Mercado fechará em 4 h 17 min

LCA melhora expectativa de PIB e passa a prever queda de 4,3% em 2020

Arícia Martins
·2 minuto de leitura

Revisão é atribuído ao desempenho do comércio, do consumo das famílias e das exportações Devido ao desempenho “algo melhor” do que o previsto da atividade econômica, a LCA Consultores voltou a melhorar a estimativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Em cenário semanal divulgado ontem à noite, a consultoria informa que passou a esperar retração de 4,3% da economia brasileira este ano. A previsão anterior era de queda de 4,8%. “A revisão na projeção ocorreu sobretudo pelo melhor desempenho esperado para o comércio, pela ótica da oferta, e nos componentes de consumo das famílias e exportações, pelo lado da demanda”, diz a LCA. Nas novas projeções da consultoria, o PIB dos serviços, onde está inserida a atividade do comércio, terá baixa de 4,6% em 2020, enquanto o consumo vai diminuir 5,8% e as exportações de bens e serviços vão avançar 2,9%. A expectativa da instituição para o crescimento em 2021, por sua vez, foi mantida em 3,2%, o que, na visão da LCA, seria uma “expansão moderada”. “Isso, sobretudo, porque as restrições fiscais impedirão uma renovação expressiva dos estímulos que têm reforçado a renda e o consumo das famílias”, afirmam os economistas da consultoria. “Ademais, a inflação algo mais salgada, principalmente de alimentos, tenderá a pesar sobre os orçamentos familiares – sobretudo nos domicílios de baixa renda”, acrescentam. As estimativas da LCA para a inflação também mudaram, tanto para este ano quanto para o próximo. A projeção para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2020 passou de 2,8% para 3,1%. Já para 2021, foi elevada a 3,6%, vindo de 3,2%. Segundo a consultoria, “não é desprezível” o risco de que o indicador oficial de inflação supere a meta de 3,75% no ano que vem, mas por ora essa não parece a hipótese mais provável. Por fim, a consultoria informa que também alterou suas perspectivas para a condução da política monetária. Como o Banco Central deve passar a aumentar a Selic mais cedo – já no começo do segundo semestre de 2021, e não apenas em outubro, conforme esperado antes –, a LCA ajustou a projeção para a taxa ao fim do próximo ano, de 2,5% para 3% ao ano. “A despeito de continuarmos a projetar inflação dentro da meta nos próximos anos, julgamos conveniente promover essa mudança na projeção para o juro básico porque, com a revisão na nossa curva para o IPCA, a inflação acumulada em 12 meses deverá superar 5% em meados do ano que vem”, explica a LCA. Essa situação deve ser transitória, mas mesmo assim levará o Comitê de Política Monetária (Copom) a agir de forma preventiva para evitar desancoragem das expectativas inflacionárias, avalia a equipe econômica da consultoria. Melhor desempenho do comércio é um dos motivos por trás da melhora na previsão para o PIB de 2020 Hermes de Paula / Agencia O Glob/Agência O Globo