Mercado fechará em 6 h 44 min
  • BOVESPA

    113.807,29
    -5,58 (-0,00%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    48.729,80
    -4,24 (-0,01%)
     
  • PETROLEO CRU

    89,36
    -1,14 (-1,26%)
     
  • OURO

    1.770,60
    -0,60 (-0,03%)
     
  • BTC-USD

    21.521,77
    -2.018,70 (-8,58%)
     
  • CMC Crypto 200

    510,24
    -47,49 (-8,51%)
     
  • S&P500

    4.283,74
    +9,70 (+0,23%)
     
  • DOW JONES

    33.999,04
    +18,72 (+0,06%)
     
  • FTSE

    7.554,98
    +13,13 (+0,17%)
     
  • HANG SENG

    19.773,03
    +9,12 (+0,05%)
     
  • NIKKEI

    28.930,33
    -11,81 (-0,04%)
     
  • NASDAQ

    13.373,00
    -150,25 (-1,11%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    5,2262
    +0,0124 (+0,24%)
     

Livro de Bial sobre líder do Magalu expõe dramas familiares dos Trajanos

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

FOLHAPRESS - Vaidade, intrigas, vícios, traição e até mortes suspeitas. Pode parecer enredo de novela, mas essa é a realidade de boa parte das empresas familiares, seja no Brasil, seja no exterior.

Um exemplo foi o escândalo envolvendo Liliane Bettencourt, a mulher mais rica da França e herdeira do império de cosméticos L'Oréal, morta em 2017, e sua única filha, Françoise Bettencourt-Meyers, que declarou na Justiça que a mãe era "mentalmente incapaz" por dar presentes bilionários a um fotógrafo de celebridades.

No Brasil, os primos da terceira geração da família Schincariol entraram em litígio depois que dois irmãos -Adriano e Alexandre, filhos de José Nelson-- venderam o controle da cervejaria para a japonesa Kirin, sem entrar em acordo com os acionistas José Augusto, Daniela e Gilberto Júnior. Estes últimos, filhos de Gilberto Schincariol, sustentavam que José Nelson enganou o irmão para se tornar majoritário na companhia. A empresa hoje pertence à holandesa Heineken.

A varejista paulista Magazine Luiza, com sede em Franca, cidade de 359 mil habitantes, a 400 quilômetros de São Paulo, não viveu esse nível de mazelas, mas guarda alguns segredos de alcova, como mostra o recém-lançado livro do jornalista Pedro Bial, "Luiza Helena - Mulher do Brasil" (ed. Gente). A obra narra a história de Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues, 73, atual presidente do conselho da varejista, que se tornou uma das maiores empresas do setor no país, com quase 1.500 lojas, 40 mil funcionários e mais de R$ 55 bilhões de faturamento anual.

Bial situa o leitor na genealogia da família Trajano, que teve origem com Manoel e Inês, pais de oito filhos -quatro meninas e quatro meninos. Entre as meninas, Luiza, a única dos oito filhos que não deixou descendência, criou em 1957 o Magazine Luiza. Vendedora talentosa, tomou para si a sobrinha, Luiza Helena, filha única da irmã Jacira, como discípula e herdeira natural das melhores técnicas de como agradar ao cliente.

Pelas lentes de Bial, o leitor entra na casa dos Trajanos como uma visita de cortesia -na qual as conversas são amenas, ainda que histórias mais íntimas sejam reveladas "en passant". É assim que o leitor descobre que Luiza Helena se separou do marido, Erasmo, nos anos 1980 e viveu um novo amor, para retomar o casamento seis anos depois.

Ela e Erasmo foram pais de Frederico, Ana Luiza e Luciana -dos três, apenas Ana Luiza não seguiu na companhia e se tornou chef de cozinha, a contragosto da mãe, que queria vê-la na empresa. O livro indica que Fred, o primogênito e hoje presidente do Magalu, é o seu preferido.

Luiza Helena teve medo de que houvesse um embate na terceira geração pelo comando da companhia: Fabrício Garcia, filho do primo da empresária, Wagner, herdou as ações do pai, quando este morreu. Luiza Helena e Wagner tinham a mesma quantidade de ações na varejista, e Fabrício poderia reivindicar se tornar presidente. Mas, para alívio da matriarca, ele concordou em deixar o comando com o primo Fred e se tornou vice de operações do Magalu.

A própria Luiza Helena já tinha enfrentado, em 1991, quando assumiu o controle do Magazine Luiza, um embate familiar. O fundador, Pelegrino José Donato, marido da tia Luiza e conselheiro da empresa, não aceitava a sobrinha no comando, por machismo. Ia contra a maior parte das suas ideias de políticas de benefícios para os funcionários, como bolsas de estudo, crédito facilitado e auxílio-creche. Ele morreu em 2018, aos 94.

Mas Luiza Trajano Rodrigues está viva, com 95 anos, e sofre de demência. A sobrinha Luiza Helena dá apoio à outrora incrível vendedora, que deu o empurrão para que ela criasse um império. Mas hoje a fundadora parece alheia a tudo e ainda pensa ter 43 anos. As histórias da tia Luiza, porém, verdadeira mestra do varejo, são alguns dos pontos altos do livro.

A senilidade da tia, o relacionamento distante com a mãe (já morta), a relação com os seis netos, a morte súbita do marido e questionamentos pessoais, que levaram a protagonista às lágrimas, como a descoberta do racismo estrutural no Brasil -nada disso é aprofundado, do ponto de vista de Luiza Helena. O drama fica no varejo, não chega ao atacado.

É difícil para o leitor enxergá-la como um ser humano falível: ela é retratada como a empresária talentosa, ágil, intuitiva, generosa e preocupada com o próximo, o que fez com que fosse cogitada como ministra de Dilma Rousseff e, mais recentemente, como uma possível candidata à Presidência ou até a vice de Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas não se sabe até onde lhe chega a dor, o que ela fez de errado, do que se arrepende. Nenhum desafeto foi ouvido. Ao final, o leitor sente como se tivesse encontrado uma vendedora muito simpática e solícita, que o trata como alguém da família, mas, quando sai da loja, percebe que não conhece nada sobre ela.

Mesmo a autoproclamada modéstia de Luiza Helena fica desacreditada em alguns trechos, como quando ela diz: "Meu espírito sempre foi de 'startup'. Em 1992, eu comecei a derrubar parede quando ninguém derrubava. Diziam que não ia dar certo... Quando se está antes do seu tempo, paga-se um preço muito alto".

"Luiza Helena" é a terceira biografia de Bial, que escreveu "Roberto Marinho" (Zahar, 2004) e dirigiu "Jorge Mautner - O filho do Holocausto" (documentário de 2012).

"O que há em comum entre Luiza Helena e Marinho é que são empreendedores que têm um projeto de nação", disse Bial à reportagem. "Roberto Marinho, além de ser movido pelo lucro, pela lógica do mercado capitalista, tinha um projeto para o Brasil. Também Luiza Helena tem um projeto que vai além do Magazine. Tanto que hoje ela está no conselho da empresa, não é mais executiva, o que lhe permitiu abrir as asas para atuar na sociedade civil e promover transformações nas relações humanas, sociais, econômicas e políticas do Brasil."

Em dezembro de 2021, o jornal britânico Financial Times indicou a empresária como uma das 25 mulheres mais influentes do mundo. Em setembro do ano passado, ela figurou na lista das 100 pessoas mais influentes da revista americana Time.

Além da atuação empresarial, boa parte do reconhecimento se deve ao seu protagonismo na defesa de políticas públicas, como os grupos Unidos pela Vacina, de combate à Covid-19, e Mulheres do Brasil, de empreendedorismo feminino.

Bial afirmou que a ideia de escrever a biografia surgiu depois de uma entrevista feita em 2020, para o talk show Conversa com Bial, da Globo.

"Ela sempre se mostrou muito refratária em fazer alguma coisa sobre a vida dela. Mas apresentamos uma proposta bastante humana, conforme ela gosta de encaminhar as coisas, ela se sentiu atraída e topou fazer."

Pedro Bial, editora Gente (320 págs.), R$ 59,90

Avaliação Bom

Trabalho Moderno: a Construtora de Roberto Simonsen

Gino Caldatto Barbosa, Senai-SP. R$ 129,90

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos