento de Titã, a cerca de 1,2 bilhão de quilômetros da Terra.

Dunas e lagos, disseram, eram relativamente jovens, enquanto o terreno montanhoso parecia mais antigo.

A superfície de Titã foi esculpida pelo acúmulo e erosão de sedimentos e mostrou "clara variação latitudinal, com dunas no equador, planícies em latitudes médias e terrenos de labirinto e lagos nos polos", disseram.

A região ao redor do equador é árida, e Titã fica mais úmida perto dos polos.

Assim como a da Terra, a superfície de Titã foi marcada por crateras de impacto, erosão causada por líquidos e por ar, chuvas carregadas de metano, movimento de placas tectônicas e possível atividade vulcânica.

Alice Le Gall, membro da equipe e que trabalha na Universidade de Paris-Saclay, disse que Titã "é o único corpo extraterrestre conhecido a ter corpos líquidos em sua superfície".

O metano existe em três estados - sólido, líquido e gás - a temperaturas super frias. Ele produz um ciclo semelhante ao da chuva que cai na Terra para formar rios e lagos, e depois evaporar para formar nuvens novamente, disse Le Gall à AFP.