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Kim Jong-un reforça autoridade e perde 20 kg em meio a crise, diz inteligência da Coreia do Sul

·3 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para enfrentar uma das piores crises econômicas e sociais em seus dez anos à frente do regime da Coreia do Norte, o ditador Kim Jong-un tem tentado reforçar a imagem como líder forte do país, ao ampliar o número de aparições públcias, retirar fotos dos antecessores de uma sala de reuniões do partido, criar um termo para ressaltar sua ideologia e até emagrecer 20 quilos para parecer mais saudável.

As informações são do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul e foram passadas a parlamentares em Seul nesta quinta-feira (28) em reunião a portas fechadas, segundo a imprensa coreana.

Kim chamou atenção por aparecer cada vez mais magro em eventos oficiais e em fotos e vídeos divulgados pela imprensa estatal, o que levantou rumores sobre seu estado de saúde. Um tabloide chegou a dizer que um dublê vinha aparecendo no lugar do ditador, o que foi negado nesta quinta pelo serviço de espionagem sul-coreano, disse o parlamentar Kim Byung-kee ao jornal Korea Times.

Segundo o deputado, o ditador saiu de 140 kg para 120 kg, citando dados apresentados na sessão com os parlamentares --Kim Jong-un tem 1,70 m de altura. Mas os 20 quilos perdidos indicam não uma doença, mas melhoria na saúde do autocrata, disseram os agentes citando técnicas de inteligência artificial e análise de vídeos em altíssima resolução para investigar as condições do ditador.

A conclusão foi corroborada pelo fato de Kim ter feito 70 aparições públicas até agora neste ano, aumento de 45% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além do peso, o serviço de inteligência informou que o ditador retirou da sala de conferências do Partido dos Trabalhadores da Coreia fotos de seu pai, Kim Jong-il, e de seu avô, Kim Il-sung, que o antecederam no comando do regime.

Isso faz parte de uma tentativa do atual comando do regime de reforçar a importância do atual ditador na história do país, segundo o serviço de inteligência. O governo norte-coreano tem usado o termo "Kimjongunismo" para se referir a ideologia política presente no país hoje, que seria independente do "Jimjongilismo" e do "Kimilsungismo", disse o deputado Ha Tae-keung ao Korea Times.

Kim tem passado pela pior crise de seu governo, agravada pelas restrições provocadas pela pandemia do coronavírus. Mas o SNI disse aos deputados que não encontrou sinais de surto grave de Covid-19 --a Coreia do Norte não reportou nenhum caso de infecção pela doença. O país, um dos mais fechados do mundo, também não começou a vacinar sua população em massa e rejeitou ofertas de vacinas da Rússia e da China.

A Coreia tem passado por um surto de doenças transmitidas pela água, como a febre tifóide.

O SNI relatou que o volume de comércio feito entre Coreia do Norte e China, principal aliado do país, caiu dois terços no acumulado de janeiro a setembro deste ano em comparação com o ano passado, disse Ha.

Com a diminuição do comércio internacional, autoridades norte-coreanas têm pressionado trabalhadores a aumentar a produção, para suprir a escassez de materiais. O excesso de horas de trabalho foi apontado como a causa de uma explosão em uma importante fábrica de fertilizantes em agosto, segundo os parlamentares.

Além disso, a Coreia do Norte não tem conseguido importar papel e tinta para impressão de dinheiro, e autoridades passaram a emitir uma moeda temporária, segundo o SNI.

Para facilitar a entrada de ajuda externa, o país tem aliviado as fortes restrições na fronteira, segundo o serviço de inteligência. O porto de Nampo, no oeste do país, já tem recebido suprimentos, e as autoridades se preparam para abrir também o porto de Yongchon. As rotas por trilhos que levam à China e à Rússia também devem ser reabertas.

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