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Lava-Jato de SP denuncia ex-executivos por suspeita de cartel em obras do metrô em 8 capitais

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Força-tarefa sustenta que o grupo, batizado de "Tatu Tênis Clube", definia as regras para dividir as licitações e a compensação financeira de cada um A força-tarefa da Lava-Jato do Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) denunciou hoje cinco ex-executivos de empreiteiras por suspeita de formação de cartel entre 1998 e 2014 para fraudar licitações em obras de transporte público, em especial contratos de metrô, em oito capitais do país. Foram denunciados à Justiça Benedicto Barbosa da Silva Júnior (ex-diretor de infraestrutura da Odebrecht), Márcio Magalhães Duarte Pinto (ex-diretor de finanças da Andrade Gutierrez), Othon Zanoide de Moraes Filho (ex-diretor de desenvolvimento comercial da Queiroz Galvão), Saulo Thadeu Catão Vasconcelos e Dalton dos Santos Avancini (ex-diretores de transportes da Camargo Corrêa). Caberá à Justiça definir se acata ou não a denúncia. Se aceita, os denunciados responderão por crimes contra a ordem econômica. As acusações, segundo a força-tarefa, recaem sobre as licitações das linhas 2, 4 e 5 do Metrô de São Paulo, as linhas 3 e 4 no Rio de Janeiro e a construção ou expansão de ramais em Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Porto Alegre. De acordo com o MPF-SP, também fizeram parte de negociações do grupo as licitações para o monotrilho na região metropolitana da capital paulista também fizeram parte das negociatas, entre eles o chamado Expresso Tiradentes, ligando bairros da zona leste da cidade, e a Linha-17 Ouro, na zona sul. A força-tarefa sustenta que o grupo, batizado de "Tatu Tênis Clube", definia as regras para dividir as licitações e a compensação financeira de cada um. Os procuradores afirmam que o esquema perdeu força em 2010 em razão da abertura do mercado para concorrência internacional e o ingresso de mais empresas qualificadas para participar das concorrências. Último dia Pela manhã, a força-tarefa de São Paulo denunciou ex-diretores da Dersa (estatal paulista de rodovias) sob acusação de lavagem de dinheiro de propina. Os valores, segundo a acusação, foram pagos para favorecer empreiteiras em obras tocadas nas gestões dos ex-governadores tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. São denunciados os ex-diretores de engenharia Mário Rodrigues Júnior e, pela quinta vez na Lava-Jato paulista, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. As denúncias apresentadas hoje marcam o último dia de trabalho da composição atual da força-tarefa de São Paulo. No começo de setembro, sete integrantes do grupo pediram desligamento em razão de divergências internas. Evandro Monteiro/Valor