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Liberdade na internet recua pelo 9º ano, diz Freedom House

Kiley Roache

(Bloomberg) -- A liberdade na internet está menor do que era uma década atrás e o quadro está piorando à medida que alguns governos intensificam o uso das redes sociais para manipular eleições e monitorar seus cidadãos, concluiu a Freedom House, um instituto de defesa da democracia com sede em Washington.

Os governos monitoram o discurso nas redes sociais há muito tempo. No entanto, os avanços em inteligência artificial “abriram novas possibilidades para vigilância em massa automatizada”, disse Adrian Shahbaz, diretor de pesquisa em tecnologia e democracia da Freedom House. “Os avanços em inteligência artificial estão impulsionando um mercado de vigilância das redes sociais que é crescente e desregulamentado.”

O relatório, divulgado nesta terça-feira, abrange 65 países onde vivem 87% dos usuários da internet. Segundo a Freedom House, a liberdade da internet em nível global diminuiu pelo nono ano consecutivo.

O estudo observou que, em grande parte do mundo, há obstáculos e perigos para quem deseja usar a internet. Mais da metade dos usuários reside em países onde se bloqueiam determinados conteúdos de cunho político, social ou religioso. Além disso, 71% dos usuários vivem em nações onde pessoas são presas por postagens sobre questões políticas, sociais ou religiosas.

Pelo quarto ano consecutivo, a China foi considerada a nação que comete os piores abusos contra a liberdade na internet, alcançando o que o relatório chamou de “extremos sem precedentes”. O país tornou os controles de informação mais rigorosos às vésperas do 30º aniversário dos protestos na Praça da Paz Celestial, em Pequim, e em meio a manifestações pró-democracia em Hong Kong, segundo o estudo.

Mesmo em muitos países democráticos, a liberdade na internet diminuiu. A Freedom House baixou um pouco a nota dos EUA, observando o aumento do monitoramento das redes sociais por agentes da lei e de imigração, que consideram inclusive notícias e manifestações pacíficas. A Freedom House também citou o uso de desinformação sobre eventos políticos como um problema nos EUA.

“O futuro da liberdade na internet depende da nossa capacidade de consertar as redes sociais”, disse Shahbaz. “Como essas plataformas são principalmente americanas, os EUA precisam liderar a promoção da transparência e da responsabilidade na era digital. É a única maneira de impedir que a internet se torne um cavalo de Troia para tirania e opressão.”

Repórter da matéria original: Kiley Roache New York, kroache@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Jillian Ward, jward56@bloomberg.net, Andrew Martin

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