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Leilão de linhas de transmissão vai testar apetite de investidor

Mario Sergio Lima
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O próximo leilão de linhas de transmissão de energia será o primeiro grande teste do interesse de investidores no programa de concessões do país desde o início da pandemia, segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica.

Em entrevista recente, André Pepitone disse que o leilão agendado para 17 de dezembro deve gerar R$ 7,4 bilhões em investimentos em infraestrutura e já atraiu o mesmo nível de atenção no exterior como o processo de licitações do ano passado, quando empresas de nove países participaram.

Neste ano, a Aneel quer trazer ainda mais participantes para compensar a crise econômica causada pelo coronavírus. A competição acirrada, disse Pepitone, pode significar tarifas mais baixas para os consumidores mais afetados quando as linhas estiverem operando.

“Essa é a melhor contribuição que o setor elétrico pode oferecer à recuperação econômica”, disse por telefone.

O governo vai oferecer licenças para a construção e operação de quase 2 mil quilômetros de linhas de transmissão em todo o país, de São Paulo à região Amazônica. Embora nenhuma delas deva cobrir o Amapá, que enfrenta um prolongado apagão, os leilões devem fornecer mais segurança na transmissão de energia e evitar apagões como o que está acontecendo atualmente, segundo a Aneel.

Presença chinesa

A agência não busca apenas atrair novos investidores, mas também espera forte participação de empresas domésticas, além de grupos da China e da Espanha, que já têm forte presença no país. Pepitone descartou temores de que os recentes comentários hostis do presidente Jair Bolsonaro e integrantes do governo contra Pequim possam reduzir o apetite de gigantes como a State Grid.

“Aqui não olhamos os passaportes dos investidores, apenas queremos que eles venham”, disse Pepitone.

Como a Covid-19 adiou vários planos de concessão do governo, o sucesso da rodada de licitações será fundamental, já que a expectativa da Aneel é atrair R$ 88 bilhões em investimentos em transmissão e geração de energia com leilões até o fim de 2022.

Embora a forte alta do dólar neste ano possa dar vantagem aos estrangeiros no leilão do próximo mês, Pepitone disse que empresas nacionais também estão capitalizadas graças às linhas de crédito disponibilizadas durante a pandemia.

O Brasil apresenta uma das maiores oportunidades globais para projetos de linhas de energia greenfield, disse Pepitone. As regras do leilão não foram alteradas em relação aos anos anteriores: vence quem oferecer o maior desconto para a remuneração do investimento proposto. Não há ganhos fiscais imediatos para o governo, pois as empresas não precisam pagar a outorga à vista, mas serão responsáveis pela construção e manutenção da infraestrutura.

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