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Londres e Bruxelas aproximam posições em diálogo pós-Brexit mas diferenças persistem

Aldo GAMBOA
·3 minuto de leitura
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen

Equipes negociadoras da União Europeia (UE) e do Reino Unido continuavam nesta quarta-feira (16), em Bruxelas, sua busca por um acordo sobre a relação comercial pós-Brexit e até teriam encontrado um "caminho", embora persistam divergências significativas envolvendo a questão dos direitos de pesca.

Os próximos dias serão "decisivos" nas negociações entre UE e Reino Unido sobre sua relação pós-Brexit, afirmou nesta quarta-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já que os avanços registrados são insuficientes para alcançar um acordo antes do prazo-limite de 31 de dezembro.

"Às vezes, temos a sensação de que não conseguiremos resolver estas questões. Mas devemos continuar tentando encontrar uma solução. É a única ação responsável e correta. Os próximos dias serão decisivos", discursou Von der Leyen no Parlamento Europeu.

"E eu sei que já falei isso várias vezes, sei que as datas-limites foram superadas algumas vezes", admitiu.

No discurso, a alemã afirmou que, "da maneira como as coisas estão atualmente, não posso dizer se teremos um acordo, ou não. Mas posso dizer que há um caminho. É um caminho muito estreito, mas existe".

Von der Leyen e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, decidiram no domingo que as equipes de negociadores deveriam prosseguir em Bruxelas na busca de um entendimento, apesar do tempo mínimo disponível, já que um eventual acordo ainda precisará da ratificação de ambas as partes.

O Reino Unido abandonou a União Europeia em 31 de janeiro deste ano. Desde então, vigora um período de transição até 31 de dezembro para permitir que Londres e Bruxelas negociem como será a relação comercial pós-Brexit.

As negociações ainda não alcançaram um acordo, e as equipes prosseguem em uma corrida contra o tempo. A partir de 1o de janeiro, o Reino Unido estará fora, de fato, do mercado único e da união alfandegária.

A chanceler alemã, Angela Merkel, também afirmou que afirmou que há progressos, mas assinalou: "Continuamos achando que um acordo seria melhor do que uma falta de acordo, mas estamos prontos para esta segunda opção."

- Discussões 'muito difíceis' -

O caminho complexo para um entendimento ficou bloqueado por divergências até agora insuperáveis pelo acesso de navios de pesca europeus às águas territoriais britânicas, normas de concorrência para acesso de empresas britânicas ao mercado único, assim como a gestão jurídica do futuro acordo, em particular o mecanismo de solução de controvérsias.

Ao comentar as diferenças sobre os direitos de pesca, ela afirmou que "as discussões ainda são muito difíceis".

Por questões relacionadas com as migrações naturais dos cardumes, as frotas pesqueiras europeias operaram nas águas britânicas durante décadas, em alguns casos até séculos. Com o Brexit, o governo britânico pretende recuperar o controle total de suas águas territoriais.

"Não questionamos a soberania do Reino Unido sobre suas próprias águas. Mas pedimos um cenário previsível e estável", disse Von der Leyen.

E a respeito das normas de concorrência, Von der Leyen destacou que as conversas se concentram em dois "pilares": ajudas estatais e padrões comuns.

Já a chanceler alemã, Angela Merkel, apontou "avanços" nas negociações.

"A Comissão Europeia negocia atualmente (...), até o final desta semana, para ver se pode encontrar uma solução. Há avanços, mas não definitivos" declarou Merkel aos deputados. A Alemanha ocupa até o fim do ano a presidência do Conselho da União Europeia.

"Continuamos pensando que um acordo seria melhor que uma falta de acordo, mas estamos prontos para esta segunda opção", acrescentou a líder.

- 'Mais atraente' -

Em Londres, Johnson disse nesta quarta-feira que "usaremos as vantagens do Brexit (...) para fazer com que este seja um lugar mais atrativo para investimentos, negócios, empresas".

Na opinião de Johnson, a UE "fará um acordo. Tudo o que se pede a eles é que entendam que o Reino Unido tem o direito natural, como qualquer país, de controlar suas próprias leis e seus próprios territórios europeus".

Na semana passada, a Comissão Europeia anunciou o plano de emergência para o setor pesqueiro e as ligações terrestres e aéreas com o Reino Unido, em caso de colapso das negociações e de uma ruptura abrupta entre Londres e Bruxelas.

ahg/jz/bl/fp/aa/tt/lb