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Lembrado como jogador, Kobe Bryant já foi herói da Marvel e ganhou um Oscar

Rafael Rodrigues da Silva

Neste domingo (26), a morte de Kobe Bryant chocou o mundo dos fãs do esporte. Além de ter protagonizado no basquete por 20 temporadas pelos Lakers, algo desconhecido por muita gente é de que Kobe era uma figura reconhecida não apenas em quadra, mas também lembrada no ramo do entretenimento.

Dois casos mais antigos e que contam com a presença do atleta como um personagem dos quadrinhos foram lembrados por Joe Quesada, ex-editor e atualmente diretor de comunicação da Marvel Comics. Ele lembra que em 2010, em uma colaboração entre a Marvel e a ESPN, onde cada um dos 30 times da NBA ganhou sua própria versão de “capa de revista” de heróis da Marvel, Kobe foi transformado no Homem-de-Ferro de Los Angeles. A capa acabou se tornando uma espécie de “previsão”, já que três anos depois da publicação desta arte, Kobe rompeu o tendão de Aquiles durante uma tentativa de cesta que foi impedida por falta do adversário, mas se recusou a sair de quadra sem bater os dois lances-livres aos quais tinha direito. Mesmo com uma lesão que impede a maioria das pessoas de conseguir encostar o pé no chão sem gritar de dor, Kobe arremessou e converteu seus dois lances livres antes de ser tirado de quadra e levado ao médico — o tipo de coisa que só um “homem de ferro” seria capaz de fazer.

Ilustração da ESPN que transformou Kobe Bryant no Homem-de-Ferro (Imagem: ESPN)

Kobe também aparece como figura central na ilustração de capa desta mesma matéria, vestindo a Manopla do Infinito com cinco Jóias. Cada uma das jóias representa um título que ele ganhou com os Lakers — todos durante a década de 2000 — e, ao redor dele, além de alguns heróis conhecidos da Marvel, é possível ver os atletas que, na época, ameaçavam tomar o lugar de Kobe como figura central da NBA: Rajon Rondo (na época jogando no Boston Celtics), LeBron James (que havia acabado de se transferir para o Miami Heat) e Dwight Howard (que ainda estava no Orlando Magic mas meses depois da publicação seria transferido para os Lakers e jogaria ao lado de Bryant).

Nos anos 2000, Kobe tinha o controle de toda a NBA em suas mãos (Imagem: ESPN)

Além de já ter aparecido como personagem da Marvel, Kobe Bryant também deixou sua marca no cinema, tendo ganhado em 2018 o Oscar por Melhor Curta de Animação com Dear Basketball, uma animação stop-motion baseada na carta que o astro escreveu para anunciar a sua aposentadoria do basquete. O vídeo de quase quatro minutos que conta com trilha sonora de John Williams (de filmes como Star Wars, Indiana Jones e Tubarão) narra o amor que Kobe sempre sentiu desde criança pelo jogo de basquete (e que, segundo o próprio já declarou inúmeras vezes, foi um amor criado principalmente ao ver o brasileiro Oscar Schmidt jogar) e que se torna ainda mais comovente agora que ele não está mais entre nós.

A tragédia

Kobe e a filha Gianna Bryant estavam no helicóptero que caiu no domingo (Imagem: Ethan Miller)

Kobe Bryant morreu neste domingo (26), aos 41 anos, vítima de um acidente de helicóptero. Além do atleta, estavam também no veículo Gianna (Gigi) Bryant, a segunda filha de Kobe, com apenas 13 anos, e que seguia os passos do pai, já sendo considerada como uma das mais talentosas atletas do basquete feminino na faixa de idade dela. Além dos dois, também estavam presentes no acidente outras sete pessoas cujas identidades não foram confirmadas para a imprensa. Segundo relatos, estariam uma outra atleta do time de Gigi, além dos pais da adolescente. Nenhum dos nove ocupantes do helicóptero sobreviveu ao acidente.

Como atleta, Kobe obteve enorme sucesso na carreira, sendo campeão da NBA cinco vezes, tendo ganhado 4 vezes o prêmio de MVP (dado ao melhor jogador de uma temporada da NBA) e sendo convocado para o Jogo das Estrelas (um final de semana de festa onde os melhores jogadores da NBA são convocados para um “rachão”) em 18 das 20 temporadas em que atuou na Liga. O atleta também era considerado como presença certa para ser conduzido ao Hall da Fama do basquete em 2021, quando iria completar cinco anos da data de sua aposentadoria — o período mínimo para que um jogador seja alçado a esse posto.

Já a vida pessoal de Kobe é algo um pouco mais complicado: em 2003, Kobe foi acusado de ter estuprado uma jovem de 19 anos que trabalhava em um hotel onde ele havia ficado hospedado. Durante o processo, Kobe admitiu que havia tido um caso sexual com a moça, mas negou as acusações de estupro. O processo acabou não indo a júri e foi negociado um acerto entre as partes fora dos tribunais, e após esse acerto o atleta veio a público assumir o erro e se desculpar pela conduta indevida, mas sempre negando que ele teria tido a intenção de abusar sexualmente da jovem de maneira proposital.

Kobe Bryant não era apenas um símbolo dos Lakers, mas de toda a cidade de Los Angeles (Imagem: via O Globo)

Desde então, Kobe vinha se dedicando a tentar ser um pai presente para suas quatro filhas, e investindo boa parte de sua fortuna em projetos sociais para ajudar as comunidades mais pobres de Los Angeles e garantir as crianças desses locais uma oportunidade de fugir da vida das drogas e do crime através do esporte.

Mais do que um atleta, Kobe Bryant era uma símbolo da cidade de Los Angeles como um todo, tendo sido o único da história a ficar vinte anos jogando por um mesmo time da cidade. Assim, podemos esperar que nos próximos dias teremos uma série de homenagens a ele, não apenas da NBA e dos atletas da Liga, mas de toda uma classe de artistas, figuras do entretenimento e qualquer outra pessoa que passou as últimas duas décadas gritando “KOBE!!!!” toda vez que precisava jogar uma bolinha de papel no lixo.

Fonte: Canaltech

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