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Líder independentista escocesa nega interferência em processo contra antecessor

Stuart GRAHAM, con Anna CUENCA en Londres
·3 minuto de leitura
A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon

A primeira-ministra da Escócia, a independentista Nicola Sturgeon, acusada de interferir e mentir no âmbito de uma investigação por agressões sexuais contra seu antecessor, Alex Salmond, disse nesta quarta-feira (3) que atuou de maneira "adequada" e rebateu os pedidos por sua renúncia

"Eu examinei minha alma sobre tudo isto muitas e muitas vezes", afirmou Sturgeon, 50 anos, a uma comissão de inquérito do Parlamento escocês, em Edimburgo.

"Em uma das situações políticas e pessoais mais odiosas que já enfrentei, acredito que agi de forma correta e adequada", acrescentou, em um depoimento exibido ao vivo na televisão e que provoca muita expectativa por suas possíveis consequências para o projeto de independência escocês.

Reforçados pelo Brexit e a muito criticada gestão de Londres da pandemia do coronavírus, os independentistas do Partido Nacionalista Escocês (SNP) esperam conquistar uma ampla vitória nas legislativas regionais de 6 de maio, para pressionar o governo do primeiro-ministro britânico Boris Johnson a aceitar um segundo referendo de autodeterminação.

Após uma consulta em 2014, na qual a permanência no Reino Unido venceu com 55% dos votos, Sturgeon, cuja popularidade era muito alta até a explosão do escândalo, prometeu organizar um novo referendo na próxima legislatura.

Mas além dos crescentes pedidos de renúncia por este caso, a disputa com Salmond, 66 anos - primeiro-ministro da Escócia de 2007 a 2014 e líder do SNP durante mais de 20 anos - pode custar muitos votos ao partido e arruinar seus planos.

- Mudanças no contexto do #MeToo -

Em meados de 2018, duas funcionárias do governo escocês apresentaram denúncias de agressão sexual contra Salmond. Após uma investigação interna, o Executivo de Sturgeon, conhecida defensora dos direitos das mulheres, apresentou uma denúncia à polícia.

Meses antes, a primeira-ministra havia ordenado uma mudança na forma de administrar as acusações de assédio sexual no contexto do movimento #MeToo.

Porém, alguns meses mais tarde foi divulgado que a coordenadora da investigação teve contatos prévios com as denunciantes e um tribunal acabou concluindo que ela foi "contaminada por uma aparente parcialidade".

Salmond foi detido em janeiro de 2019 e recebeu várias acusações de agressão sexual, incluindo tentativa de estupro, contra nove mulheres quando era primeiro-ministro.

Mas ele foi absolvido das 13 acusações em março do ano passado, em um julgamento no qual criticou as denúncias como "fabricações deliberadas com um propósito político".

Salmond acusou depois a sucessora de ter mentido para os deputados, em particular sobre uma reunião com seu ex-chefe de gabinete, Geoff Aberdein, em março de 2018, no qual este a teria informado sobre as acusações de agressão sexual.

A primeira-ministra afirmou que havia "esquecido" da reunião.

"Aconteceu um esforço deliberado, prolongado, malicioso e coordenado entre uma série de indivíduos do governo escocês e do SNP para prejudicar minha reputação, inclusive ao ponto me prender", denunciou Salmond à comissão parlamentar na semana passada.

- Pedidos de renúncia -

O Parlamento escocês abriu duas investigações: uma sobre como o governo administrou as denúncias iniciais contra Salmond e outra sobre se Sturgeon interferiu na investigação ou mentiu à Câmara.

"Se ficar estabelecido que um ministro violou o código ministerial, acredito que as pessoas esperam uma renúncia", declarou no domingo o novo líder do Partido Trabalhista escocês, Anas Sarwar.

O líder do Partido Conservador na Escócia, Douglas Ross, insistiu nesta terça-feira que "Nicola Sturgeon deve renunciar", ao mesmo tempo que anunciou que apresentará uma moção censura contra a chefe de Governo.

Mas ela tem o apoio de seu partido, que denuncia manobras para tentar enfraquecê-la a poucas semanas de eleições decisivas.

Ian Blackford, líder do SNP no Parlamento de Westminster, defendeu sua "integridade" em uma entrevista à BBC. "Sempre foi muito claro que ela não violou o código ministerial", disse.

Em seu comparecimento à comissão na sexta-feira, Salmond acusou o governo de ocultar deliberadamente documentos e de ignorar o conselho de seus assessores legais ao persistir com o caso sabendo que não poderiam vencer, em uma retaliação contra ele.

srg-acc/pc/fp