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Lelouch retorna aos amores de 'Um Homem, Uma Mulher' após meio século

·4 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "A vida quis assim." É dessa forma que Claude Lelouch justifica seu retorno a "Um Homem, Uma Mulher", seu filme de maior sucesso. Separado dele por meio século, "Os Melhores Anos de Uma Vida", que estreia nesta semana, retoma a história de amor de Anne e Jean-Louis, que conquistou a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de roteiro original em 1966 e 1967.

"Não fui eu que decidi voltar ao filme, foi a vida. Os atores estavam vivos, eu estava vivo, então achei que era para ser. Sabe, nem todos os filmes terminam sua história. Eles sempre param em algum momento anterior ao fim", diz Lelouch por videoconferência.

Foi com isso em mente que o cineasta francês resolveu criar o que chama de epílogo para o romance originado nos anos 1960. Mas essa não é a primeira vez que ele e os atores Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant se juntam para prolongar esse supostamente inexistente fim de "Um Homem, Uma Mulher".

Em 1986, "Um Homem, Uma Mulher: 20 Anos Depois" fez o mesmo, embora a estreia de agora mostre que, ainda assim, algumas pontas desse romance ficaram soltas. Em "Os Melhores Anos de Uma Vida", os rostos de Aimée e Trintignant aparecem bem mais envelhecidos -eles não são mais os jovens de 30 e poucos anos recém-enviuvados, que se envolvem de forma intensa no filme original.

A história de amor é mais uma vez retomada com os dois separados. O cara namorador de outrora agora está numa casa de repouso, com as memórias embaralhadas. Para o ajudar, o filho procura Anne, a mulher sobre a qual ele não para de falar. Uma vez reunidos, os dois conversam sobre a paixão que viveram e as marcas que um deixou no outro.

Lelouch envelheceu ao lado de seu elenco e de seus personagens. Hoje aos 83 anos, ele diz que "Os Melhores Anos de Uma Vida" é um retrato das relações amorosas de toda uma geração -o que não torna este trabalho mais importante que seus anteriores, que ele também vê como pedaços de uma autobiografia, reflexos dos corações apaixonados de seu tempo.

"Nos meus filmes eu não falo sobre nada além dos homens e mulheres que cruzaram meu caminho. Eu não invento essas histórias, eu trabalho com um grande roteirista que se chama vida -é o melhor do mundo", diz ele. "Todos os meus personagens de fato existem."

Esse sentimento de pertencer a suas tramas, de carregar consigo um pouco de cada personagem, pode ser fruto da crença inabalável de Lelouch no amor. Há um certo clichê francês no meio disso, ele concorda, mas seus trabalhos versaram sobre o tema por tanto tempo e de forma tão passional que é fácil descrever o cineasta como um romântico incorrigível.

"É por isso que eu gosto da França e dos franceses, porque a prioridade na nossa casa é o amor. A humanidade tem duas grandes obsessões, o amor e o dinheiro, mas o dinheiro não torna ninguém feliz", afirma.

No novo filme, Lelouch mostra um lado pouco explorado desse sentimento no cinema --o amor na terceira idade. Com ele, em "Os Melhores Anos de Uma Vida", vêm também as frustrações e os arrependimentos de uma trajetória já perto do fim, que reserva pouco espaço para correções e mudanças de planos.

Nem por isso a relação dos dois protagonistas perdeu a intensidade --eles foram para caminhos opostos, mas 50 anos depois ainda conseguem se reconhecer um no outro. É como se, no novo título, Anne e Jean-Louis não apenas revisitassem sua história, mas começassem uma nova. "É possível amar em todas as idades, afinal, existem 1.001 maneiras de fazer amor, de simplesmente dar a mão a alguém", resume Lelouch.

É uma lição que o cineasta toma para a vida e a carreira. Seu próximo filme, atualmente na pós-produção, leva o nome "L'Amour c'est Mieux que la Vie" -o amor é melhor que a vida, em francês. A política, afinal, pouco interessa a ele, diz.

Lelouch não pretende se desvencilhar do sentimentalismo tão cedo. Incansável, ele não cogita uma aposentadoria e acredita que chegou a uma idade em que a única coisa que resta é o presente -"para mim, cada minuto equivale a um ano". Por isso, ele quer trabalhar em mais e mais projetos, como se os filmes de agora formassem uma espécie de herança. "Nós damos muita importância às últimas palavras."

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