Mais longa linha de TAV do mundo liga Pequim a Cantão a partir de amanhã

Pequim, 25 dez (EFE).- A China inaugura amanhã a mais longa linha férrea de trens de alta velocidade do mundo - cujo percurso de 2.298 quilômetros entre Pequim e Cantão deverá ser completado em oito horas - e se consolidará como líder mundial no uso de "trens-bala".

Com a inauguração, que coincide com o 119º aniversário do nascimento de Mao Tsé-tung, as autoridades chinesas batem seu próprio recorde de extensão de uma linha desse tipo, já que a atual mais longa do mundo é a que une Pequim a Xangai, de 1.318 quilômetros.

A nova infraestrutura ligará a capital chinesa à cidade mais próspera do sul do país em 12 horas a menos que os trens convencionais, e também serão importantes suas conexões com as principais cidades do interior da China (entre elas Shijiazhuang, Zhengzhou, Wuhan e Changsha).

Metade da linha (entre Zhenzghou, no centro da China, e Cantão, no sul) já estava em funcionamento, e amanhã será aberto o setor norte desta, entre Pequim e Zhengzhou, culminando um trajeto que passará por seis províncias chinesas nas quais vive quase a metade da população nacional (600 milhões de pessoas).

Recentemente foi inaugurada outra importante linha, entre Pequim e Harbin (vizinha à Rússia), a primeira do planeta na qual os trens-bala circulam por montanhas.

Os trens entre Pequim e Cantão, que cruzarão os dois maiores rios do país (Yang Tsé e Amarelo) trafegarão em duas velocidades (250 e 300 km/h), e as passagens custarão, dependendo deste parâmetro, 700 ou 800 iuanes (R$ 234 a R$ 267) para a classe turística, ou o dobro nos vagões de luxo.

A nova linha leva as companhias aéreas a se preocupar com a concorrência, apesar de especialistas acreditarem que muitos viajantes continuarão a usar o avião para trechos que superarem mil quilômetros, e optarão pelo trem só para as viagens intermediárias.

Para reduzir possíveis perdas, como ocorreu no ano passado com a inauguração da linha Pequim-Xangai, muitas linhas aéreas chinesas começaram a baixar os preços de muitos trajetos com os quais a linha Pequim-Cantão fará concorrência, o que não evitou o êxito inicial na venda de passagens de trem-bala (30 mil nos três primeiros dias em que foram disponibilizadas).

O trecho Pequim-Cantão representa um novo capítulo na aposta do país asiático em trens de alta velocidade, cuja tecnologia já exporta a outros países (como Arábia Saudita ou as nações da Ásia Central), apesar de o prestígio dos trens-bala chineses ter ficado comprometido com o primeiro acidente mortal deste transporte no país.

A colisão de dois trens de alta velocidade em julho do ano passado, que deixou 40 mortos, levantou suspeitas em torno da rapidez com a qual China construiu a maior rede mundial, em quatro anos e partindo do zero.

Após aquele acidente, que motivou muitas críticas também pela falta de informações e a gestão dos trabalhos de resgate, Pequim decidiu desacelerar a construção de novas linhas, também levando em conta que o ministro de Ferrovias anterior, Liu Zhijun, será julgado por corrupção no processo de construção desta rede.

Na viagem de teste do trem Pequim-Cantão para jornalistas chineses e estrangeiros, no último sábado, o primeiro trem partiu com 20 minutos de atraso e chegou meia hora depois do previsto, o que já começou a originar os mesmos receios que no ano passado acompanharam ao Pequim-Xangai, que nos primeiros dias teve muitos atrasos. EFE

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