Mercado fechará em 5 h 40 min
  • BOVESPA

    109.903,66
    +502,25 (+0,46%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.799,46
    -434,91 (-0,85%)
     
  • PETROLEO CRU

    75,88
    -1,05 (-1,36%)
     
  • OURO

    1.790,80
    +9,50 (+0,53%)
     
  • BTC-USD

    17.025,05
    -224,42 (-1,30%)
     
  • CMC Crypto 200

    401,57
    -9,64 (-2,35%)
     
  • S&P500

    3.998,84
    -72,86 (-1,79%)
     
  • DOW JONES

    33.947,10
    -482,78 (-1,40%)
     
  • FTSE

    7.540,20
    -27,34 (-0,36%)
     
  • HANG SENG

    19.441,18
    -77,11 (-0,40%)
     
  • NIKKEI

    27.885,87
    +65,47 (+0,24%)
     
  • NASDAQ

    11.798,00
    -7,75 (-0,07%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    5,5170
    -0,0164 (-0,30%)
     

Lei de Cotas facilitou contratação de negros, diz executiva da Ambev

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Contratar pessoas negras não tem sido um desafio para a Ambev. Segundo a executiva Carla Crippa, vice-presidente de relações com a sociedade, a Lei de Cotas facilitou esse processo.

"Quando fomos atrás dos candidatos, eles estavam lá", afirmou durante o Fórum Brasil Diverso, evento realizado nesta terça-feira (8) em São Paulo e que debateu questões ligadas a diversidade e inclusão nas organizações.

O desafio maior, afirma Crippa, é treinar as lideranças que se relacionam com os funcionários negros.

"Na maioria das vezes é um líder branco, que não está preparado para lidar com aquela diversidade. Vai num almoço com um candidato bolsista e fica falando de viagens internacionais", disse. "Muitas vezes os trainees reclamam que não têm como conversar, não têm assunto, não conseguem fazer networking", acrescentou.

A executiva disse que a virada de chave para a Ambev veio após o reconhecimento de que o que estava sendo feito não era o suficiente.

Segundo ela, não fazia sentido uma empresa com mais de 50% de pessoas negras no quadro de funcionários ter a grande maioria das posições de liderança preenchida por brancos.

Idealizador do fórum, o ex-secretário de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo Maurício Pestana disse que as empresas não podem mais fugir da pauta racial e que algumas grandes lideranças já entenderam que não implementar políticas para enfrentar a desigualdade significa perder mercado e investimentos.

A questão agora é enfrentar não só os vieses inconscientes, mas os conscientes também.

"Nós estamos melhor do que há cinco, oito anos, e esse número maior de negros e negras que estão chegando [no mercado] está causando certa estranheza", disse. "Muitas pessoas vão começar a querer barrar esse avanço, que é um avanço de quem esperou mais de cem anos para ser incluído."

Em sua oitava edição, o e vento reuniu especialistas e lideranças empresariais. Entre os temas discutidos, teve destaque a importância de ações afirmativas num ano em que se celebram os dez anos da criação da Lei de Cotas.

Contratar, capacitar e promover representatividade. Essas são algumas das estratégias que uma companhia pode adotar para melhorar a diversidade de seu quadro de funcionários, diz Kwami Alfama, CEO da francesa Tereos Amido & Adoçantes no Brasil e um dos raros negros no comando de uma empresa multinacional.

O executivo participou de um dos painéis do fórum e abriu sua fala comentando como se sente sendo exceção no mercado. "É algo que me incomoda bastante quando falamos em 'único CEO negro' ou 'meia dúzia'. É extremamente impactante escutar isso."

Na visão de Alfama, a ausência de pessoas negras em cargos de liderança é resultado de três fatores, sobretudo. O primeiro deles é a falta de oportunidade. "A nossa construção histórica e social perpetua a ideia de que o homem branco, hétero e sem deficiência é um profissional mais bem preparado para espaços de poder", comenta.

Essa dinâmica, diz ele, costuma se repetir nas empresas, seja nas contratações, promoções ou avaliações de desempenho. "Por isso acho tão importante as ações afirmativas, pois elas provocam uma fissura nesse comportamento."

O segundo fator mencionado por Alfama é a falta de representatividade. O executivo, que é natural de Cabo Verde, comentou como a presença de pessoas negras ocupando cargos políticos e o topo de grandes empresas --algo normal em seu país, afirma-- tem impacto positivo na perspectiva e na carreira das pessoas. "Infelizmente isso não acontece no Brasil. Estou aqui há 26 anos e falo com propriedade que isso é um problema."

O terceiro fator são os desafios de capacitação de pessoas negras, não só no início da carreira, mas até para quem já ocupa posições de liderança.