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LoL | "Quero ser o melhor atirador do Brasil", afirma Drop

·14 min de leitura

O competitivo do League of Legends é um caminho complicado para aqueles que querem trilhar e garantir seu espaço. Um dos nomes da nova geração de pro players de LoL é Matheus “Drop” Herdy. O atirador da Netshoes Miners vem se destacando e chamou ainda mais atenção na campanha morna da Miners na segunda etapa do CBLOL 2021.

O Canaltech conversou com Drop sobre sua carreira, o começo no League of Legends, o caminho até chegar na Miners e também sobre como o cenário precisa de amadurecimento para encarar certos desafios.

Matheus "Drop" Herdy conta que começou jogando Dota com os amigos do irmão. (Imagem: Divulgação/Netshoes Miners)
Matheus "Drop" Herdy conta que começou jogando Dota com os amigos do irmão. (Imagem: Divulgação/Netshoes Miners)

Natural do estado do Rio de Janeiro, Matheus conta que começou a se interessar por LoL graças ao irmão mais velho. Antigamente, ele jogava Dota com os amigos do irmão, e enquanto outros migraram para o Dota 2, ele ficou sem jogar, até conhecer o LoL.

“O tempo foi passando, meu irmão entrou na faculdade e tinha menos tempo para jogar. E, como os amigos eram dele, eu fui me distanciando do pessoal. Nisso, comecei a jogar ranked [partidas ranqueadas].” Na época, em 2012, Drop tinha 12 anos. Segundo o atirador, em 2014 ele já estava no Desafiante, após dois anos jogando League of Legends.

Drop jogando a SuperLiga ABCE pelo Santos e-Sports (Imagem: Divulgação/BBL)
Drop jogando a SuperLiga ABCE pelo Santos e-Sports (Imagem: Divulgação/BBL)

Mesmo após conseguir chegar ao Desafiante, Drop fez uma pausa nas jogatinas de LoL. O jogador queria seguir a carreira militar, mas foi impedido por conta de uma doença que tem no olho, chamada ceratocone, que degenera a córnea. “Eu não tinha intenção de fazer faculdade, meu ensino médio foi nessa parada de querer seguir carreira militar. Quando tive esse baque que eu não poderia, eu não sabia muito o que fazer”, explicou o pro player.

Foi então que ele passou a investir no sonho de se tornar um jogador profissional de eSports. “Eu pedi um voto de confiança para o meu pai que de que eu teria um tempo para fazer essa parada funcionar.” Para Matheus, o objetivo era claro e “simples”.

"Você é a caça, ou o caçador?" - Kai'sa.

“O LoL tá aqui, eu sou bom nesse jogo? Então vou me dedicar 300% para fazer isso acontecer. Basicamente, um mês depois, eu entrei para a TShow. Esse foi o meu começo no cenário.” A entrada no cenário de eSports foi um pouco diferente para Drop, já que muitos jogadores entram cedo no mercado e, às vezes, não conseguem lidar com a pressão e o profissionalismo.

Justamente por ter tido tempo para viver outras experiências fora do LoL, como os estudos intensos para o exame militar, perguntei para Drop se isso ajudou a encarar as adversidades de buscar seu espaço no competitivo de League of Legends de alguma forma.

“Ali, eu fui obrigado a dar o meu melhor para conseguir passar nas provas, então eu sabia que eu tinha que estudar demais.” Ele conta que chegava a estudar cerca de 14 horas por dia na época. “Então, quando coloquei na minha cabeça que eu queria entrar no competitivo, eu mudei de estudar 13, 14 horas por dia de matérias, para estudar LoL.”

“Essa experiência me deu muita maturidade emocional para saber como lidar com as dificuldades na minha carreira, que foram muitas. Eu não estaria aqui dando essa entrevista se não fosse por isso.” Drop ainda lembrou que estava sem time no começo de 2021. Mas, agora, ele é considerado uma das apostas da Miners no projeto das franquias dentro do CBLOL.

"Hora de mostrar quem é o melhor. Spoiler: Sou eu." - Ezreal

Drop entrou para a Vivo Keyd para completar no time durante a Super Liga ABCDE e acabou ficando. (Imagem: Divulgação/BBL)
Drop entrou para a Vivo Keyd para completar no time durante a Super Liga ABCDE e acabou ficando. (Imagem: Divulgação/BBL)

Antes de ser jogador da Miners, a primeira experiência de Drop no CBLOL foi pela Vivo Keyd. Chamado para jogar a Super Liga ABCDE para completar o time, ele acabou ficando na organização e jogou pela Keyd na segunda etapa do CBLOL 2020.

Para Herdy, entrar em uma organização como a VK foi a consolidação do seu bom trabalho como jogador. “Entrei na Keyd para jogar durante a segunda etapa, em um momento muito complicado, mas era a minha estreia. Eu queria dar o meu melhor mesmo assim. Nós já estávamos desclassificados para os play-offs, mas eu queria continuar dando o meu melhor”. Na época, a Vivo Keyd terminou o CBLOL em oitavo lugar, mas Drop explica que o time tentou sair do campeonato de cabeça erguida.

“Nós passamos a tryhardar (gíria para jogar a sério) ainda mais nos treinos, dando o nosso sangue e essa mentalidade acabou passando para dentro de jogo e começou a dar certo. Não ganhamos tantos jogos, mas isso mudou a cara da Keyd naquele momento.” O jogador ainda lembra de quando entrou no Cruzeiro eSports (antiga Miners), em que ele participou dos últimos quatro jogos da etapa, e foi o destaque da partida em todas as séries.

“Foi a mesma situação da Keyd e eu entrei com a mesma mentalidade, de fazer dar certo e o melhor possível. E deu certo.” Após essa mudança durante o fim da primeira etapa, Drop acabou se tornando titular na Netshoes Miners. “A segunda etapa foi a primeira vez que joguei um split inteiro. Não foi um resultado tão bom como eu gostaria em relação ao time. Sinto que pelo trabalho da nossa coaching staff, eles mereciam um trabalho mil vezes melhor”. A Netshoes Miners terminou a segunda etapa do CBLOL 2021 em 9º lugar, com 5 vitórias e 13 derrotas.

"Regra número 1 do Vazio: Não morra." - Kai'sa

“Ganhar somente 5 partidas não reflete o quão bom foi o trabalho deles, nós pecamos como jogadores de representar o trabalho duro da equipe técnica. Mas, aconteceu a mesma coisa, 5 vitórias e 5 vezes fui o MVP. E isso aconteceu porque todo mundo confiou entre si, na mesma mentalidade de dar o nosso melhor. Estamos tendo a oportunidade de jogar esse split completo, então daremos o nosso melhor, e nossas vitórias foram vitórias convincentes.”

Drop recorda que a Netshoes Miners foi a única equipe naquele split que venceu as duas partidas contra a Vorax Liberty, atual Liberty Esports. “Tínhamos lampejos de reação, só que foram poucas vezes durante o split. Mas foi uma experiência maravilhosa pra mim, foi o meu primeiro split inteiro.” O jogador ainda elaborou um pouco mais sobre a importância de ter tido uma etapa completa para o seu desenvolvimento como jogador.

“Foi o primeiro split que eu sabia desde o começo o que eu tinha que melhorar, eu sabia o que eu tinha que correr atrás, tinha pessoas que estavam aptas a me ajudar a corrigir meus erros. Então jogar um split inteiro para mim, foi uma mudança de vida completa. O time da Miners mudou, eu vou continuar e o trabalho duro será ainda maior agora.”

Como Drop citou bastante o trabalho da equipe técnica da Miners, conversamos um pouco sobre o fato das franquias possibilitarem as equipes a trazer uma coaching staff mais robusta, focada no desenvolvimento dos jogadores tanto do CBLOL quanto do Academy.

Principalmente agora, com as franquias se estabelecendo, os times não têm que lidar com a bomba relógio do rebaixamento, o que dá um certo “respiro” para as equipes desenvolverem um projeto com mais calma. É tempo também para focar em criar uma rede de alto desempenho para os atletas, ao invés de contratar somente jogadores já consagrados e não ter espaço para o desenvolvimento de novos talentos dentro do CBLOL.

“As franquias ajudam muito nisso, já que o resultado não precisa ser imediato. Antigamente, com o rebaixamento, os times que tinham 5 novatos e uma equipe técnica ainda inexperiente, podia ser rebaixada e o investimento da organização ir embora.” Na visão de Drop, as franquias ajudam no planejamento a longo prazo dos times. Ele explica que, às vezes, quando a equipe técnica tem um bom trabalho, as organizações preferem manter o técnico e buscar um jogador que funcione melhor com a mentalidade empregada pela equipe.

“Com certeza, ter um médico do esporte, um psicólogo, um fisioterapeuta, é algo que as organizações estão investindo, principalmente agora que virou uma carreira a longo prazo”. Matheus explica que investir na parte da saúde dos jogadores é algo que a franquia possibilita graças ao planejamento com um tempo maior para se colher resultados. “Dá para a equipe investir na área de saúde, e caso um jogador acabe não rendendo, ele terá cobranças, mas não existirá o sentimento de que se o time cair, o investimento foi água a baixo.” Sem o rebaixamento para o Circuito Desafiante, os times podem ter mais liberdade para trabalhar outros aspectos que vão além da jogabilidade, como a saúde e a qualidade de vida dos atletas.

Drop ainda completa falando sobre como esse ambiente ajuda os jogadores a se desenvolverem melhor: “Um jogador tem que ter a cabeça de que vai jogar para ganhar, e muitas vezes ele acredita nisso, mas a organização pode perceber que ele ainda não está pronto, principalmente em situações ruins. O jogador pode estar pronto, só que pode existir o receio de arriscar. E com as franquias, por não ter mais o risco de rebaixamento, os jogadores novos têm chances de aparecer e florescerem muito mais”.

Não só Drop, mas como Alexandre “Titan” Lima, Matheus “Trigo” e Lucas “Netuno” Flores, são exemplos de jogadores que receberam esse voto de confiança na época que chegaram no cenário e hoje estão como titulares do CBLOL. A entrada deles só foi possível graças ao investimento das equipes nos jogadores, o que tem se tornado mais frequente por conta das franquias.

"Eu é que vou contar essa história." - Kai'sa

Para 2022, a Netshoes Miners reformulou boa parte da equipe principal, mantendo Drop e Hawk, a dupla da rota inferior. Com este voto de confiança, não tinha como não comemorar. “No começo do ano, eu estava sem time, e acabei o ano sendo o rosto de uma organização no CBLOL. É uma parada incrível para mim, porque isso mostra o quanto meu trabalho está dando frutos", afirma o jogador.

"Toda a resiliência que eu tive nos anos anteriores na minha carreira, começaram a dar certo. O time está confiando na gente para que 2022 seja incrível para a Miners.” Drop ainda comentou sobre o sentimento de retribuição à organização: “Se eles estão dando esse voto de confiança para mim, eu farei o máximo para retribuir isso, dando resultado para eles. Seja gravando conteúdo, seja treinando mais, e assim vai.”


Drop revelou que tem certeza da capacidade do time de chegar na fase eliminatória do CBLOL. “Eu não tenho dúvidas de que iremos para os play-offs, nós vamos. E com certeza buscaremos uma semifinal, uma final, mas é um passo de cada vez. A gente tem um time que tem capacidade para isso, mas é um passo de cada vez. Eu não posso cravar que estaremos na final, mas estaremos nos play-offs sim. Todo mundo vai dar 300% para fazer isso acontecer.”

Algo que chama atenção na caminhada de Drop no cenário é como o jogador sempre lidou com as adversidades da vida. Seja devido a ceratocone, seja com as poucas oportunidades em momentos difíceis em organizações, ele sempre focou em seus objetivos e finalmente está colhendo os frutos do trabalho duro. Por isso, conversamos sobre algo que é frequentemente questionado no cenário competitivo de League of Legends: falta amadurecimento para os jogadores? Ele responde:

“Sinceramente, eu acho que falta um amadurecimento emocional na grande maioria dos jogadores, e tem que entender que somos extremamente privilegiados de ter esse trabalho. Não pode passar pela cabeça do jogador procrastinar um pouco, só reclamar ou coisa do tipo. Eu acredito que falta muito essa mentalidade, porque, por exemplo, eu tive essa vivência toda antes de entrar no competitivo, enquanto alguns jogadores saíram direto do ensino médio, às vezes paravam de estudar para entrar no competitivo, por exemplo. Eu tinha as minhas metas, e minhas metas foram frustradas por conta de situações adversas que passei, com isso acabei desenvolvendo uma maturidade emocional. E essa maturidade emocional é o que falta para muito jogador entender onde está.”

Drop vai além, e menciona que a entrada no cenário de eSports ainda é um sonho para muitos outros jovens: “Talvez o jogador julgue que tudo foi dado de mão beijada, que esse patamar que ele está não é almejado por milhares de outros jovens. Existem vários jogadores de 15, 16 anos, que estão dando a vida para querer entrar no competitivo, e quando eles olham para cima, eles observam os jogadores que, ao invés de darem o exemplo, muitos estão reclamando de tudo".

Para o pro player, o cenário brasileiro "carece de ídolos" que possam inspirar os novos jogadores. "Dando um exemplo, se estou nessa posição, em que estou inspirando pessoas, e isso faz com que elas pensem em dar o melhor de si, seja no LoL, seja nos estudos, seja no trabalho, se estou nessa posição, eu tenho que dar o exemplo. Querendo ou não, quando você se torna pro player, você se torna uma pessoa pública. Então, se você se torna um jogador profissional e só reclama da fila ranqueada e não joga, é o mesmo que reclamar que a rua está suja enquanto você joga lixo no chão. Não faz sentido algum”, concluiu.

Drop em destaque no vídeo de anúncio do time da Netshoes Miners para 2022, ao lado de Hawk e Croc. (Imagem: Reprodução/Netshoes Miners)
Drop em destaque no vídeo de anúncio do time da Netshoes Miners para 2022, ao lado de Hawk e Croc. (Imagem: Reprodução/Netshoes Miners)

Conversamos também um pouco sobre o futuro do jogador e o que ele espera daqui para frente no competitivo. “O que almejo desde o começo da carreira, é ser considerado o melhor atirador do Brasil, de forma indiscutível. Eu quero, daqui uns anos da minha carreira, estar indo pro meu terceiro, quarto, quinto título, ir para uma competição lá fora e falarem: ‘Aquele time tem o Drop’. Eu quero que outros jogadores de outras regiões assistam ao CBLOL para me ver jogar e estejam atentos quando eu chegar no Mundial ou no MSI."

Drop afirma que o reconhecimento internacional pode demorar para chegar, mas isso não é motivo algum para fazê-lo desistir do sonho. "Busco isso treinando ainda mais, jogando ainda mais, sem parar em nenhum momento, porque tenho essa noção de que eu consigo ser o melhor. Quanto tempo vai demorar para isso acontecer? Eu não sei, mas eu não vou parar de correr atrás de querer ser o melhor, então uma hora vai”, disse o pro player com algumas risadas.

A caminhada de Drop junto da Netshoes Miners até o tão sonhado play-off começará em 22 de janeiro de 2022, contra o Flamengo Esports. Se a organização conseguirá chegar até a fase eliminatória e alcançar a final do campeonato, só o tempo dirá. Há uma frase de Kai’sa, atiradora preferida de Drop no LoL, que se encaixa com o momento do jogador. Se a “segunda pele” do vazio deu uma segunda chance para a campeã, a Netshoes Miners se torna a segunda pele de Drop. E da mesma forma que a atiradora não desperdiçou a chance para fugir das trevas, Matheus “Drop” Herdy não desperdiçará a oportunidade de ser vencedor pela organização.

Fonte: Canaltech

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