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Líder oposicionista da Bielorrússia é presa na fronteira com a Ucrânia após ser sequestrada

O Globo
·4 minutos de leitura
Maria Kolesnikova durante uma entrevista coletiva em Minsk
Maria Kolesnikova durante uma entrevista coletiva em Minsk

A líder opositora bielorrussa Maria Kolesnikova, um dos principais nomes contrários ao presidente Alexander Lukashenko, foi detida na fronteira com a vizinha Ucrânia na madrugada desta terça-feira. Ela estava desaparecida desde segunda-feira, quando foi raptada em Minsk por um grupo de homens encapuzados e posta em uma minivan. Ao menos dois partidários que a acompanhavam teriam sido forçados a deixar o país.

Kolesnikova é a única integrante do trio de mulheres que liderou a campanha de oposição para as eleições do último dia 9 a permanecer na Bielorrússia. Svetlana Tikhanovskaya, que concorreu contra Lukashenko, abandonou Minsk após receber ameaças logo após o pleito, abrigando-se na Lituânia. A terceira integrante, Veronika Tsepkalo, foi para a Polônia com seu marido e filhos pelo mesmo motivo.

Segundo a imprensa ucraniana, Kolesnikova teria rasgado seu passaporte para evitar a expulsão da Bielorrússia após seus dois colegas, Ivan Kravtsov e Anton Rodnenkov, serem obrigados a deixar o país. O vice-ministro para Assuntos Internos da Ucrânia, Anton Gerashchenko, classificou a situação dos homens como uma "expulsão forçada".

"Maria Kolesnikova não pôde ser expulsa porque esta mulher valente tomou medidas para evitar seu movimento na fronteira. Ela permanece em território bielorrusso", disse Gerashchenko no Facebook.

Os três fazem parte do Conselho de Coordenação, grupo de oposição organizado Tikhanovskaya que busca tirar Lukashenko do poder, orquestrar uma transição pacífica e convocar novas eleições. A iniciativa, que tem figuras importantes como a ganhadora do Nobel de literatura de 2015, Svetlana Aleksiévitch, foi declarada inconstitucional pelo governo e é alvo de um processo criminal por supostamente pôr em risco a segurança nacional.

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Segundo e versão oficial do governo bielorrusso, no entanto, ela teria sido presa pois tentou cruzar a fronteira "ilegalmente". Até a manhã desta terça-feira (horário do Brasil), sua localização é desconhecida.

— Rodnenkov, Kravtsov e Kolesnikova, que viajavam em um automóvel BMW, passaram pelo controle aduaneiro na fronteira e se dirigiram para a Ucrânia. No entanto, quando se encontraram com uma unidade da guarda fronteiriça, o automóvel acelerou bruscamente — disse um porta-voz do Comitê Estatal de Fronteiras. — Kolesnikova foi empurrada para fora, e o carro continuo a avançar para a Ucrânia.

Em um primeiro momento, a mídia estatal bielorrussa informou que os três ativistas haviam fugido juntos para a Ucrânia, publicando um vídeo no qual Kravtsov explicava que os três haviam optado por abandonar a Bielorrússia. Não é a primeira vez, no entanto, que as forças de segurança de Minsk obrigam pessoas sob sua custódia a gravar vídeos contra sua vontade.

Sem experiência política, o trio de mulheres ganhou projeção global nas semanas que antecederam as eleições bielorrussas, liderando a maior mobilização antirregime nos 26 anos de Lukashenko no poder. Kolesnikova era chefe da campanha de Viktor Barbaryko, então candidato à Presidência, antes de sua prisão em junho. Tsepkalo e Tikhanovskaya, por sua vez, são casadas com outros dois políticos que tiveram suas candidaturas barradas pelo regime.

Kolesnikova resiste a deixar a Bielorrússia, afirmando que é necessário estar no país para saber exatamente o que se passa.

— Eu sou a única de nós três que continua aqui — disse à BBC Rússia em uma entrevista no mês passado. — Para entender exatamente o que está acontecendo, você realmente precisa estar aqui.

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Elas decidiram, então, se unir em uma chapa encabeçada por Tikhanovskaya que, apesar de todo o apoio popular, obteve apenas 10% dos votos na apuração oficial. Lukashenko, por sua vez, autodeclarou-se vencendor do contestado pleito com mais de 80% do apoio popular — resultado não reconhecido por seus opositores ou por boa parte da comunidade internacional. Nesta terça, a ex-candidata classificou o governo como um "regime ilegal".

Desde que as primeiros resultados do pleito foram divulgados, há 29 dias, protestos maciços contra o presidente, conhecido como o "último ditador da Europa", tomam as ruas do país, sendo duramente reprimidos. Ao menos duas pessoas morreram, centenas ficaram feridas e mais de 7 mil foram detidas. Às Nações Unidas, foram denunciadas uma série de relatos de tortura e abusos de poder dentro dos presídios.

Em meio à tensão crescente dos protestos, o governo de Lukashenko anunciou exercícios militares conjuntos com tropas da Rússia e da Sérvia, países que apoiam Minsk. A Bielorrússia é particularmente importante para Moscou, separando o território russo da Otan e servindo como rota para a exportação de gás e petróleo.

Em uma entrevista nesta terça-feira, o presidente disse que "pode ter ficado um pouco demais" no poder, mas voltou a afirmar que é o único capaz de proteger o país neste momento. Apesar de não descartar novas eleições, ele se recusa a negociar com a oposição.

— Eu não vou falar com o Conselho de Coordenação porque não sei quem são essas pessoas. Não há qualquer tipo de oposição. Tudo que eles sugerem é uma catástrofe para a Bielorrússia e para o povo bielorrusso — disse o presidente, afirmando que sua saída culminaria em um ataque da esquerda contra seus apoiadores.