Mercado abrirá em 7 h 46 min

O que não te falam da linguagem corporal na entrevista de emprego

Suas expressões corporais dizem muito em uma entrevista de emprego (Foto: Getty Images)

Por Eliete Oliveira*

O que você considera fundamental para passar em uma entrevista de emprego? Suas habilidades técnicas? Sua formação? Idiomas? Na verdade, o mais importante é uma palavrinha chamada confiança. Acredite, você pode ter um currículo incrível, mas, se não conseguir passar segurança sobre o que está escrito nele, dificilmente alguém te contratará.

SIGA O YAHOO FINANÇAS NO INSTAGRAM

Confiança está ligado a sobrevivência, porém, a maioria de nós não tem consciência disso. Afinal, ninguém acorda de manhã pensando: “opa, mais um dia que estou buscando minha sobrevivência”. Mas sim, você está lutando por ela todos os dias.

Leia também

Na verdade, trazemos essa característica desde os primórdios. Naquela época, vivíamos um ambiente muito hostil, agressivo, as pessoas se matavam por causa de caça, comida e território. Para sobreviver, começamos a nos relacionar. Com o tempo, passamos a identificar no outro alguém em quem podíamos confiar.

Basicamente tudo o que se refere as relações humanas envolve confiança. Podemos dizer que você não tem amizade, não se relaciona, não faz negócio e não contrata para dentro da sua empresa, uma pessoa que você não confia. Falar “confiança é a base de tudo” é uma frase muito clichê, mas, totalmente verdadeira.

Quando você compra um produto, está comprando muito mais a credibilidade que investe nele, do que propriamente o produto em si. Muito disso, está no poder de convencimento do vendedor.

Opa! Agora chegamos onde eu queria: acredite, na entrevista de emprego também funciona assim! Na entrevista, você também é um vendedor, que precisa convencer o recrutador das vantagens em te contratar, e não o seu concorrente. Neste sentido, sua comunicação será fundamental e principalmente sua linguagem corporal. Existem estudos que indicam que nossa comunicação representa 55% da linguagem corporal, 38% do tom de voz e 7% da linguagem verbal.

Por que nossa linguagem corporal é tão importante?

Simplesmente porque podemos mentir através da nossa linguagem verbal. Posso dizer na entrevista que tenho perfil hands on, sou pró-ativo, pontual, cumpro prazo, sou resiliente, apresento resultados e muito mais. Posso falar tudo isso e não ser nada disso. A palavra permite que possamos mentir.

Porém, nossa linguagem corporal nunca mente: ela é um reflexo do que sentimos.
Mesmo que o recrutador não seja um profundo conhecedor de técnicas de avaliação de gestos, inconscientemente ele estará fazendo esta análise. Do mesmo modo que fazemos quando conversamos com alguém em qualquer situação.

Nem tente: esconder a tristeza é muito complicado

Se você fizer uma pesquisa pela internet, encontrará inúmeros artigos explicando como sorrir, como sentar, como gesticular, apertar a mão e olhar de maneira que consiga passar mais confiança. Porém, uma coisa que não te falam é que se você não estiver bem emocionalmente, nada disso adiantará.

Você não consegue fingir um ânimo que não sente, ou uma autoestima que não tem... O brilho nos olhos só acontece quando se está verdadeiramente entusiasmado. Quando estamos tristes e desanimados, as pupilas dos olhos diminuem de tamanho, da mesma forma que aumentam quando você está muito feliz, são movimentos involuntários.

A linguagem corporal não pode ser manipulada e, mesmo que você tente, isso não se sustentará por muito tempo. Quando você mente, o tom de voz muda, você pisca diferente, gagueja, desvia o olhar e emite inúmeros sinais que não percebe, mas quem está conversando com você, sim.

É importante que você tenha autoconhecimento e consciência da sua linguagem corporal, mas se eu fosse te dar alguns conselhos, seriam:

  • Encontre uma atividade - remunerada ou não - que possa fazer enquanto não encontra recolocação, é ótima maneira de sentir-se útil.

  • Faça meditação, isso ajuda a conter a ansiedade que provavelmente irá sentir.

  • Treine o que irá falar na entrevista e tenha certeza de que você está seguro das informações, faça isso com um amigo ou grave um vídeo.

  • Procure estudar, existem inúmeros cursos gratuitos disponíveis on-line, manter a mente ocupada e aprender, é uma ótima maneira de sentir-se motivado.

    Todas essas orientações te ajudarão em uma fase, que é uma montanha-russa de sentimentos, mas que em algum momento com certeza passará.

*Eliete Oliveira é consultora de recolocação profissional e Top Voice do LinkedIn. No Yahoo Finanças, ela fala sobre carreira e os dilemas do mundo corporativo.