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Latam ainda não vê impacto do coronavírus no tráfego de passageiros na América do Sul

Cibelle Bouças

A empresa afirmou também que está acompanhando de perto o cenário de disseminação da doença A Latam informou em teleconferência para analistas de mercado, nesta quarta-feira, que não vê ainda impacto do avanço do coronavírus no tráfego de passageiros na América do Sul.

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“Estamos acompanhando de perto o cenário de disseminação da doença e estamos em contato constante com as autoridades dos países para administrar a situação da melhor forma possível”, afirmou Roberto Alvo, presidente do Grupo Latam, que assumiu o comando da companhia neste mês.

Até agora, apenas a Latam Brasil suspendeu, até 16 de abril, os voos que oferece de Guarulhos (SP) para Milão, na Itália. A companhia informou que suspendeu os voos devido à propagação do vírus na Itália e à queda na demanda por essa rota.

Apesar dessa suspensão, Alvo disse que não vê nenhum impacto financeiro para a companhia por causa do coronavírus. O executivo acrescentou que o número de voos para a Itália é pequeno (sete por semana). Além disso, a companhia não oferece voos para países onde a epidemia é mais intensa, como Irã e China.

Alvo disse que é difícil prever neste momento qual poderá ser o impacto do avanço da doença nos negócios da companhia ao longo do ano, mas que dentro de algumas semanas espera ter um cenário mais claro.

Ele ponderou que o setor aéreo chegou a ter queda de dois dígitos na demanda durante a crise causada pela gripe aviária, em 2005, o pior efeito registrado pelo setor aéreo por causa do alastramento de uma doença.

A Latam informou também que espera um crescimento de dois dígitos na demanda de passageiros no Brasil durante o primeiro semestre de 2020, em comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Para o ano, a companhia havia informado ontem à noite que prevê um crescimento de 7% a 9% na demanda no Brasil.

Alvo disse que o aumento mais forte na primeira metade do ano deve-se à base de comparação mais fraca do ano passado, quando a Avianca Brasil (Oceanair) ainda operava no país. A empresa suspendeu totalmente as operações no fim de maio de 2019.

Ao longo do segundo semestre, a Latam Brasil e outras companhias do setor arrendaram aviões que eram usados pela Avianca Brasil ou fizeram novos contratos de arrendamento no mercado para fazer frente ao súbito aumento da demanda decorrente da oferta deprimida.

“Devemos ter melhora no desempenho do primeiro trimestre no Brasil. No segundo trimestre, vamos ver como o mercado vai se desenvolver, mas a expectativa é de um crescimento forte porque a Avianca Brasil ainda operava”, disse Alvo.

No segundo semestre haverá uma desaceleração porque a base comparativa é mais alta, segundo o executivo.

A Latam Brasil apresentou no quarto trimestre de 2019 um crescimento de 17,7% na oferta de assentos. A demanda de passageiros, por sua vez, cresceu 20%. A taxa média de ocupação dos voos foi de 85,2%, com aumento de 1,7 ponto percentual. A receita unitária por assento cresceu 5,9%, para 7 centavos de dólar, o maior crescimento da companhia no mundo. Em reais, o aumento foi de 13%.

Reforma das aeronaves

A Latam espera concluir neste ano a reformulação das cabines de seus aviões. Em agosto do ano passado, a companhia informou que pretendia investir em torno de US$ 500 milhões na remodelação de aviões da sua frota no prazo de dois anos, sendo cerca de metade desse valor na operação do Brasil.

Desse valor, US$ 200 milhões serão gastos com as cabines dos aviões. O valor restante será investido em tecnologias para melhorar a oferta de serviços para os clientes. “A companhia ainda carrega para este ano investimentos significativos na remodelação de aeronaves. É a prioridade de investimento para este ano”, afirmou Alvo.

O Grupo Latam reduziu em US$ 1,1 bilhão o seu plano de investimento em frota para o período de 2020 a 2022. O plano agora é receber neste ano 5 aviões, e não mais 11, e ter um gasto de US$ 408 milhões, ante projeção anterior de US$ 708 milhões. Para 2021, a companhia espera agora receber 12 aviões, ante 15 na previsão anterior, com gasto de US$ 773 milhões, ante US$ 1,12 bilhão prevista antes. Para 2022, a Latam espera um gasto de US$ 574 milhões, ante previsão anterior de US$ 990 milhões e espera receber neste ano 11 aeronaves, uma a menos do que no plano anterior.

“O plano novo dá flexibilidade para a companhia ajustar sua frota à demanda do mercado”, afirmou Andres Osorio, diretor financeiro do Grupo Latam.