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Kissinger alerta Biden sobre catástrofe militar EUA-China

Peter Martin
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger disse que o futuro governo Biden deve agir rapidamente para restaurar as linhas de comunicação com a China que se desgastaram durante os anos Trump, sob o risco de que a crise possa se transformar em conflito militar.

“A menos que haja base para alguma ação cooperativa, o mundo cairá em uma catástrofe comparável à Primeira Guerra Mundial”, disse Kissinger durante a sessão de abertura do Bloomberg New Economy Forum. Ele disse que as tecnologias militares disponíveis atualmente tornariam essa crise “ainda mais difícil de controlar” do que as de épocas anteriores.

“Os Estados Unidos e a China caminham cada vez mais para o conflito e conduzem sua diplomacia de forma confrontadora”, disse Kissinger, de 97 anos, em entrevista à Bloomberg News. “O perigo é que ocorra alguma crise que vá além da retórica para um conflito militar real.”

O diplomata que abriu caminho para a histórica viagem do presidente Richard Nixon à China em 1972 disse esperar que a ameaça compartilhada da pandemia de Covid-19 proporcione uma abertura para discussões políticas entre os dois países quando Biden assumir o cargo em 20 de janeiro.

“Se você puder, olhe para a Covid como um alerta, no sentido de que na prática ela é tratada por cada país de forma amplamente autônoma, mas sua solução de longo prazo deve ser numa base global”, disse Kissinger, “deve ser tratada com uma lição”.

As relações EUA-China estão na pior fase das últimas décadas, apesar de os dois lados terem fechado um acordo comercial de “fase um” no início do ano. Desde então, o surto de coronavírus que começou em Wuhan, na China, se tornou global, matando mais de 1,3 milhão de pessoas e destruindo economias.

Como o presidente Donald Trump intensificou as críticas à China, culpando-a pela propagação do coronavírus e pelo número de mortos nos EUA, cada lado também buscou medidas consideradas hostis pelos dois lados.

“Trump tem um método de negociação mais conflituoso do que você pode aplicar indefinidamente”, disse Kissinger. No início do mandato de Trump, “era importante para ele enfatizar as profundas preocupações dos americanos sobre a evolução desequilibrada da economia mundial. Acho que foi importante enfatizar. Mas, desde então, eu teria preferido uma abordagem mais diferenciada.”

Com a rápida erosão dos laços neste ano, a China e os EUA caminham para uma nova Guerra Fria, disse Kissinger, acrescentando que os dois lados devem “concordar que qualquer outro conflito que tenham, não recorrerão ao conflito militar”.

Para conseguir isso, os EUA e a China devem criar conjuntamente “um sistema institucional pelo qual algum líder em quem nosso presidente confie e algum líder chinês em quem o presidente Xi confie sejam designados para permanecer em contato em nome de seus presidentes”, disse.

As relações com a China podem dominar a agenda de política externa do presidente eleito Joe Biden. Ele deve buscar maneiras de acalmar as tensões em áreas como o futuro da tecnologia 5G, o expansionismo do país asiático no Mar da China Meridional e a menor da autonomia de Hong Kong.

Embora Biden tenha décadas de experiência em lidar com a China, ele assumiu um tom mais duro durante as primárias presidenciais. Biden frequentemente criticou as políticas assertivas da China em sua região, bem como a abordagem dos direitos humanos pelo governo de Pequim.

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