Mercado abrirá em 3 h 14 min

6 lições sobre ser antirracista que brancos precisam ter

Ser antirracista é mais do que fazer postagens nas redes sociais, é levar a mudança para o seu dia a dia. (Foto: Getty Images)

O mundo está passando por uma grande transformação, e a sensação que tenho é que aqueles que não se adaptarem rápido e não reverem seus valores, ficarão para trás. É por isso que, na última semana, tirei tempo para refletir e estudar. O momento não era de falar (pelo menos, não no meu caso) muito menos engajar em ações e causas sem antes entender as necessidades e as dores daqueles que estavam falando. 

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 minuto e receba todos os seus e-mails em um só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

Siga o Yahoo Vida e Estilo no InstagramFacebook e Twitter, e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário

Falar sobre antirracismo engloba muitas nuances e a primeira dela é assumirmos que todos somos racistas, pois o racismo faz parte de uma estrutura que precisa ser combatida. De qualquer maneira, percebi, mais do que nunca, a importância do que falo e faço e como dar um upgrade em uma postura, que já me era comum se tornou urgente. Pensando nisso e considerando o que posso e tenho feito pelo meu entorno, compreendi algumas coisas que eu posso fazer mais e que gostaria de compartilhar com aqueles que, como eu, são brancos e viveram uma vida de privilégios. 

Acho importante notar aqui que "privilégio" não significa que a minha vida como pessoa branca tenha sido desprovida de sofrimentos ou dificuldades, mas, sim, o fato de que a cor da minha pele me privou de situações vividas diariamente pela população preta e me garantiu acesso à coisas que boa parte dos brasileiros pretos, indígenas ou de outras raças não tiveram. 

Leia também

1. Escutar mais e falar menos

Durante a última semana, percebi a importância de ouvir. Calar a minha boca não significa o fim do meu direito de dar opinião, mas um movimento meu em busca de compreender os que, até agora, não se sentiram compreendidos. E isso é ouro. Numa época em que qualquer um pode falar qualquer coisa sem medir as consequências, fazer silêncio me mostrou o quanto tenho a aprender e que o conhecimento, no fim das contas, é a melhor coisa para uma sociedade disfuncional como a nossa. 

2. É sobre amplificar, e não "dar voz"

Outro ponto que entendi: quando falamos em "dar voz à alguém", implicamos que essa pessoa não tinha voz e isso precisa ser dado, entregue, à ela. Na verdade, a voz desse alguém sempre esteve lá, só não era ouvida. Por isso, o trabalho é amplificar a voz de quem não foi ouvido - e isso implica que o ponto um deste texto seja levado a sério. Eu preciso parar de falar para que outro alguém fale e, claro, seja escutado de verdade. 

3. O aprendizado é seu, não uma obrigação alheia

Quem precisa aprender sobre questões de raça, comportamentos racistas e como ser antirracista sou eu. A população preta não tem nenhuma obrigação de me ensinar. Ou seja, eu preciso, ativamente, procurar conhecimento sobre o assunto e refletir sobre as minhas próprias ações e jeito de pensar para que haja mudança. Isso parte de uma premissa: toda pessoa branca é racista, porque a sociedade é racista. A partir daí, existe um trabalho contínuo de aprendizado e desconstrução. O diálogo sempre acrescenta, mas eu não posso cobrar que uma pessoa preta me ensine sobre coisa alguma. 

4. Aceitar a pluralidade e não idealizar

Os padrões de beleza são a maior prova de que a idealização não faz bem a ninguém. A população preta é plural, existem vieses e crenças diferentes e não é saudável idealizar que toda pessoa preta pense do mesmo jeito ou tenha as mesmas relações e experiências com o racismo. Aqui, a escuta mais uma vez é muito importante, e cobrar uma postura igual de todas as pessoas pretas (ou cobrar uma postura, ponto) não é aceitável, muito menos o lugar de uma pessoa branca. 

5. Não pedir 'biscoito' por fazer o mínimo (ou o máximo)

A ideia de que eu preciso ser reconhecida pelo que faço em relação à desconstrução da ideia de racismo é absurda por si só. Em algum nível, todas as pessoas querem ser reconhecidas pelas suas conquistas, mas esse é um golpe baixo que não só tira o foco da causa como também não ajuda na sua evolução. Faça mudanças porque elas são boas para todos e não porque você quer receber um 'biscoito' por ter feito o mínimo (no caso, ouvir e tratar as pessoas como iguais à você). Não existe "branco salvador".

6. Tornar prático

Outro ponto: militância de redes sociais, por si só, não resolve. Essas questões precisam ser levadas para a prática. Eu precisei tornar mais consciente o porquê faço as coisas, como me relaciono com pessoas pretas, e o que tem na minha maneira de pensar que precisa ser ajustado para ter uma visão o mais próximo da igualdade possível. Isso significa também pontuar para outras pessoas brancas comportamentos racistas, ter conversas difíceis, apontar atitudes que são nocivas ao movimento e tornar o posicionamento uma vivência diária e não algo pontual para as redes sociais. 

O que entendo até agora é que ser antirracista não é algo que acontece do dia para a noite, simplesmente porque essas ideias são muito intrínsecas à uma forma de pensar que vê as pessoas diferentes umas das outras. Alcançar uma visão de igualdade leva tempo, paciência e, principalmente, empatia. Mas se há um momento perfeito para colocar isso em prática, esse momento, com certeza, é agora.