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La Niña agrava clima seco e ameaça produção de café no Brasil

Fabiana Batista
·2 minutos de leitura

(Bloomberg) -- Os preços do café - que mostra o pior desempenho entre as principais commodities agrícolas neste ano - podem receber impulso do fenômeno climático La Niña, que ameaça a próxima safra do Brasil.

Após a supersafra em 2020, o La Niña aumenta o risco de queda da produção no próximo ano. A maioria das lavouras, já secas devido aos meses de chuva abaixo da média, agora é afetada pelas altas temperaturas.

O La Niña ocorre quando a superfície do Oceano Pacífico esfria, o que provoca uma reação em cadeia atmosférica que pode alterar o clima ao redor do globo. No Brasil, o tempo muito seco e quente obscurece as perspectivas para várias commodities, como café arábica, laranja, açúcar e soja, mesmo com o alto volume de chuvas em algumas áreas do Sul.

Em contraste com as cenas preocupantes de flores murchas nos cafeeiros brasileiros, o ritmo das exportações do país é recorde, pois as condições mais frias e úmidas favoreceram os cafeicultores no ano passado. O alto volume de embarques do Brasil quando o consumo ainda é fraco por causa das restrições da pandemia ajuda a explicar por que os futuros do arábica acumulam queda de 16% neste ano, mais do que qualquer outra commodity agrícola de peso.

“A situação é muito ruim, com pés murchando intensamente a cada dia”, disse Regis Ricco Alves, diretor da consultoria RR Consultoria Rural, de Minas Gerais, estado que lidera a produção de café no Brasil.

Não há previsão de chuvas para os próximos 10 dias nos cafezais, e as temperaturas devem atingir níveis recordes. Nesta semana, as temperaturas podem chegar a 35 graus Celsius, de acordo com a Somar Meteorologia. Mesmo lavouras que se beneficiaram com as chuvas da semana passada receberam apenas 30 milímetros neste mês, 40% do esperado.

Nesta época do ano, surgem as floradas para a colheita do próximo ano. Mas a primeira florada em agosto foi perdida em muitas regiões e as condições para uma nova floração são ruins.

Givago Miranda, cafeicultor do município de Três Pontas, em Minas Gerais, disse que os pés de café estão murchando e amarelando, e os botões são “cozidos” antes de abrir em alguns casos.

“O potencial para a próxima safra agora é certamente de 5% a 10% menor”, disse.

Na região da Mogiana, no estado de São Paulo, o cafeicultor Rodrigo de Freitas registrou apenas 4 milímetros de chuva em agosto e a mesma quantidade em setembro. De abril a junho, o clima também foi seco. Mesmo com irrigação e bom volume de chuvas até 10 de outubro como previsto, o estrago já pode ter sido feito.

“A situação está piorando, e mesmo lavouras adultas mais resistentes têm sido prejudicadas”, disse Alves.

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