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Lane, do BCE, minimiza temores sobre salários e núcleo da inflação

Economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane

FRANKFURT (Reuters) - O crescimento dos salários na zona do euro pode continuar elevando a inflação por anos, mas isso não sinaliza uma mudança permanente na dinâmica salarial e os indicadores atuais sobre o núcleo da inflação podem ser enganosos, disse o economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, nesta sexta-feira.

O crescimento dos salários tem sido um dos principais focos das autoridades este ano devido ao temor de que as empresas sejam forçadas a aumentar a remuneração para compensar a inflação, desencadeando uma espiral de preços e salários difícil de quebrar, o que pode forçar o BCE a manter os juros altos por muito tempo.

Embora essa espiral não seja evidente por enquanto, algumas autoridades, incluindo a membro do conselho do BCE Isabel Schnabel, defenderam uma ação preventiva, pois desfazer essas pressões salariais é mais custoso do que agir antecipadamente.

Lane, que propõe formalmente medidas de política monetária ao conselho de diretores que define os juros, adotou uma visão mais comedida em uma publicação de blog, argumentando que o rápido crescimento salarial pode durar anos após o choque de energia desaparecer, mas isso não significa automaticamente uma dinâmica alterada.

“A natureza escalonada da fixação de salários significa que o ajuste dos salários nominais ao aumento cumulativo do custo de vida ocorrerá ao longo de vários anos”, disse Lane na publicação.

“Isso significa que, mesmo depois que os fatores de energia e pandemia desaparecerem das medidas de inflação, a inflação salarial será o principal fator de aumento dos preços nos próximos anos”.

Ainda assim, isso é algo limitado ao tempo e não deve ser mal interpretado para sinalizar uma mudança mais permanente na dinâmica salarial, escreveu Lane.

Ele também alertou contra tirar conclusões apressadas dos dados atuais da inflação subjacente, um foco importante de várias autoridades do BCE, porque podem estar distorcidos pelo choque econômico incomum da pandemia e pelo choque de energia.

"Os valores atuais dessas medidas podem exagerar o componente persistente de médio prazo da inflação neste ambiente altamente atípico", disse Lane.

"É improvável que as medidas padrão da inflação subjacente estejam enviando os mesmos sinais sobre a provável persistência da dinâmica da inflação do que sob condições macroeconômicas mais normais", acrescentou.

(Reportagem de Balazs Koranyi)