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Lenda no Japão, brasileiro Ruy Ramos defende Olimpíadas e é tietado por japoneses em templo

·4 minuto de leitura
TOQUIO, JAPAO, 28-7-2021  -  Ex-jogador Ruy Ramos visita templo Sensoji, em Tóquio, nesta quarta-feira, onde foi comprar souvernirs para jogadores da seleção brasileira olímpica. ( Foto: Leandro Colon/Folhapress)
TOQUIO, JAPAO, 28-7-2021 - Ex-jogador Ruy Ramos visita templo Sensoji, em Tóquio, nesta quarta-feira, onde foi comprar souvernirs para jogadores da seleção brasileira olímpica. ( Foto: Leandro Colon/Folhapress)

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Lenda do futebol japonês e da seleção local, um brasileiro decidiu visitar nesta quarta-feira (28) o mercado do templo budista mais famoso de Tóquio, o Sensoji (região de Asakusa), para comprar souvenirs e presentear os jogadores da seleção brasileira masculina de futebol que disputam as Olimpíadas.

Naturalizado japonês há mais de 30 anos, Ruy Ramos, 64 de idade e 44 de Japão, achou que não haveria muita gente no templo, muito menos imprensa.

A cidade, em razão da pandemia da Covid-19, está sem receber turistas e em estado de emergência, o que diminuiu a circulação dos moradores em uma das áreas mais turísticas da anfitriã dos Jogos Olímpicos.

O ex-jogador, camisa 10 da seleção japonesa, não teve sossego. Às vezes destampando o nariz, a máscara até escondia um pouco o rosto, mas os cabelos mais longos, que ele mantém desde os tempos de camisa 10 do Verdy Kawazaky, revelaram sua identidade.

Ramos foi assediado pelos japoneses. Em seguida, abordado pela reportagem da Folha, que, ao passar pelo local, percebeu um movimento de tietagem em torno de um dos jogadores mais idolatrados do país.

"Eu não vinha aqui havia 12 anos porque não consigo parar para comprar. Ser ídolo no Japão é assim. O povo não tem memória curta como no Brasil. Estive na seleção japonesa, briguei por eles, e eles reconhecem", diz.

Ramos sugeriu então que a entrevista fosse dada com ele andando para não despertar muita atenção das pessoas.

Nascido de família pobre em Mendes (RJ), ele chegou ao Japão em março de 1977 para ficar dois anos e nunca mais foi embora.

Foram cinco títulos nacionais, um continental asiático por clube e outro (Copa da Ásia) pela seleção japonesa, onde jogou por cinco anos (1990 a 1995). Atuou até os 41 anos, quando se aposentou em 1998.

Hoje vive de palestras e dá seu nome a quadras de escolinhas de futebol pelo país. "Eu viajo o país inteiro para dizer para as pessoas não desistirem de seus sonhos". Aventurou-se, por um período, a dirigir a seleção de futebol de areia do Japão.

Na conversa com a Folha, ele contou que o ex-jogador Branco, coordenador da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o convidou a visitar a seleção brasileira masculina que disputa as Olimpíadas.

Foi aí que decidiu dar um pulo no famoso mercado de Asakusa para comprar souvenirs locais. Lamenta não poder assistir às partidas nos estádios.

"Podia ter pedido para a federação, uma brechinha, mas não forcei a barra para não dizerem 'o Ramos e outros não? Preciso se coerente".

Segundo o ex-jogador, há um sentimento de preocupação dos japoneses com as Olimpíadas, por causa da pandemia, mas também de frustração porque o país preparou-se para receber turistas e mostrar sua cultura ao mundo.

"O pessoal sente, porque todos estavam esperando mostrar a beleza do Japão, um país tão bonito, até porque muita gente não tem oportunidade de vir para cá, é fora de mão. Seria a grande chance", diz. "Gostaria que todos apreciassem as belezas do Japão".

Vacinado contra a Covid-19 com duas doses, ele afirma que o governo japonês demorou a reagir à pandemia, inclusive no processo de vacinação da população, mesmo ciente de que, apesar das pressões, as Olimpíadas não seriam canceladas.

"Senti que eles demoraram muito a agir e as coisas foram ficando ruins. Já que ia ter, todo mundo tem que se unir e tomar seus cuidados", afirma.

"O Japão é lento em algumas coisas. Muita gente foi contra aos Jogos, mas partir do momento que estão sendo realizados, temos que torcer para dar certo", ressalta.

Segundo ele, os canais de televisão locais fazem uma cobertura a favor do evento esportivo. "Todos programas do horário do almoço estão elogiando", diz

Ramos aponta problemas internos, mas defende o rigor de planejamento e organização do país. "As Olimpíadas só ocorreram porque são no Japão. Em outro lugar, não teríamos, não haveria condições", diz o ídolo japonês.

O ex-jogador viveu a transição do futebol japonês dos anos 80 para 90, quando o profissionalismo se fortaleceu e a liga local ganhou prestígio no mercado mundial.

Ramos divide com Zico e Alcindo o pódio de brasileiros idolatrados pelos japoneses - no caso de Ramos, com a diferença de ter se naturalizado e jogado pela seleção local.

Pai de dois filhos e dois netos japoneses, ele diz que não há qualquer plano de um dia retornar ao Brasil. "O Japão é um país com segurança incrível e sabe reconhecer o que você fez. País que me ajudou, meus familiares, abriu portas"

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