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Lançamento rápido em streaming não atrapalha bilheteria de cinema, diz estudo

Felipe Demartini
·2 minuto de leitura

Uma pesquisa realizada na Coreia do Sul revelou que uma janela de lançamento mais curta entre a chegada de um filme aos cinemas e, depois, ao streaming não atrapalha as bilheterias e ainda aumenta o faturamento total dos estúdios. O estudo foi feito a pedido das próprias distribuidoras, com o intuito de medir o impacto da pirataria caso os longas estivessem disponíveis online de forma simultânea a muitas salas.

A pesquisa considerou um intervalo de quatro semanas entre a estreia nos cinemas e o lançamento no streaming, em um formato que é conhecido como “Super Premium” na Coreia do Sul e vem sendo testado pelas distribuidoras por lá. Além disso, a escolha do país considera o fato de que este é o quarto maior mercado de cinema do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão, o que permitiria uma observação maior de eventuais distorções ou mudanças nos números.

Entretanto, isso quase não aconteceu no caso das bilheterias. De acordo com a Universidade Carnegie Mellon, houve uma redução de 1% nas vendas de ingressos para os filmes lançados no streaming um mês depois da estreia nos cinemas, enquanto o aumento causado pela chegada mais veloz à internet foi estatisticamente insignificante, uma vez que, em janelas maiores, com dois ou três meses após a estreia, a redução sentida era de 0,8%.

Uma disponibilização online cerca de um mês após a estreia significa que um longa pode chegar aos serviços enquanto ainda está em muitos cinemas, mas, no total combinado, há um aumento de aproximadamente 12% no faturamento dos estúdios com essa estratégia. A pesquisa considera que, sim, a disponibilização no streaming gera um fluxo maior de cópias piratas de qualidade, mas não enxerga evidências de que isso influenciaria de forma mais negativa nas receitas de cinema.

A pesquisa considera, de forma preliminar, que não há mudança no movimento de público — ou seja, quem iria ao cinema assistir a um longa, segue indo, enquanto aqueles que aguardam pela estreia no streaming só teriam de esperar menos. Da mesma forma, os adeptos da pirataria continuariam baixando as produções e não gerando receita, apenas tendo de aguardar menos tempo para fazer isso, sem que um lançamento antecipado gere efeitos nesse sentido.

Por outro lado, a ideia dos pesquisadores da Carnegie Mellon é que, em resumo, uma janela menor de lançamento entre cinema e streaming é benéfica tanto para estúdios quanto para o público. O estudo considera que produções mais aguardadas, como grandes blockbusters de super-heróis, podem gerar movimentos maiores em bilheteria, streaming e, claro, pirataria, mas, no geral, a conclusão é que o aumento maior se dá no faturamento, e não nos downloads ilegais.

O estudo foi realizado antes da pandemia do novo coronavírus, claro, e ainda não foi avaliado por pares. A pesquisa é parte de um instituto voltado a análises relacionadas à mídia e entretenimento digital da universidade de Carnegie Mellon, nos Estados Unidos.

Fonte: Canaltech

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