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Lua Fobos pode ter "sinais" em sua estrutura indicando o início de seu fim

As interações gravitacionais entre Marte e sua lua Fobos podem ter causado efeitos observáveis. É o que propõem astrônomos liderados por Bing Cheng, da Universidade de Tsinghua, na China, que concluíram que pelo menos parte dos “sulcos” paralelos na superfície de Fobos podem ser resultado de sua estrutura se fraturando, graças às marés gravitacionais.

Fobos é uma lua com 27 km de diâmetro, que orbita Marte em cerca de 7 horas e 39 minutos. Além de estar bastante próxima do Planeta Vermelho, ela está se aproximando dele 1,8 cm a cada ano. Com tanta proximidade, é bastante possível que as forças de maré causem efeitos capazes de fraturar sua estrutura.

Os "sulcos" na superfície da lua Fobos podem resultado de interações gravitacionais (Imagem: Reprodução/NASA)
Os "sulcos" na superfície da lua Fobos podem resultado de interações gravitacionais (Imagem: Reprodução/NASA)

Essas forças ocorrem em sistemas onde há interações gravitacionais, estendendo suas estruturas ao longo dos eixos dos objetos no sistema. Normalmente, os efeitos desta distorção em corpos sólidos são bem discretos — por exemplo, basta lembrar que, enquanto as dinâmicas das marés nos oceanos da Terra são claras, os efeitos em solo são bem menos óbvios.

No caso de Fobos e Marte, não está claro se a configuração atual de ambos e as marés poderiam realmente formar os sulcos observados nesta lua. Então, para estudar este cenário, os pesquisadores trabalharam com modelos computacionais tridimensionais, nos quais examinaram o “alongamento” e “compressão” de um corpo como Fobos, causado pelas forças das marés.

Eles realizaram centenas de simulações, e a maioria delas mostrou que as forças das marés faziam com que uma camada interior da lua acabasse rompida, sendo fraturada em faixas paralelas. Como resultado disso, o corpo ficaria com superfície repleta de “faixas” bastante similares aos sulcos observados em Fobos.

Entretanto, as previsões da área equatorial da lua não corresponderam aos sulcos observadas nela. Mesmo assim, os resultados indicam que pelo menos parte das “faixas” pode ser resultado das fraturas conforme Fobos segue em direção a Marte — e, se este for o caso, talvez estejamos observando o começo do fim deste satélite natural do Planeta Vermelho.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Planetary Science Journal.

Fonte: Canaltech

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