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Lagarde, do BCE, rechaça apostas do mercado em alta de juros

·3 min de leitura
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde

Por Balazs Koranyi e Francesco Canepa

FRANKFURT (Reuters) - A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, rechaçou nesta quinta-feira apostas do mercado de que a inflação em escalada forçará um aumento dos juros já no próximo ano, reafirmando a visão de que as pressões sobre os preços cessarão até lá.

Com outros bancos centrais indicando direção rumo a uma política monetária mais rígida, Lagarde disse que o Conselho do BCE fez uma "análise profunda" de sua posição, mas concluiu que ela está correta.

O tópico dominou a discussão de política monetária, disse ela em coletiva de imprensa: "Nós conversamos sobre inflação, inflação, inflação."

Lagarde indicou preços mais altos de energia, um descompasso global entre a recuperação da demanda e da oferta e efeitos de base pontuais, como o fim de um corte nos impostos sobre as vendas na Alemanha, como os três principais fatores que impulsionam temporariamente a inflação na zona do euro.

"Embora a inflação deva levar mais tempo para recuar do que o esperado anteriormente, esperamos que esses fatores diminuam no decorrer do próximo ano... Continuamos vendo a inflação no médio prazo abaixo de nossa meta de 2%", disse ela.

Referindo-se à orientação da política monetária do BCE --a qual estipula que os juros não vão subir até que a inflação retorne à meta até a metade do período de previsão e aí fique-- Lagarde acrescentou: "Claramente, na análise atual (essas condições) não estão atendidas e certamente não estarão em um futuro próximo".

O BCE há muito argumenta que o salto em curso nos preços é passageiro e que as pressões inflacionárias subjacentes são suficientemente fracas para demandarem apoio do banco nos próximos anos.

Mas as expectativas de inflação das famílias estão agora subindo rapidamente, e investidores também estão duvidando dessa visão, precificando um aumento nos juros até o fim do ano que vem e abrindo uma grande lacuna entre a própria orientação do BCE e as perspectivas do mercado.

A inflação da zona do euro foi a 3,4% no mês passado e deve subir para 3,7% em outubro. Os dados preliminares serão divulgados na sexta-feira.

Isso levantou questões sobre se a agressiva política do BCE de compras maciças de títulos e taxas de juros negativas sobre os depósitos ainda era apropriada.

Lagarde disse que a inflação dominou as discussões do Conselho do BCE. "Falamos sobre inflação, inflação, inflação", afirmou.

"Fizemos muitos exames de consciência para realmente testar nossa análise e estamos confiantes de que esta análise da temporalidade dessas categorias está correta e levará a um declínio ao longo de 2022."

"Ainda assim, vai demorar um pouco mais do que esperávamos."

O BCE disse em setembro que via a inflação em 2,2% neste ano, em 1,7% no próximo e em 1,6% em 2023, mas é provável que aumente suas previsões na próxima atualização de estimativas, em dezembro.

Economistas ouvidos pela Reuters também aumentaram suas previsões e agora veem o crescimento dos preços na zona do euro em 2,3% neste ano, 1,8% em 2022 e 1,6% em 2023.

Indicadores de mercado para as expectativas de inflação da zona do euro também subiram e colocam a taxa em torno de 2%, meta do BCE, para a próxima década.

O swap de inflação a termo de cinco e cinco anos superou 2% pela primeira vez desde 2014 na semana passada, enquanto o swap de inflação a termo de um ano e um ano estava logo abaixo desse nível.

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