Lagarde diz que ajustes devem ser confiáveis e feitos em ritmo razoável

Paris, 30 nov (EFE).- A Diretora-Gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ressaltou nesta sexta-feira que os países da zona do euro devem consolidar suas finanças públicas "de forma vigorosa e confiável", mas "em um ritmo razoável"

Lagarde, que discursou em um evento em Paris organizado pelo Tesouro francês, se pronunciou a favor de dar "um apoio à demanda de curto prazo", diante do risco persistente de estagnação, e destacou os lucros que as reformas estruturais trarão.

"A consolidação orçamentária deve ser feita de forma vigorosa e confiável" mas em um horizonte "de médio e longo prazos", e para impedir os efeitos recessivos sobre a demanda "deve ser feito em um ritmo razoável".

Lagarde, que discursou antes do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou que uma maior integração europeia da eurozona "facilitaria a prevenção da crise", porque a experiência mostrou que "os choques de cada país continuaram sendo frequentes".

Segundo sua opinião, essa integração orçamentária deve envolver "uma supervisão maior das políticas nacionais", uma transferência de serviços orçamentários para um funcionamento comum, "redes de segurança confiáveis para o setor bancário" e "um empréstimo comum", em particular para financiar essa rede de segurança.

A diretora do FMI disse que "corrigir os desequilíbrios externos é crucial para a zona do euro" e em relação a isso, ressaltou os avanços em países como Portugal, Grécia e Espanha, e opinou que neste último caso sua balança comercial com a zona do euro "praticamente voltou ao equilíbrio".

"Infelizmente", acrescentou, essas correções não são apenas o resultado de uma melhora da competitividade desses Estados, mas também da diminuição de suas importações.

"Os lucros de competitividade duradoura (...) seguem pendentes para um certo número de países" e precisam de reformas estruturais, argumentou.

Lagarde defendeu que os países com excedentes - uma alusão à Alemanha - deveriam contribuir para o reequilíbrio da zona do euro com aumentos de salários porque isso "teria efeitos positivos sobre os países deficitários" do sul da zona do euro. EFE

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