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Leilão do Tesouro e exterior negativo impõem alta forte aos juros futuros

Victor Rezende
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Em um dia avesso a risco nos mercados internacionais, o leilão semanal de títulos públicos do Tesouro Nacional voltou ao foco dos investidores e gerou estresse adicional nos juros futuros, especialmente nos trechos intermediários da curva a termo. Por volta de 13h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subia de 3,19% no ajuste anterior para 3,40%; a do DI para janeiro de 2023 avançava de 4,55% para 4,70%; a do contrato para janeiro de 2025 escalava de 6,42% para 6,60%; e a do DI para janeiro de 2027 passava de 7,36% para 7,54%. As preocupações com a segunda onda de casos de covid-19 na Europa se somam à declaração do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, de que um novo pacote de estímulos não deve sair antes das eleições e deixaram os mercados apreensivos desde o início do dia. A divulgação dos editais do leilão do Tesouro intensificou o sentimento no mercado de juros, com a oferta de R$ 4 milhões em dv01, métrica associada à variação das taxas de juros, com o Tesouro oferecendo 7 milhões de LTN de longo prazo (para janeiro de 2024). O montante foi vendido integralmente, mas gerou um estresse no miolo da curva, já que o prêmio em relação aos juros futuros atingiu 33,4 pontos-base, acelerando em relação aos leilões anteriores. Além disso, a ação coordenada entre BC e Tesouro conseguiu, de fato, aumentar a demanda por LFTs, mas, mesmo assim, foram vendidas apenas 383,2 mil LFTs, ante uma oferta de até 1 milhão de papéis. Em solo internacional, destaque para a forte aversão a risco nos mercados de renda fixa europeus. Por lá, a demanda pelos papéis mais seguros, como os Bunds, faz a curva de juros alemã operar toda no negativo, com as taxas dos Bunds de 30 anos no menor nível desde março. Já os rendimentos do BTP italiano de dez anos operam em alta, diante da busca por segurança.