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Lemann diz que Brasil pode ter alcançado imunidade de rebanho, mas foi menos disciplinado

EDUARDO CUCOLO
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***ARQUIVO***POÁ, SP, 12.02.2019: Retrato do fundador do 3G Capital e da Fundação Estudar, Jorge Paulo Lemann, na sede da ONG Gerando Falcões, em Poá, na Grande São Paulo. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***POÁ, SP, 12.02.2019: Retrato do fundador do 3G Capital e da Fundação Estudar, Jorge Paulo Lemann, na sede da ONG Gerando Falcões, em Poá, na Grande São Paulo. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil é um dos países que foram menos disciplinados no enfrentamento da pandemia, mas os números sobre a Covid-19 têm melhorado e é possível que o país tenha desenvolvido algum tipo de imunidade de rebanho, afirmou nesta terça-feira (17) o investidor Jorge Paulo Lemann, fundador do fundo 3G Capital.

Em entrevista à TV Bloomberg, Lemann disse que ainda é cedo para saber qual país adotou a melhor estratégia na área de saúde para enfrentar a pandemia, mas que aqueles que, como o Brasil, deixaram as coisas mais soltas estão se saindo pior do que os que foram mais disciplinados.

Questionado sobre como avalia a forma como os países lidaram com a pandemia, afirmou que Alemanha, China e Correia do Sul trataram a questão de forma muito organizada, com muitos testes e disciplina, enquanto outros deixaram as coisas mais soltas, como Suécia e Brasil.

"O sistema brasileiro é mais difícil de ser disciplinado. Você tem muitas favelas aqui. Você tem muitas pessoas. É mais difícil testá-las. É mais difícil dizer que não podem sair na rua. Muitos dependem de sair para trabalhar", afirmou.

"Acho que levará tempo para descobrir quem realmente se saiu bem. O que me parece é que aqueles que foram mais disciplinados, foram testados, usaram máscaras, evitaram grandes encontros provavelmente estão se saindo melhor que aqueles que deixaram as coisas soltas. O Brasil não é um desses que têm sido muito disciplinados, e os resultados não parecem bons, mas o verão está chegando agora e talvez já tenhamos desenvolvido algum tipo de imunidade de rebanho aqui. Os números têm melhorado nas últimas semanas. Então temos de esperar pelo melhor."

O projeto Comprova, coalizão que reúne 28 veículos na checagem de conteúdos, verificou há menos de um mês não haver dados que indiquem que o país já teria alcançado os percentuais necessários para uma proteção coletiva capaz de frear o vírus Sars-CoV-2.

De acordo com a reportagem, a imunidade de rebanho é um conceito com origem na proteção proporcionada pelas vacinas, e não naturalmente pelas doenças.

Lemann também comentou o financiamento para realização de testes no Brasil da vacina que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford, junto ao laboratório farmacêutico britânico AstraZeneca.

"Nós fomos contatados pela Fundação Gates, que tem muita experiência na área de medicina e vacinas. Eles nos pediram para ajudar a Astrazeneca e o grupo Oxford a testar a vacina no Brasil. Financiamos o teste, que está acontecendo em São Paulo. Também há testes no Rio de Janeiro sendo feitos por mais alguém. Teremos os resultados destes testes nas próximas semanas. As informações que eu tenho as coisas parecem boas", afirmou.

Sobre os investimentos do grupo 3G, ele afirmou que as oscilações no mercado de capitais são altas, a pandemia está lá fora, os negócios ainda caminham lentamente, há boas notícias sobre a vacina, mas ainda leva tempo para que isso seja efetivo.

Por isso, o 3G não planeja nenhuma nova aquisição de empresas, nenhum movimento agressivo no segmento de consumo e que o grupo está agindo de maneira mais cautelosa e focado em fazer seus negócios sobreviverem bem ao momento atual e operarem de maneira eficiente.

"Nós estamos realmente focados nas coisas que já temos e em como fazê-las melhor", afirmou.

Lemann disse que está procurando novos investimentos na área de tecnologia, na qual o grupo já tem alguns negócios, citando que há bons empreendimentos no Brasil e no exterior e bons resultados obtidos na China.