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Laboratório da USP cultiva vírus da varíola dos macacos para estudá-lo

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) cultivam o vírus da varíola dos macacos (monkeypox) em laboratório. A ideia é distribuir amostras do agente infeccioso para laboratórios públicos e privados, o que ajudará em testes de diagnóstico da doença.

Além disso, o cultivo do vírus da varíola dos macacos e a distribuição das amostras também irão permitir que pesquisadores brasileiros estudem o agente infeccioso. Com isso, será possível compreender a evolução viral da doença e desenvolver possíveis tratamentos e vacinas.

Cientistas da USP cultivam o vírus da varíola dos macacos em laboratório (Imagem: Mstandret/Envato Elements)
Cientistas da USP cultivam o vírus da varíola dos macacos em laboratório (Imagem: Mstandret/Envato Elements)

O trabalho é conduzido pelo Laboratório de Virologia (LIM52), do Instituto de Medicina Tropical (IMT-USP), sob o comando da virologista Lucy dos Santos Vilas Boas. A mesma equipe de cientistas foi responsável por concluir o primeiro sequenciamento genômico do vírus da varíola dos macacos, a partir de amostras de um paciente infectado em São Paulo.

Como o laboratório cultiva a varíola dos macacos?

“Recebemos a amostra clínica do primeiro paciente diagnosticado no país e a inoculamos em uma cultura de células vero [linhagem oriunda de rim de macaco e usada como modelo para pesquisas com vírus]. Após 24 horas, já era possível observar alterações morfológicas nas células, típicas do monkeypox. A confirmação foi feita por RT-PCR”, detalha Vilas Boas sobre o processo de cultivo do vírus, durante entrevista para a Agência Fapesp.

Após a confirmação de que aquela amostra era da varíola dos macacos, os cientistas da USP extraíram o agente infeccioso da cultura e o inativaram. Amostras do vírus inativado ("morto") foram enviadas para outros centros de pesquisa, sem o risco de um possível vazamento biológico.

"Agora, estamos enviando amostras desse material para laboratórios particulares e públicos que nos solicitaram. Nesses outros centros, o DNA viral poderá ser extraído e usado como controle positivo em testes de RT-PCR, expandindo a capacidade de testagem no país”, explica a virologista.

Distribuição do agente infeccioso

Em uma segunda etapa, o laboratório também enviará amostras do vírus vivo para alguns centros de pesquisa. No entanto, este tipo de material somente poderá ser recebido por centros de pesquisa com nível 3 de biossegurança (NB3). Será o caso do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

“Nossa função vai ser cultivar o vírus em uma escala maior e dentro de duas ou três semanas começar a distribuir alíquotas para laboratórios de todo o país. Isso será possível graças a um acordo que fizemos no início da pandemia da covid-19 com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações [MCTI] e com os Correios. A empresa faz o transporte especializado das amostras. Retiram aqui e levam até a porta dos destinatários”, detalha o professor do ICB-USP, Edison Luiz Durigon.

Fonte: Canaltech

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