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Lançamento de telescópio para estudo de exoplanetas é adiado

Por Laurence COUSTAL
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O lançamento do telescópio espacial Cheops, dedicado ao estudo de exoplanetas, que deveria deixar a Guiana Francesa nesta terça-feira a bordo de um foguete russo Soyuz, foi adiado para quarta-feira e investigações estão em andamento.

"Uma análise das causas (da falha) está em andamento para resolver o problema. Foi tomada a decisão de adiar o lançamento para uma nova data: 18 de dezembro às 11h54, horário de Moscou (5h54 de Brasília)", disse a agência espacial russa em comunicado divulgado em seu site.

"Durante as últimas operações antes da decolagem do lançador Soyuz ST-A com um grupo de naves espaciais comerciais, o equipamento automatizado detectou uma falha nos sistemas de controle", acrescentou a Roskosmos.

"Investigações em andamento de acordo com procedimentos padrão. Mais detalhes são esperados ainda hoje. Go VS23, go!", tuitou Stéphane Israël, presidente da Arianespace.

Quase 4.000 exoplanetas - orbitando uma estrela que não seja o Sol - foram detectados desde a descoberta do primeiro, 51 Pegasi b, há 24 anos.

"Desde então, sabemos que existem planetas em todos os lugares, que cerca de uma estrela em cada duas tem sua procissão de planetas. Agora queremos ir além das estatísticas e estudá-las em detalhes", disse David Ehrenreich, cientista responsável pela missão.

O objetivo do Cheops (CHaracterising ExOPlanet Satellite) não é encontrar novos exoplanetas, mas analisar aqueles já identificados, para tentar entender do que eles são feitos, um passo na longa busca por condições de forma de vida extraterrestre, mas também das origens da Terra.

- Periferia do Sol -

Embutido em um satélite, o telescópio orbitará 700 km acima da Terra, para não ser perturbado pela atmosfera, e acessará todo o céu, com o Sol nas costas.

Seu objetivo: Proxima Centauri, 55 Cancri, Koro 1 ... pelo menos 400 sistemas planetários, a algumas centenas de anos-luz de distância - a "perifeira próxima" do Sol na escala da Via Láctea.

Os dados coletados por Cheops, combinados com as informações coletadas pelos telescópios terrestres, possibilitarão medir a densidade, um parâmetro essencial para determinar a composição do planeta. Um critério fundamental para definir a probabilidade de um planeta abrigar vida.

Mas a missão também estudará os chamados planetas "não habitáveis", para entender toda a sua diversidade. "Ao observar exoplanetas, percebemos que o sistema solar é completamente atípico", observou Francis Rocard, planetologista do CNES: em outros partes, existem objetos que não existem aqui, mininetunos, superterras com grandes envelopes de gás, júpiteres quentes"...

O lançador médio da Soyuz, do qual é o terceiro lançamento do ano, decolaria às 05h54 do Centro Espacial da Guiana. Mas "durante as operações finais do voo VS23, a sequência automática do lançador da Soyuz foi interrompida", disse Arianespace em comunicado à imprensa.

A Soyuz também levaria o satélite de observação da Terra COSMO-SkyMed Second Generation, para a Agência Espacial Italiana (ASI) e o Ministério da Defesa italiano. E três cargas auxiliares: Angelss, primeiro nanossatélite produzido e financiado pelo CNES francÊs; Eyesat, também financiado pelo CNES; e Ops-Sat, em nome da ESA.