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Lua Fobos pode revelar se já houve vida em Marte — e Japão buscará as respostas

·3 minuto de leitura

A missão Mars 2020, da NASA, levou o rover Perseverance para coletar amostras do solo marciano em uma região bem específica: a cratera Jezero, onde, ao que tudo indica, houve um lago bilhões de anos atrás. Como a água é um dos principais ingredientes para a vida, faz sentido procurar por bioassinaturas ali, mas há um lugar que pode ser ainda mais promissor: a lua Fobos. E é lá onde a agência espacial japonesa JAXA pretende procurar por sinais de vida extinta em Marte, caso tenha existido.

Essa ideia parte da suposição de que as duas luas do Planeta Vermelho, Fobos e Deimos, contêm uma miríade de detritos do próprio planeta que orbitam. Na verdade, a hipótese mais provável sobre a formação dessas luas é semelhante à ideia mais aceita sobre a origem da nossa Lua: a de que esses satélites naturais se formaram após um grande impacto em seus planetas.

No caso da Terra, a hipótese provável é que, nos primeiros dias do Sistema Solar, um protoplaneta conhecido como Theia colidiu com nosso planeta. O impacto foi tão violento que arrancou parte da Terra e desintegrou o outro objeto; então, os destroços se aglutinaram e formaram a nossa Lua. No caso de Fobos e Deimos, os astrônomos cogitam que tenham surgido da mesma forma.

No entanto, esse não é o principal motivo para pousar em Fobos, e sim o fato de que essa lua deve ter recebido muitos fragmentos de Marte desde a sua formação. É que cada impacto significativo no Planeta Vermelho faz pedaços de rocha voarem para o espaço, muitos em direção à Terra, por exemplo. Estima-se que de todos os meteoritos encontrados e analisados em nosso planeta, aproximadamente 3% são considerados de origem marciana.

Se esses fragmentos chegam aos montes na Terra, devem ser muito mais comuns nas luas Fobos e Deimos. E considerando que Fobos é a lua mais interna, é fácil concluir que incontáveis pedaços de rocha marciana devem se misturar no regolito "fobiano", levando consigo possíveis bioassinaturas, isto é, traços deixados por alguma forma de vida microscópica.

Representação das luas Fobos e Deimos, com suas formas irregulares (Imagem: Reprodução/NASA)
Representação das luas Fobos e Deimos, com suas formas irregulares (Imagem: Reprodução/NASA)

Mesmo que esses organismos vivos tenham sido extintos há bilhões de anos, quando Marte perdeu sua atmosfera e deixou de ser um planeta favorável à vida, os rastros deixados para trás devem se conservar até hoje. A vantagem de procurá-los em Fobos é que os impactos em Marte ocorrem por toda a superfície do planeta, então as amostras que voam para a lua se tornam bastante rica em variedades. Lá, deve haver não apenas pedaços da cratera Jezero, mas de todas as regiões marcianas.

Simulações numéricas mostram que a fração de material marciano em meio às camadas mais externas de Fobos deve chegar a 1 milhão de toneladas, fazendo dessa lua um verdadeiro laboratório para pesquisadores que buscam pistas de vidas marcianas extintas. Por isso, os cientistas japoneses a apelidaram as possíveis bioassinaturas de SHIGAI, acrônimo para Sterilized and Harshly Irradiated Genes and Ancient Imprints (ou simplesmente "restos mortais", em japonês). Ao coletar amostras e trazê-la à Terra, eles poderão analisar materiais de diferentes épocas e diferentes locais na superfície de Marte.

Embora não seja nada simples coletar amostras da superfície de um corpo pequeno como Fobos, que tem um raio de apenas 11,267 km, a JAXA tem experiência no assunto — a agência japonesa já enviou as missões Hayabusa e Hayabusa 2, que trouxeram amostras dos asteroides Itokawa e Ryugu. Assim, a missão Martian Moons eXploration (MMX) já foi aprovada e está planejada para lançamento em 2024.

A missão foi anunciada em 2015 e pretende pousar suavemente em Fobos duas vezes para obter amostras de locais diferentes, o que daria material de origens mais diversas e aleatórias. Uma vez que um conjunto suficientemente de amostras for coletado, a nave não tripulada vai decolar, voar por Deimos inúmeras vezes, e depois observar Marte antes de enviar o Módulo de Retorno com as amostras para a Terra. Ele deve chegar ao nosso planeta em julho de 2029, trazendo a esperança de finalmente respondermos a inquietante pergunta: existe — ou existiu — vida em Marte?

Fonte: Canaltech

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