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Lives de cantores no YouTube começam a ser taxadas por direitos autorais

Wagner Wakka

Os músicos começaram a ser cobrados pelos direitos de músicas em lives do YouTube. O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) e a União Brasileira de Editoras de Música (Ubem) estão cobrando taxas que, somadas, podem chegar a 10% dos direitos autorais das músicas interpretadas em lives do YouTube com patrocínio.

Em entrevista ao G1, os diretores das instituições explicam o movimento. As cobranças já aconteceram e podem continuar de forma retroativa para as lives que já foram exibidas. Contudo, a movimentação gera discórdia entre músicos e produtoras.

Os artistas que apresentam as lives concordam com as taxas, mas os produtores dos intérpretes são contra a cobrança, a qual acontece sob o patrocínio nas apresentações. A questão está no caminho do dinheiro.

O Ecad buscou o YouTube para arrecadar os direitos autorais, sendo que a rede social disse que já repassou os montantes necessários. Contudo, o Ecad e o Ubem estão buscando taxar também os patrocínios, com 5% cada, totalizando os 10%. Segundo o YouTube, os patrocínios são pagos pelas empresas diretamente a produtores dos artistas, por fora da rede social.

O Ecad recolhe os direitos e repassa para os autores das canções. Em 2018, o YouTube concordou em pagar ao órgão 4,8% do faturamento por músicas em vídeos. Este montante é o que a rede social disse já ter repassado. Ou seja, a taxa de 5% do Ecad sob os patrocínios seria um extra neste caso.

Segundo o Ecad, ainda, não há cobrança em cima de lives pequenas (embora a instituição não especifique audiência), nem nas quais não há quaisquer tipos de patrocínio. Ainda, caso a live tenha cunho beneficente, o órgão cobra metade da taxa.

As apresentações de artistas pelo YouTube ganhou projeção com o início do isolamento social. Sem poder produzir eventos como shows, produtoras foram para as redes sociais em busca de renda.

Em março, Marília Mendonça alcançou 3,2 milhões de pessoas ao mesmo tempo em sua transmissão pelo YouTube, um recorde para a plataforma.

A rede social ainda mantém uma agenda robusta de artistas, que você pode conferir no calendário atualizado aqui no Canaltech.

Fonte: Canaltech