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Limites da ciência: neurônios humanos podem ser transplantados em animais?

Fidel Forato
·2 minuto de leitura

Até onde cientistas podem ir em uma pesquisa com cérebros artificiais ou no transplante de neurônios humanos em animais? As questões éticas são um grande desafio para quem trabalha com a neurociência. Mesmo que entender o sistema nervoso — e as doenças que podem afetá-lo — seja algo fundamental, ele está diretamente ligado com a capacidade de sentir dor e com a consciência e experimentos do tipo podem ter conclusões inimagináveis.

Neste contexto, a agência norte-americana de saúde e pesquisa médica, o National Institutes of Health (NIH), organizou uma investigação para entender os limites éticos de experimentos com o sistema nervoso. A ideia era apontar maneiras éticas de equilibrar o progresso científico com preocupações ​de que, potencialmente, estudos possam criar, de forma acidental, organismos parcialmente conscientes em laboratório.

Criação de seres com consciência em laboratório já é realidade?

Por enquanto, essas preocupações podem ser infundadas, já que a investigação concluiu que as regras atuais são adequadas para supervisionar este trabalho nos Estados Unidos. Isso porque o relatório aponta que foram encontras poucas evidências de que organoides cerebrais ou animais com células humanas experimentam algum tipo consciência ou dor semelhante à humana.

Institutos de pesquisa e cientistas discutem os limites éticos de experimentos na neurociência (Imagem: Reprodução/iLexx/Envato Elements)
Institutos de pesquisa e cientistas discutem os limites éticos de experimentos na neurociência (Imagem: Reprodução/iLexx/Envato Elements)

Hoje, os cientistas realizam experimentos com organoides neurais desenvolvidos em laboratório, ou seja, as pesquisas ocorrem em estruturas simplificadas de células cerebrais que apenas funcionam de forma semelhante a um cérebro humano, só que muito mais limitado. Inclusive, chamar esses organoides de “minicérebros” os faz parecer mais sofisticados do que realmente são na prática.

“O mundo seria um lugar substancialmente melhor se os cientistas e as assessorias de imprensa fossem um pouco mais cuidadosos com as palavras nas entrevistas e comunicados à imprensa”, afirmou o neurocientista da Universidade de Harvard e co-presidente do comitê responsável pelo relatório, Joshua Sanes, à Science.

A questão é a mesma para testes onde ocorrem o transplante de neurônios humanos para cérebros de animais, já que a questão também é hiperdimensionada. Por mais que o transplante possa ocorrer, o documento avalia que é improvável que neurônios humanos implantados se integrem ao cérebro animal, aprimorando a inteligência do ser ou a experiência consciente.

No entanto, o relatório entende que as recomendações têm um prazo de validade e podem ficar desatualizadas à medida que o campo da neurociência avança, especialmente no campo de estudo com primatas semelhantes aos humanos. “[O relatório] faz uma declaração clara de que os modelos atuais não representam um dilema ético, mas no futuro isso pode mudar”, completou o neurocientista e especialista em organoides neurais da Universidade da Califórnia, Arnold Kriegstein.

Fonte: Canaltech

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