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Líquido cerebral de camundongos jovens melhora memória dos idosos, diz estudo

Cientistas da Stanford University School of Medicine conseguiram, através do transplante de líquido cefalorraquidiano de camundongos mais jovens para mais idosos, aumentar a produção de mielina no cérebro dos roedores anciãos, melhorando sua memória. A descoberta tem relação com o número de oligodendrócitos no hipocampo, cuja escassez afeta a habilidade de se recordar em idade mais avançada.

O estudo foi publicado no periódico científico Nature, junto a um artigo que acompanhou seu desenvolvimento e conclusões com neurocientistas do Lehtinen Laboratory do Boston Children's Hospital, mais especificamente, Miriam Zawadzki e Maria K. Lehtinen. Ambos foram publicados na última quarta-feira (11).

Cada vez mais mistérios do cérebro tem sido desvendados: essa foi a vez da memória e as células envolvidas nela (Imagem: Ermal Tahiri/Pixabay)
Cada vez mais mistérios do cérebro tem sido desvendados: essa foi a vez da memória e as células envolvidas nela (Imagem: Ermal Tahiri/Pixabay)

Cérebro e memória

O líquido cefalorraquidiano envolve o tecido cerebral e contém diversos fatores de crescimento de proteína, essenciais para um desenvolvimento normal do órgão. No estudo, os autores verificaram se um tratamento envolvendo transplante desse líquido de cérebros mais jovens afetava, especificamente, as células precursoras de oligodendrócitos (CPO), que se transformam no isolamento das fibras neurais do cérebro, os axônios.

Para medir a capacidade de lembrança dos camundongos, os cientistas tiveram de usar um teste de condicionamento de medo. Os pequenos roedores foram treinados para associar um estímulo audiovisual com um choque nas patas, causando dor. O estímulo era repetido após um dia e, depois, após três semanas. Caso o camundongo congelasse de medo, considerava-se que ele havia lembrado da ocorrência anterior.

Foram, então, testadas as infusões de líquido cefalorraquidiano jovem em animais mais idosos e a do mesmo líquido em versão artificial, além de sondar o que, biologicamente, poderia estar causando os resultados. As amostras dos jovens tiveram sucesso e mais do que dobraram a porcentagem de CPOs se proliferando ativamente no hipocampo dos roedores idosos — também duplicando a proporção de camundongos congelando no experimento em relação aos que receberam o líquido artificial.

Testes com camundongos conseguiram melhorar a memória e o número de células associadas à performance cerebral (Imagem: riccardo ragione/Unsplash)
Testes com camundongos conseguiram melhorar a memória e o número de células associadas à performance cerebral (Imagem: riccardo ragione/Unsplash)

Para descobrir por que obtiveram sucesso no experimento, os pesquisadores sequenciaram RNA, sondando os genes do hipocampo que foram mais afetados pelo procedimento. O resultado foi o fator de crescimento de fibroblastos 17 (FgF17), uma das proteínas que desencadeia a produção de mielina do cérebro.

A mielina, por sua vez, é a camada de isolamento que cerca e protege os neurônios, e está presente em abundância nos animais jovens, diminuindo com a idade. Em neurônios de camundongo cultivados, ela também promove o desenvolvimento de CPOs, e, quando bloqueada nos espécimes jovens, prejudica funções cerebrais.

A descoberta de que o FGf17 se aloja no líquido cefalorraquidiano e auxilia na memória é um grande avanço no campo da saúde cerebral e envelhecimento, o que dá abertura para tratamentos terapêuticos de cognição e memória direcionados para áreas específicas do cérebro. A administração de medicamentos que acessam a substância podem ajudar a tratar demência e Alzheimer, por exemplo.

Fonte: Canaltech

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