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Lacuna sobre a origem do vírus pode demorar a ser preenchida

·5 minuto de leitura
Corona virus close up
Foto: Getty Images

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mais de um ano e meio após o início da pandemia da Covid-19, a comunidade científica ainda se debruça sobre a origem do coronavírus Sars-CoV-2. 

Nas últimas semanas, o debate sobre como o vírus passou a infectar humanos voltou à tona com a possibilidade, não comprovada até agora e sem novas evidências, de um escape laboratorial. 

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Cientistas renomados de diferentes instituições de pesquisa publicaram uma carta na prestigiosa revista científica Science pedindo que mais investigações fossem feitas acerca da origem do vírus. E o presidente dos EUA, Joe Biden, pediu à Inteligência dos Estados Unidos um relatório sobre a origem do vírus. 

Tudo isso porque o relatório publicado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) após investigação em Wuhan não foi conclusivo. Um grupo da entidade esteve com cientistas chineses e descartou uma possível origem do vírus a partir do mercado de animais, mas não teve acesso a outros dados, como informações sobre pesquisas em andamento no Instituto de Virologia de Wuhan com outros coronavírus que infectam morcegos. 

Mesmo assim, a OMS classificou como de provável a muito provável a origem do Sars-CoV-2 a partir de um hospedeiro animal para o ser humano, e como extremamente improvável a hipótese de um acidente de laboratório. 

Um problema é que, apesar dos esforços com testes em mais de 80 mil animais selvagens e de criação, a OMS não conseguiu achar o hospedeiro animal que serviu de fonte inicial do vírus. Em outras palavras, ainda não se sabe de qual espécie o Sars-CoV-2 teria "saltado" para a espécie humana. 

Diversos estudos buscaram encontrar o parente mais próximo do Sars-CoV-2. Dentre eles está a maior pesquisa evolutiva feita até agora, que indica um vírus encontrado em morcegos —o RaTG13— como o mais próximo, com 96,3% do genoma compartilhado. 

Esse nível de semelhança do material genético, embora elevado, ainda não explica a passagem do vírus do morcego para o novo coronavírus. 

"A amostragem feita pela OMS de testagem em 80 mil espécimes animais é invejável, mas mais do que a quantidade de indivíduos temos que saber quantas espécies diferentes foram testadas e qual a dimensão geográfica desses animais. Mesmo com essa amostragem é possível não ter ainda chegado a todos os possíveis elos de uma cadeia", explica o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica e professor da Universidade Feevale. 

"Temos agora conhecimento de pelo menos sete coronavírus que infectam humanos. Então o que conhecemos da diversidade em outras espécies, embora tenha aumentado consideravelmente nos últimos anos, provavelmente não é conclusiva", diz. 

Mesmo no caso de outros coronavírus o conhecimento da cadeia de transmissão só foi completamente elucidado anos após a ocorrência dos primeiros surtos em humanos. 

No caso da epidemia de Sars (síndrome respiratória aguda grave), as civetas foram consideradas inicialmente como hospedeiro intermediário, mas depois viu-se que a transmissão partiu, na verdade, de um morcego e que a infecção das civetas foi causada pelos humanos, e não o contrário. 

Recentemente, um estudo publicado por pesquisadores da UFRGS na revista Genetics and Molecular Biology demonstrou que 75% dos agentes causadores de doenças infecciosas em humanos "saltaram" de outros animais para a espécie humana. 

Embora considere a teoria de origem animal mais provável, Spilki reforça a importância de se investigar como o vírus surgiu até para restabelecer a confiança nessa área de pesquisa, que é fundamental para prever epidemias. 

Mas mesmo com o histórico favorecendo a origem zoonótica do coronavírus, o escape laboratorial não pode ser negligenciado até que evidências que o descartem completamente sejam encontradas. 

"Não temos nenhuma confirmação sobre quais os tipos de pesquisas estavam em andamento no Instituto de Virologia de Wuhan. De qualquer forma, a possibilidade de um escape em laboratórios de biossegurança elevada é extremamente improvável, não é uma situação normal, mas não é impossível de ocorrer", diz Spilki. 

Instituições de pesquisa que lidam com vírus, como é o caso do instituto de Wuhan, tendem a ter protocolos de segurança em vários níveis para conter qualquer possível escape de um agente infeccioso. 

"Se considerarmos o nível de segurança requerida atualmente para fazer experimentação com o coronavírus, precisamos de um investimento considerável em infraestrutura e treinamento de pessoas", diz o virologista Jônatas Abrahão, professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB-UFMG). 

Os profissionais que trabalham em salas do tipo precisam usar roupas especiais e máscaras com alto poder de filtração para evitar qualquer tipo de contaminação, o manuseio de substâncias perigosas e agentes de risco biológico é feito dentro de cabines de segurança, e todo ar que sai do laboratório passa por filtração. 

E o que pode dar errado? 

"Os pontos mais críticos desses sistemas são bem monitorados. Se as coisas não estiverem perfeitas, o trabalhador nem pode entrar. Mas sempre existe o risco de acidentes", afirma Erna Geessien Kroon, também virologista no ICB-UFMG e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC). 

Para a virologista, o ponto mais sensível desse tipo de trabalho é a retirada das roupas especiais. "Foi o que aconteceu com profissionais da saúde na pandemia, que se infectaram tirando a proteção de forma incorreta", diz. 

Qualquer acidente dentro do laboratório precisa ter um registro, mas uma infecção na hora da chamada desparamentação é difícil de ser notada. Assim, a pessoa pode sair de dentro do laboratório infectada, mas sem saber o que aconteceu. "Não é impossível, mas a probabilidade é baixa", afirma Kroon. 

Na opinião dos virologistas, uma confirmação sobre a origem do vírus é muito difícil de ser alcançada. "O que vai acontecer é que algumas hipóteses vão ganhar mais força sobre outras", diz Kroon. 

"O momento da primeira infecção detectada não é o ponto zero do vírus, isso fica bem mais para trás. Se as primeiras infecções aconteceram em Wuhan em dezembro, supondo que o vírus passou de animais para humanos, há um tempo de adaptação até a detecção em pessoas", afirma a virologista. 

"Podemos até chegar a uma resposta definitiva, mas ela deve demorar alguns anos", diz Abrahão. "Estudos sobre origens de vírus podem levar cerca de uma década." 

De acordo com o pesquisador, os estudos devem procurar evidências por todos os lados, seguindo as evidências. 

"Buscar a origem do vírus é muito importante, mas pode ter uso político. Para a ciência, é importante não para punir e responsabilizar culpados, se for o caso, mas para ter o conhecimento capaz de prevenir futuras pandemias", diz o virologista. 

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